Arquivo da tag: Quantum of Solace

Sessão de Cinema – Dando alguns tiros furados no cinema “não-jogável”

FILME: Max Payne (Max Payne) EUA, 2008 – Policial/Ação – 100 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Existe uma deficiência crônica nos filmes baseados em jogos: é mais divertido jogá-los do que assisti-los. “Max Payne” não foge a regra. Apesar do chavão desta análise, que surge repetidamente desde quando games (como “Street Fighter”) despontaram nas telonas. Originário no popular título da finlandesa Remedy Entertainment, o longa homônimo até honra a mitologia da série, mantendo-se fiel as notáveis referências extraídas da cultura nórdica e aos inúmeros cacoetes narrativos, contudo, o enredo passável – inundado de clichês policiais – se verifica quase intragável quando destituído do quesito “jogabilidade” (ato celebradamente não-passivo), inerente aos catárticos videogames.

Impossibilitado de assumir o controle da situação, o expectador encontra na película muitos dos maneirismos da versão “gamística”, entretanto, o produto (em si) perde apelo ao se desenvolver num conjunto de intrigas confusas e direções (comandadas por John Moore) extremamente cafonas (vide a edição esquematizada). Elementos que “apagam”, inclusive, os esperados momentos pirotécnicos. Estes, competentes. E bem minguados, infelizmente. Fartamente freqüentado por figuras bidimensionais, a história se desenrola por meandros tortos, mal explicando co-relações entre os personagens e extrapolando os onipresentes aspectos caricatos dos mesmos. Nesta apoteose de gente que entra/sai da projeção sem demonstrar sua significância pra caótica trama (envolvendo a produção de uma nova droga alucinógena), temos Max Payne – interpretado por Mark Wahlberg, agindo numa carranca folgada e andando como se fosse virtualmente indestrutível (a passagem dele atravessando a rua sem se importar pros carros é bem representativa deste desprendimento).

Pena que Wahlberg (de “Planeta dos Macacos”) exagera na dose, aparentando uma fragilidade gigantesca nos poucos momentos de “cabeça baixa” e uma invulnerabilidade absurda nos momentos de “queixo erguido”. Sem qualquer meio-termo. Passeando pelo submundo do crime, o detetive Max é estimulado pela vingança, movimentando um tabuleiro atribulado por típicas traições – mecanismos “invisíveis” que farão tanto a polícia quanto a máfia se voltarem contra ele. Iniciando, assim, os confrontos físicos entre mocinhos/bandidos e a fase do “Bullet Time”, um efeito cinematográfico que desacelera a imagem (estilo “Matrix”), escancarando os tiroteios (detalhadamente) em slow-motion. Comungado pelo “third-person shooter” que lhe empresta o nome, a obra filmada manifesta a mesma estilização das seqüências de ação encontradas no “Max Payne” lançado (sucedidamente) para PC/PS2/Xbox (todos em 2001). Peça que acerta o clima, mas já aparenta sofrer overdose após tantos anos de banalização – decorrentes do uso indiscriminado dentro da Sétima Arte.

De impactante mesmo, temos as cinematográficas “mega-alucinações” que presenteiam a fértil imaginação dos usuários do composto Valkyr. Revelando “visões” de anjos caídos e abstraindo um cenário “transmorficamente” apocalíptico, tais efeitos ajudam a criar uma atmosfera sinergicamente “infernal” (amparada numa direção de arte inspirada pelo noir) – algo extremamente condizente com o calvário vivido pelo protagonista, cegamente aprisionado num círculo simbiótico (e vicioso) de “crimes & pecados”. Que vitimam sua mulher e muitas das femme fatales que (azaradamente) cruzam a jornada deste herói renegado (como a Bond-girl Olga Kurylenko, atriz de “Quantum of Solace”). Todavia, Payne parece se perder no meio destas preposições mal-costuradas, reagindo de forma menos chamativa do que sua experta contraparte poligonal. Eles até mostram certo sincronismo (a temática do longa-metragem é bastante similar ao texto original), porém, acabam se distanciando frente ao acabamento dualístico, contrapondo os limites e/ou as qualidades de duas mídias (co-irmãs) aparentemente “incompatíveis”. Termo que impede o sucesso “absoluto” destas fadadas adaptações. Há tempos.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Críticas

