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Sessão de DVD’s – Trapalhadas numa ‘guerra nas estrelas’, cacildes!

FILME: Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (Idem) Brasil, 1978 – Comédia – 89 min. Resenha de Carlos Campos para o “Claquete Virtual”.

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“Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante…”, os ecléticos Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, auxiliavam o príncipe Flick a salvar um exótico – e comicamente disco – mundo alienígena de mesmo nome – em “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” de 1878, disponibilizado recentemente em DVD como parte do pacote de novidades que resgata a cinematografia completa do grupo. Parodiando “Star Wars”, este filme foi o primeiro a ter o quarteto, apesar de ser o décimo terceiro longa da popular franquia capitaneada por Renato Aragão nos cinemas brasileiros. Além de apresentar uma sátira “simultânea” ao fenômeno Jedi de forma risonhamente kitsch (até mesmo para os padrões “setentistas” da época).

Alavancado por uma trama reducionista (inteiramente descrita acima), a citada obra consegue transportar os adoráveis heróis trapalhões (depois de uma inusitada perseguição de 14 minutos) para uma campanha “épica” noutro mundo, no intuito de salvar os habitantes locais do tirano com roupa de Darth Vader (apelidado de Zuco) e, lógico, resgatar a princesa raptada pelos agentes do “Lado Negro”. Embalado por músicas e sons bizarramente eletrônicos, de doer os ouvidos com suas herméticas – cafonas – batidinhas anos 70, “Guerra dos Planetas” se caracteriza por uma seqüência interminável de lutas pastelônicas, com replays dos melhores momentos e câmera lenta para ressaltar as “rasteiras” que sobram nestes atrapalhados confrontos. Pouco resta, portanto, para a trama infantilmente genérica – relegada diante da muvuca de pontapés – aka humor vigorosamente involuntário – que impera neste completo “circo” cósmico.

Em termos cinematográficos, o produto falha feio nas brincadeiras sem-graça sobre “Guerra nas Estrelas”, elaborando co-relações pouco condizentes e/ou inspiradas pelas artimanhas de Luke e Cia, relegando tal “homenagem galhofa” para as aparições pontuais de certos personagens/locais. Que tentam nos remeter aos similares (vulgo originais) encontrados no “Episódio IV”, tipo o Chewbacca mal encarado (que chega a tragar um “cigarrinho” após dar “conta” de um bando inimigo) e algumas dunas/cantinas espalhadas pelo caminho “sintético”. Gravado em vídeo e transferido posteriormente para película, a fita abusa dos (de)efeitos eletrônicos, usando o Chroma Key pros ambientes mais extraterrenos e naves espaciais de brinquedo – pouco articuladas – durante as precárias viagens interplanetárias. Visualmente desestimulante, a peça parece jurássica se compararmos (sobretudo) com a primazia técnica da space opera dirigida por George Lucas (em 1977), revelando um envelhecimento precoce que se acelera rapidamente através do enredo limitado, cheio de nonsenses e estereótipos da medonha ficção científica gonzo comum ao período – marcado pelas luzes de neon (tão cintilantes nas típicas cenografias de alumínio).

Enfraquecido pelas esquisitices da narrativa criada pelo cineasta Adriano Stuart, “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” se sobressai somente quanto ao teor politicamente incorreto de algumas gags. Inferior aos diversos mega-sucessos estrelados pelos “Trapalhões”, o título comunga de suas “inapropriadas” piadas (desenvolvidas desde o debute do humorístico homônimo na TV), vide a cena dos “prisioneiros de guerra” sendo bem “sacaneados” pela trupe de Renato. Atazanando os “indefesos” bandidos com uma “tiração de sarro” completamente ofensiva aos “bons costumes” atuais… Elementos que, independente das bobagens correspondentes, lhe valeram uma bilheteria estimada de 5.089.869 expectadores no Brasil. Um valor excepcional, principalmente, em se tratando de uma comédia/sci-fi beligerantemente “B”. No pior dos sentidos, claro.

Extras

Fora a “versão” do próprio filme “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” em mp4, nenhum “material adicional” foi anexado ao paupérrimo pacote.

