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Sessão de Cinema – Trajando estranhos e competentes efeitos minimalistas

FILME: Os Estranhos (The Strangers) EUA, 2008 – Suspense/Terror – 85 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Existe um minimalismo muito interessante neste bem-cultuado “Os Estranhos”. Dirigido pelo (bom) estreante Bryan Bertino (também roteirista), o longa-metragem parece apostar na simplicidade, contando uma história de terror categoricamente básica, com poucos personagens (8 no total) e um único cenário de fundo: certa cabana isolada do mundo. Tudo se resumindo, no micro-enredo que abre a película, a uma noite do casal vivido por Liv Tyler (da trilogia “O Senhor dos Anéis”) e Scott Speedman (saído do popular seriado “Felicity”), que já começa mal após um desentendimento entre eles, seguido por uma mortal invasão de domicilio – perpetrada pelos tais “estranhos” descritos (sorrateiramente) no título.

Ainda sofrendo os reveses dos recentes problemas conjugais, os dois se vêem presos e ameaçados pelos três psicopatas (por vezes, se multiplicando como se fossem inúmeros “fantasmas”) ocultos nas cercanias, enfrentando a gelada madrugada – que se pronuncia “interminável” na companhia de algozes tão fatídicos (aka bizarramente aterrorizantes). Usando de sons apropriadamente horripilantes e trilhas climáticas inteligentes nos momentos de suscitar (ou meramente desviar) a tensão, Bertino vai sistematicamente construindo a atmosfera ideal para conseguir amedrontar (furtivamente) os expectadores sem desprender maiores esforços – estes, podados pelo orçamento super limitado. Na verdade, o “universo” da película se avoluma pela excelente faixa sonora, que sugestiona eventos sequer filmados/mostrados. “Impactando” seqüências (ou ambientes) através de ferramentas audíveis e funcionalmente “invisíveis”. Além de baratas, eficazes e – claro – cinematográficas. Verdadeiramente.

Toques que se tornam elementos auxiliares da bonita fotografia avermelhada que permeia a fita, enfeitando cada take com um verniz “correspondente” ao sangue derramado pela trama (onde a derrama é suavizada pela câmera, pouco explícita, preferindo assustar realmente pelo terror psicológico – ao invés de “investir forte” na sangria desenfreada). Seguindo os co-protagonistas de perto (sobretudo a linda filha de Steven Tyler), a narrativa limita-se a acompanha o pesadelo desferido contra Speedman/Liv, dosando momentos de calmaria com transições abstratamente sugestivas (antes do “suspense” desembocar num clímax genuíno, independente das temáticas pouco originais). Preparando o expectador e garantindo alguns sustos sinceros, apesar dos repentinos clichês e/ou infelizes coincidências que comprometem a veracidade do relato (vide o celular esquecido no carro, o amigo que chega – inesperadamente antes da hora marcada – sem avisar e/ou a moça que fica sem cigarro, justamente, às 04h00).

Doravante o conjunto estar “baseado em fatos reais”. Portanto, poderia ter evitado vários “exageros ficcionais” nas artimanhas narrativas adotadas (tipo alguém sumir em questão de segundos). Todavia, estas indulgências são uma miudeza passageira perto da torturante ação dos “visitantes” encapuzados. Sabiamente, Bryan garante o anonimato deles, jamais revelando seus rostos, desviando a imagem em close (propositadamente) para que possamos formatá-las nas nossas mentes. Sozinhos. Criando, assim, uma aura em torno dos bandidos que só ajuda na mitificação da periculosidade que o sombrio trio representa. Do primeiro ao último suspiro. Fenomenologia que se apropria comercialmente desta “identidade preservada” pregada pelos “Os Estranhos”, garantindo a sobrevida do produto nas (planejadas) futuras continuações.