Sessão de Cinema – Quantum of Solace: James Bond renasce no século XXI

FILME: 007 – Quantum of Solace (Quantum of Solace) EUA, 2008 – Ação – 106 min. Resenha de Carlos Campos para o “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Reformulado em “Cassino Royale” (de Martin Campbell), 007 ganhou um novo (sisudo) interprete (o ótimo Daniel Craig) e agora continua se reinventando numa continuação direta da aventura predecessora – feito inédito na série (que sempre apresentou capítulos independentes entre si). “Quantum of Solace” começa no ponto exato em que findava a película anterior (de 2006), com Bond ressentindo a perda de Vesper (Eva Green) e perseguindo a organização secreta que se interpelou entre o recém-formado casal. Costurado por inúmeras seqüenciais de ação, o filme continua a desenvolver a personalidade de James, construindo – pouco a pouco – muitas das características marcantes desta figura icônica na Sétima Arte (vide seu charme/desprendimento com relação às mulheres).

Dirigido por Marc Forster, o mesmo de “A Última Ceia”, a vigésima segunda fita de James Bond ganha em movimentação, mas perde em dramaturgia se compararmos com a excelente ressurreição em “Royale”. Cuja mistura era melhor equilibrada. Inusitadamente, Marc, costumeiramente afeito a obras de profundo valor sentimental, preferiu caprichar no espetáculo em detrimento ao drama intimista, outrora, tão presentes em sua elogiável filmografia. Acelerando o ritmo da câmera no intento de fotografar seqüencialmente cenas e mais cenas de tiroteios e/ou perseguições – sempre mostradas com muita adrenalina. Claramente inspirados pelas vertiginosas peripécias de outro importante espião do cinema recente, Jason Bourne, “Quantum of Solace” apresenta o mesmo tipo de sinergia crua e violenta que encontramos na “contraparte genérica” (aka modernosa) estrelada por Matt Damon (passagens como a excelente luta nos telhados parecem ripadas sintomaticamente da trilogia Bourne). Assumindo, assim, um realismo cinematográfico que destoa completamente das proezas inverossímeis dos antigos Bonds (como Sean Connery e/ou Pierce Brosnan).

Craig, inclusive, colabora demasiadamente neste quesito. Valorizando uma interpretação seca que só demonstra a absoluta frieza do agente 007 – correspondente ao cinismo dos novos tempos – aqui, transformado numa perfeita máquina de matar calculista e virtualmente inabalável. Seguindo incansavelmente suas missões mesmo quando elas contrariam as diretivas do MI6, o famoso serviço secreto britânico. Encabeçada por M, novamente vivida pela dama Judi Dench, a agência segue as modernizações explícitas em seu revivido 00 (ou seja, com “licença para matar”), adquirindo equipamentos Hi-Tec e uma relação mais “desconfiada” com relação aos métodos e atitudes do atualizado Bond. Entrecortando imagens “desconexas” (ilustrativas e pautando certos ritmos que auxiliam muito a edição frenética), Forster acrescenta estilo ao pacote, miscigenando lirismos/abordagens extremamente brutais (a vigília escondida durante um espetáculo é bastante representativa neste sentido), mostrando uma inteligência impulsionada pela suntuosa testosterona.

Distinções quase inseparáveis no protagonista título – doravante ele estar a serviço (da Rainha) e de uma trama pouco empolgante. Com um vilão (Mathieu Amalric) nada impactante (no final das contas, revelando-se um mero lacaio) e uma Bond girl (Olga Kurylenco) meramente passável no âmbito de sua caracterização extremamente clichê (mesmo que a atriz seja, obrigatoriamente, bem bonita) – apoios tacanhos as (já paliativas) políticas internacionais co-relacionadas pelo enredo. Este, colocando Bond numa jornada mundial que atravessa 6 países (um recorde dentro da cinesérie), numa tentativa desesperada para desmascarar os negócios escusos envolvidos na disputa “ilegal” de “certo” bem natural – extremamente – precioso no século XXI. Elemento que ratifica a mudança de prumo adotada pelos produtores, cada vez mais, interessados em repaginar a “imortal” criação de Ian Fleming – em direção ao futuro.