Que agora não dependem – nadinha – do dito elenco principal – nem de outros detalhes envolvendo contratos (como reajustes salariais). Afinal, a mensagem do projeto é claríssima: não importa quem esteja por detrás da fantasia, contanto que a “máscara do dia das bruxas” funcione perfeitamente, pode ser qualquer transeunte. Desde que – no fim – o teor assuste. Mantendo o espírito (artístico-financeiro) de registrar “apenas o estritamente necessário”. Nada mais.

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Sessão de Cinema – Espelhando alguns equívocos da completa falta de sutileza

FILME: Espelhos do Medo (Mirrors) EUA, 2008 – Terror – 110 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Aterrissando aos montes em Hollywood, os remakes baseados em filmes orientais já se tornaram – praticamente – um subgênero dentro da “reciclada” cinematografia norte-americana. Sempre apostando em espíritos desgarrados (aka malévolos), estas obras inevitavelmente enfrentam um processo de completa descaracterização quando pisam em solo ocidental – território propício a sangrias fortes e explícitas – elementos secundários no oriente, onde as tramas se focam, sobretudo, na ambientação e no psicológico afetado de personagens/público.

Seguindo tal “defeito” congênito, “Espelhos do Medo” talvez seja a ninhada que tenha sofrido mais avalias nesta transposição entre vertentes narrativas tão diametralmente distintas. E cinematograficamente antagônicas. Adaptado do conto sul-coreano “Espelho” (lançado em 2003), a película trata o assunto (comumente encontrado nos co-irmãos “O Chamado” e “O Grito”) sem sutileza alguma, despejando seqüências violentas e entregando as surpresas da trama a cada anticlimático “efeito especial” fantasmagórico. Produzido e estrelado por Kiefer Sutherland, o protagonista do seriado “24 Horas”, a fita escorrega logo que escancara a “maldade” que freqüenta os tais espelhos que recheiam o produto, abarrotado por eles – a cada esquina ou cantinho fotografado pela câmera (mostrando-os até exageradamente, algo que beira a obsessão…).

Interpretando um ex-policial que tenta se virar como vigia noturno, Kiefer se convalece numa loja de conveniências abandonada – após um incêndio – descobrindo em suas jornadas noturnas os “Espelhos do Medo” sugeridos pelo título, que infernizam o sujeito lhe mostrando reflexos escabrosos, além de projetar alguns sons bem assustadores (em uníssono). Como se fosse uma “casa mal assombrada”, portanto. Contudo, o que a principio sugeriria uma grande contraposição entre a questionável veracidade de cada acontecimento e/ou uma possível peça pregada pela mente abalada da persona (ex-alcoólatra) de Sutherland (tentando se reerguer no novo emprego), termina sucumbindo bruscamente ao abraçar uma tramóia menos envolvente, onde logo fica nítido a origem sobrenatural destes fenômenos “inexplicáveis”. Que rapidamente desbocam numa alavancada final ao estilo “O Exorcista” (uma comparação penosa para qualquer filme do gênero – rivalizando-se com um “clássico”).

Assim, o diretor Alexandre Aja (autor de “Alta Tensão”) perde muito do interesse construído no início “climático”, banalizando os sustos prevendo-os antecipadamente nos momento onde a pirotecnia ganha destaque e os litros de sangue começam a jorrar – como se fossem os únicos itens aterrorizantes nas artimanhas cênicas utilizadas pela limitada produção. A cena da mandíbula destroçada, por exemplo, garante o arrepio daqueles que detestam imagens absurdamente violentas, doravante apostar numa direção não condizente com o contexto “agindo nas sombras” onde se insere. Longe de mexer com os brios do expectador rodado, a previsibilidade do teor fantasioso – que se apropria do conjunto original – prejudica o resultado final de maneira irreversível.

Transformando tudo numa mera exposição de “especilhos” encapetados, amparados por clichês efêmeros (pombas que se passam por assombrações barulhentas) e por uma quantidade dantesca de caretas patéticas (Kiefer principalmente), frutos da parca tensão sugestionada (justamente) nos instantes que deveriam “congelar a espinha”. Aprisionado por uma abordagem incapaz de dar total vazão ao “medo” desfilado pelos “espelhos” espalhados (sempre compulsoriamente) pela projeção, “Espelhos do Medo” empalidece diante das possibilidades abertas por um conceito tão interessante (o “mundo” refletido pelos vidros), deixando de aproveitar sua natureza “intimista” em prol do sangrento (e desgastado) festival fetichista – “americanizado” demais.