Deixe um comentário

Arquivado em Críticas

Matéria de Cinema – 007 nos contornos de um ‘Quantum of Solace’

FILME: 007 – Quantum of Solace (Quantum of Solace) EUA, 2008 – Ação – 106 min. Matéria de Carlos Campos para o “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

A série 007 vem passando por uma reformulação profunda. Repaginado para o século XXI, este popular agente secreto britânico tenta tomar fôlego para continuar sua longa jornada de 22 filmes e 46 anos de carreira – a começar pela contratação de um novo interprete para o personagem. “Já no primeiro teste de câmera que Daniel [Craig] fez para nós, tivemos a certeza de que ele seria um grande Bond. Para começar, era bonito, bastante másculo e se mantém numa excelente forma física – todos os pré-requisitos para o papel. Além disso, é um ótimo ator. E isso é o que realmente importa, tivemos muita sorte dele ter se visto nele e se mostrar disposto a aceitá-lo”, comentam Michael G. Wilson e Barbara Broccoli, produtores-executivos e tutores do longilíneo franchise, propositadamente, “reiniciado” no longa-metragem “Cassino Royale” (2006).

“Nós já inserimos referências a um capítulo em outro, mas desta vez, isso parecia ser uma coisa natural, uma vez que – tantas – questões ficaram sem resposta no final de ‘007 Cassino Royale’. E achamos que nosso público ficará interessado em obtê-las”, explicam Wilson e Broccoli, dando gancho ao mote de “Quantum of Solace”, que ganha uma trama co-relacionada diretamente com a película anterior, feito inédito no vasto currículo 007. “Paira uma grande expectativa sobre os nossos ombros desta vez, o que pode ser uma faca de dois gumes. Todos sempre comentam o fato de ‘Royale’ ter sido uma inovação com relação à filmografia de Bond, e este ‘Solace’ precisa inovar mais uma vez. Contratamos os maiores artistas que pudemos para fazermos o melhor filme Bond possível”, diz Graig, ciente dos desafios (aka cobranças) em tal empreitada.

Para tanto, foi contratado Marc Forster, um diretor experimentado e alternativo. Ou seja, alguém adequado para continuar este processo (citado acima) de mudanças e/ou atualizações. “Para mim, foi uma decisão bem difícil fazer um filme deste quilate, por se tratar de algo tão diferente de tudo o que fiz antes. Quando você dirige um ‘Bond’, vai fazer uma película dentro de certos parâmetros pré-estabelecidos. Há diversos aspectos num 007 que não podem faltar: Bond, as mulheres, os carrões… Contudo, fiquei empolgado com a chance de encontrar um modo criativo de contar essa história dentro desses parâmetros – eu sabia que seria um grande desafio. Foi exatamente esse desafio que me atraiu”, explica o autor de “A Última Ceia” – costumeiramente lembrando por mesclar experiências visuais com trabalhos de fortes nuanças psicológicas. “Muitos dos meus projetos anteriores apresentavam figuras emocionalmente reprimidas. Quando você analisa pessoas que não conseguem exprimir o que sentem, elas são emocionalmente deficientes. Eu me interesso por personagens assim, porque se trata de uma doença comum na humanidade. No final das contas, se você consegue abrir seu coração para o mundo, você se torna uma pessoa mais sensível e consciente. Bond é o perfeito exemplo disso. Ele ainda não sabia, de fato, o que era amar até conhecer Vesper (em ‘Cassino Royale’) e isso lhe foi tirado. Julgando ter sido traído, James fica um tanto desorientado e se torna incapaz de confiar em qualquer pessoa”, filosofa o filmmaker.

“Bond foi profundamente magoado em ‘Royale’. Ele precisava superar a experiência traumática que teve com Vésper, reconhecendo que não pode abandonar o serviço secreto nem encontrar o amor no sentido normal da palavra, formando uma família nem nada parecido. Ele está preso ao seu trabalho e seu mundo é perigoso e violento demais para ser compartilhado. Bond não quer estar vulnerável a chantagens nem quer pôr outras pessoas sob esse risco”, acrescenta a dupla Michael/Barbara, fazendo coro ao discurso de Marc: “O tema central que permeiaSolace’ é a confiança. A confiança pode assumir inúmeras formas diferentes. Em quem nós realmente confiamos? Você confia em si mesmo? Todas as pessoas têm questões relacionadas à confiança, pois em algum momento da vida, todos nós já fomos traídos”, complementa. Tematizações estas, que se aplicam ao curioso – e complicado – nome adotado pelos produtores: “O título veio originalmente de um conto de Ian Fleming (o criador de 007) e significava, naquele contexto,  um relacionamento que não podia ser recuperado, a menos que haja uma ‘Quantum of Solace’ entre ambas as partes. ‘Quantum’ significa ‘uma grande quantidade’ e ‘Solace’ significa ‘consolo’ ou ‘conforto’. No nosso caso, ele quer dizer que Bond está procurando uma ‘porção de consolo’ depois de suas desilusões, e ‘Quantum’, por acaso, também é o nome da organização criminosa do filme”, explanam ambos, em uníssono.