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Sessão de Cinema – Tropeçando nos desafios contínuos de Jigsaw

FILME: Jogos Mortais V (Saw V) EUA, 2008 – Terror/Suspense – 92 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Por vezes, o cinema cria “Jasons” que se recusam a morrer, pelo menos, enquanto seus longas estiveram rendendo alguns bons montantes de dinheiro. Mais do que uma resistência ao passamento pessoal, estas “ressurreições cinematográficas” adquirem forças apoiando-se na ganância dos produtores, ávidos em usar/abusar destes “pesadelos” lucrativos. Uma pré-condição capitalista nem um pouco inalcançável se considerarmos o prestígio destas marcas, que arrastam expectadores a cada lançamento –  fora o baixo custo de produção, inerente nas empreitadas estilo “Jogos Mortais V”, filmado sob orçamento controlado – e contando com uma expectativa de retorno (quase sempre) garantido.

Em muito, devido ao sucesso Cult da película original (de 2004), que lhe entrega fieis seguidores, anualmente. Independente da qualidade criativa do novo longa-metragem, prejudicada pela falta de verdadeiro apoio financeiro/humano (a direção, por exemplo, ficou a cargo de David Hackl, um mero “desenhista de produção” no primeiro “Jogos Mortais”). Aleijado de profissionais com maior gabarito, o quinto capítulo insiste em espremer um bagaço que já foi chupado até o último caldo. Jigsaw já está morto, obviamente (vide “Jogos Mortais IV”). Mas nada que impeça seu (comentado) retorno, seja através de flashbacks e/ou vídeos ao estilo: “se estiver vendo isso, significa que eu não estou vivo…”.

Tobin Bell, felizmente, regressa ao psicótico personagem (que valorizou sua carreira), claro, recebendo um ótimo salário e (agora) acompanhado de um cúmplice, este, continuando as ciladas doentias de seu falecido tutor. Assim, as mortíferas armadilhas continuam a “purificar” suas vitimas, entretanto, sem a graça ou o terror psicológico de outrora. Afinal, elas já se tornaram, enfim, repetitivas. Sem novidade alguma. Além de pouco acrescentar a atual trama, enraizada basicamente na perseguição mútua entre detetive Hoffman (Costas Mandylor) e agente Strahm (Scott Patterson). Rivais que freqüentam vertentes opostas num tabuleiro criminal submetido ao conjunto de investigações que resvalam na lembrança de figuras (tipo Danny Glover, “aparecendo” através de fotografias) e cenários já visitados ao longo da série (reaproveitando peças cenográficas inteiras – ripadas para poupar despesas “desnecessárias”).

Registros que se propõem a amarrar diversas pontas “soltas” e solucionar este caso insolúvel (esticado demasiadamente numa quintologia). Só que sequer finalizando em definitivo, obviamente, deixando ganchos – programados de antemão – para uma eventual “continuação”. Elementos “saudosistas” que agradarão (especialmente) os admiradores assíduos, compondo um painel sobre o enredo geral que permeia os cinco “Jogos Mortais”. Apesar deles exigirem irrevogavelmente certo conhecimento prévio dos expectadores, jogados numa conjuntura interconectada de eventos que, caso contrário, não se esclarecem nem apelando pra fatídica exibição (logo na abertura de “Jogos Mortais V”) das tais “cenas do capítulo anterior”. Adendo que consome minutos preciosos de filme para construir um lembrete pouco valido – desconsiderando os preciosos cifrões poupados na reutilização destas passagens (claramente) recicladas.

Aliadas a escuridão exposta sistematicamente no restante da empobrecida fotografia, um recurso “artístico” de intenção dúbia, podendo ser utilizado (disfarçadamente) tanto para dar climatização quanto para “mascarar” os parcos recursos desprendidos durante as gravações (afinal, nada vemos em meio ao breu). Pobreza acentuada pela própria aquisição de um elenco virtualmente “desconhecido”, portanto, incapaz de garantir a aparente ilusão bem-sucedida da obra, cuja boa arrecadação nas bilheterias (aka importância dentro do gênero) destoa do visível esgotamento da franquia, que se diminui na medida em que os advindos “Jogos Mortais” continuam sendo míseros “caça-níqueis”.

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A reencarnação do terror brasileiro

FILME: A Encarnação do Demônio (Idem) Brasil, 2008 – Terror – 90 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Todo cinéfilo que se preze conhece o Zé do Caixão. Ou deveria conhecê-lo. Mesmo de só ouvir falar, já que suas películas são “quinquilharias empoeiradas” pro mercado. Situação ingrata que está prestes a mudar neste vindouro lançamento de “A Encarnação do Demônio”, nova película de José Mojica Marins, personificador e criador de um dos “nomes” mais representativos dentro da Sétima Arte brasileira. Além de consagrado mundialmente, inclusive, fazendo seu indissociável “protagonista título” ganhar uma justíssima “renomeação” internacional. Mojica imaginou “Coffin Joe” (como acabou conhecido nos EUA) partindo de um pesadelo pessoal onde a figura concebida por ele (ou seja, ele mesmo) se revelava através de um pesado sonho, da qual o cineasta aproveitou para desenvolver “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (de 1964), primeiro filme de uma (até então) incompleta trilogia que se encerrará, justamente, nesta – ressuscitada – empreitada. Algo só possível após o cultuado idealizador aceitar uma valorosa parceria proposta pelo produtor Paulo Sacramento – em conjunto com Dennison Ramalho, roteirista da obra.

“Trata-se da volta do mestre do terror e será um grande evento pra cinematografia nacional”, apregoa Sacramento, um dos articuladores chefes da “força tarefa” responsável por finalizar um conto “amaldiçoadamente” estagnado há tantas décadas. “Foram anos de luta tentando viabilizar ‘Encarnação do Demônio’”, confirma o consagrado tutor/diretor, que havia escrito o tratamento original (do futuro produto) no longínquo 1966. De lá para cá, a história foi sendo reescrita constantemente, dando seqüência a diversas tentativas frustradas de fazê-lo ganhar às telonas. Evento (póstumo) só possível 40 anos depois de “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1967), o segundo capítulo desta saga macabra, chegar aos cinemas. “Ao longo de seus 50 anos de cinematografia, ele fez mais de 30 filmes e nossa admiração por todo esse histórico pesou muito para decidirmos tocar esse difícil projeto ao lado dele”, complementa Sacramento, atento as necessidades atemporais de fechar o ciclo deste “símbolo do horror” verde-amarelo. “Nosso desafio foi agrupar as pessoas certas para que o Mojica pudesse ter este suporte para concluí-lo, finalmente”, conta o (igualmente) produtor Caio Gullane.

“Tínhamos o compromisso de dar assistência à criatividade de Mojica sem trair o estilo dele”, reafirma Fabiano Gullane, outro produtor do citado longa-metragem. “Tive o controle total da filmagem para que as coisas pudessem ser feitas de acordo com minha linguagem”, reitera José Marins, para alívio dos fãs antigos, estes, preocupados com a manutenção do estilo autoral apreciado nas peças anteriores de Zé do Caixão. “O universo dele é retratado desde o princípio do filme, integralmente, com uma abertura em animação com veias e órgãos em formação”, atiça o cineasta, valorizando uma produção revitalizada pelos padrões produtivos atuais. “Os produtores providenciaram tudo para que tivéssemos equipamentos e equipe de primeira linha”, revela José Roberto Eliezer, diretor de fotografia. “O filme é muito dinâmico, com muitos cortes nas tomadas de ação. Os enquadramentos têm uma levada de HQ, com ângulos pouco comuns, contudo, muito adequado ao tema”, fala o fotógrafo, citando algumas das recauchutagens obrigatórias pra iniciativa, enfim, deixar a prancheta e encarar um público – possivelmente – diferente (em parte) das sessões “alternativas” dos anos 60.