E falando em criminosos, obviamente, 007 luta contra bandidos igualmente contemporâneos. “Infelizmente, hoje em dia, é bem mais difícil identificarmos quem são os vilões nas nossas vidas, e é exatamente isso que estamos buscando mostrar”, esclarece Mathieu Amalric, escalado para viver o arquiinimigo da vez. “Além disso, eu gosto da aversão por sangue de meu personagem. A violência é abstrata e isso também tem a ver com o mundo de hoje, onde se pode fazer tudo por intermédio dos computadores. Desde ‘007 Cassino Royale’, os responsáveis mudaram um pouco a textura desses filmes, procurando algo que tenha mais relação com os tempos atuais e representem melhor a realidade em que vivemos”, relata Amalric, obviamente feliz com os aspectos vanguardistas do produto. “Eu achava que os primeiros episódios dos anos 60 (com Sean Connery no papel de Bond) estavam à frente do seu tempo em termos de visual, e isso me serviu de inspiração. Assim, percebi que havia espaço para se criar um novo estilo para a franquia”, exalta Forster, unindo raízes clássicas & modernas.

“O próprio MI6 se sofisticou substancialmente. Tudo o que preciso dizer é que não creio que o MI6 disponha de recursos para se transformar em nosso MI6. Duvido que eles tenham condições para fazer isso. É algo sensacional, nem usamos mais telefones”, incrementa Judi Dench, regressando (novamente) no papel de ‘M’, a matriarca dos agentes com “liberdade para matar”. Todavia, estas situações técnicas já eram esperadas. “Um filme de Bond é uma gigantesca peça de maquinaria que, para ser posta em funcionamento, requer um empenho extraordinário”, antepara Graig, já se acostumando aos – fortuitos – desígnios enquanto “astro da companhia”: “São tantas as variáveis num filme como este. De certa maneira, tudo ainda é novidade pra mim, mas você precisa agir com segurança e tentar conseguir o maior tempo possível para ensaiar/treinar. Com isso, esperamos agregar ainda mais valor ao resultado final”, entrega Daniel.

“Pensar em dirigir um longa de ação foi muito mais assustador do que, de fato, dirigi-lo. Nestas super produções, você conta com um excelente sistema de apoio e uma equipe com bastante experiência no gênero. Planejar e escrever um trama recheada de ação é mais difícil do que filmá-lo, de fato. O segredo desta aventura está na sua narrativa, porque filmar cenas de ação pela ação (em si) é desinteressante – além de não contribui em nada”, especifica Forster, assumindo completamente a cadeira de direção deste importante 007, uma realização que se destaca até pelo recorde de locações – internacionais – utilizadas num único “Bond Movie” (no total, 7 países foram visitados durante as gravações de “Quantum of Solace”). “Lugares exóticos são uma marca registrada na cinematografia de James Bond. Elas são cruciais no sentido de ajudar a transportar o público para um mundo diferente. Nós também precisávamos encontrar locações que refletissem o estado psicológico do protagonista. Por exemplo, um dos motivos que me fez escolher o deserto foi porque representa a solidão e o isolamento – figurativos ao estado de espírito de Bond”, recorda o cineasta, para a satisfação de seu comandado: “Estou incrivelmente excitado com o que fizemos – e impressionado com o volume de realizações que conseguimos. Usamos diversas locações e o filme tem um visual deslumbrante. Acho que criamos algo realmente especial. Ou melhor: sei que criamos algo realmente especial”, atiça Daniel Graig – vulgo James, James Bond, lógico.

Fonte: Sony Pictures

Deixe um comentário

Arquivado em Matérias