Algo que em nenhum momento depõe contra as qualidades – já clássicas para gerações inteiras – deste ícone tupiniquim. “Utilizamos uma série de truques e recursos criativos para transformar em realidade o que o onírico roteiro exigia. Apesar do orçamento apertado, tudo foi desenvolvido adequadamente, mas dentro de um patamar muito acima do que o Mojica já havia feito anteriormente” acrescenta Cássio Amarante, diretor de arte da presente “obra-prima”, na opinião do próprio Mojica: “Considero este material a ‘Bíblia do Terror’ da América Latina”, ele diz confiante. “Esta história reúne todos os elementos que os amantes do gênero apreciam, num tenebroso caminho entre espectros, torturas e cenas violentas”, conta o autor. “Acredito que vamos fazer muito barulho”, finaliza – favoravelmente amparado pelos 3800 litros de sangue (falso, logicamente) utilizados ao longo da projeção, sem contar o coro dizendo “Satanás” ao contrário, ou os diversos ratos, aranhas e baratas utilizadas no processo. “O resultado é realmente impressionante, um tipo de experiência minuciosa, que exige paciência e disposição”, diz André Kapel, supervisor escalado para cuidar dos efeitos visuais.

Porém, para lapidar tão almejada “excelência cinematográfica”, era preciso construir um caminho – árduo – em que o episódio final suplantasse (comercialmente) e homenageasse os sucessos antecessores, respeitando naturalmente, os feitos mortais do “coveiro assassino” mais famoso do “Trash” brazuka. “Zé do Caixão sempre foi um sádico e em ‘Encarnação do Demônio’ isso acaba muito bem retratado”, prontifica a dizer seu interprete. “Ele é como uma cobra, quem passa por ele é picado, quem atrapalha o destino dele é morto”, sintetiza, para depois, fazer um adendo importante: “Retrato um cara humano, perseguido pelos fantasmas das pessoas que acabou matando – o que significa que ele tem consciência do que fez. Em ‘À Meia-Noite’, eu já mostrava este remorso, nas (respectivas) alucinações com os espectros de suas vítimas”, relembra, demonstrando (claramente) que o tempo – encarcerado – sequer abalou sua persona fictícia. “Outro desafio foi modificar uma seqüência de ‘Encarnarei no Teu Cadáver’. Na época, a censura obrigou Mojica a inserir frases em off que davam à cena uma conotação de arrependimento e conversão plena do personagem. Refizemos esta parte de acordo com a intenção original, de mantê-lo com suas sagradas convicções até o fim”, revela Eliezer, elaborando e inserindo cuidadosamente estes – lúdicos – flashbacks.

Assim, Zé do Caixão regressa (felizmente) mantendo as boas-velhas características de outrora – só que evidentemente mais velho, após uma longa estada em manicômios (antes do “despertar” na cosmopolita “cidade grande”) – sempre matutando uma forma de concretizar seus planos malévolos. “O personagem acredita na descendência e busca uma mulher que pense como ele. Quando encontrar uma parceira ideal, para gerar o herdeiro perfeito, virará imortal, pois sua ideologia será herdada por seu filho, imortalizando-se por meio da hereditariedade do sangue”, explica o realizador – de unhas enormes – o mesmo, que já havia imortalizado sua criatura nas grandes telas e agora tenta repetir o feito (dentro) da ficção sonhada por ele. Porém, ainda não concretizada totalmente. “Estarei plenamente realizado somente após viajar pelo Brasil e exterior e puder averiguar pessoalmente se foi realmente o filmão que meu público estava esperando”, confessa José Marins, cujo ótimo currículo lhe imputa 10 milhões de expectadores e uma justa retrospectiva no importante Sundance Film Festival, o principal encontro sobre cinema “independente” do mundo. Meritoriamente.

Fonte: Fox Films

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