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Exposição Star Wars (Brasil – Bienal)

Coluna ESPECIAL Take 327: Exposição Star Wars (Brasil – Bienal)”. Coluna de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Levei uma hora e meia de busão São José dos Campos-Sampa, mais 10 minutos de metrô – uma paradinha para o almoço leve – e outros tantos segundos infindáveis de táxi. Até chegar (finalmente) ao “grande evento”. Na porta dele, óbvio, um vigilante Stormtrooper apontava seu blaster contra os visitantes, “armados” de celulares e potentes máquinas fotográficas – a multidão agromerada assistia a (insólita) cena com absoluta curiosidade, também pudera, não é sempre que vemos um “soldado de elite” do “Império” na entrada do Ibirapuera. Essa – calorosa – recepção apenas se fazia como (ligeira) solenidade – a aventura em si começava da porta pra dentro, liberando o pobre “soldado” para ir ao banheiro (sério!). Mesmo fervendo num sábado gostoso e propício para passeios, a fila para o ingresso andava fácil-fácil, encurtando a expectativa dos redundantes amantes de Star Wars, ávidos em desfrutar da “Exposição Oficial Brasil”, uma mostra muito esperada, com a promessa de centenas de itens originais, e outras tantas curiosidades que fizeram (uma boa parte) da importante história deste grande-apaixonante “clássico” da Sétima Arte.

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Deixar 30 pilas na bilheteria parecia salgado. Até porque, (de cara) uma lojinha de vil bugigangas já fazia o bolso de qualquer geek “coçar” de curiosidade consumista. Passei batido para não ter que perder os rendimentos de dois anos e meio, melhor nem entrar num lugaresco desses, concluí (muito) precavido. Ao lado, um telão apresentava a presente empreitada pros brasileiros, com música tema de John Willians e caracteres estilo abertura de Guerra nas Estrelas – pensados para entrarmos no clima. Caso a taquicardia permanecesse baixa, uma surpresa elevava os batimentos cardíacos dos transeuntes de segundo nível, R2-D2 postava-se à frente, na cabeceira da Jedi Starfighter utilizada por Anakin Skywalker no “Episódio III”. O símbolo de uma geração de Jedimaníacos fazia as honras da casa, apropriadamente, afinal de contas, quem não adora o simpático R2, ein? Partindo dele, prosseguia um corredor recheado de ilustrações e informativos sobre o riquíssimo universo criado por George Lucas em 1977. Imediatamente, era possível notar os magnânimos traços característicos de Ralph McQuarrie, o principal ilustrador da antiga/sagrada trilogia e de Doug Chiang, assumindo posteriormente-simbolicamente o “cargo” nas respectivas três películas contemporâneas). Haja coração, meus caros jedimaníacos!

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Bifurcados nesta muvuca sci-fi/fantasy, grupos de admiradores – devidamente fantasiados/caracterizados – cruzavam os salões, espaçosos e comportando (bem) a quantidade imensa – só que controlada – de pedestres. Caminhando alguns metros, o primeiro salão (de muitos) se abria para mostrar o grosso das peças trazidas pela Lucasfilm. Antes de notarmos (emocionados) qualquer uma delas, uma pequena frustração se evidenciava (como alertado pelos caras que fizeram este – mesmíssimo – percurso, anteriormente), a baixa iluminação do local – e os vidros protetores reflexivos – (quase) impossibilitava tirar fotos descentes – e nítidas – de tudo. Um pecado. Isso sem contar a falta de pilhas decentes na humilde “máquina digital” emprestada, uma desgraça corrigida pela venda das mesmas na lojinha mais próxima – já citada acima (algo me diz que os organizadores faturaram muito com esta “sacada”, duvido ter sido o único a ter tido esse tipo de problema emergencial). Se conseguir uma foto que mostrasse as figuras (em meio ao breu) sem estragar a imagem (borrada pelas fortes luzes de neon) constituía-se em um desafio – somente – sanado pelos dotados da “Força”, as andanças entre os duros pedestais brindados compensavam (tamanho) infortúnio. Rapidamente, eu acrescentaria. A questão, então, era aproveitar e não perder nenhum destes – inúmeros – mimos. Imperdíveis, sobretudo, para aqueles que já gostam do assunto. Em qualquer nível de fanatismo.

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O público parecia enfeitiçado, perdido alegremente no meio de tantos bonecos, vídeos e desenhos estampados. Tudo parecia pedir nossa atenção, limitada e incapaz de dar atenção a tudo, simultaneamente, como gostaríamos. Dava (até) para se perder indo/vindo depressa demais. Cuidadosamente, correndo cada milímetro de chão, fui sendo arrastado para os bastidores da comentada Space opera, olhando maquetes, naves, alienígenas e figuras super conhecidas. Chewbacca estava lá, ao lado de Han. Inseparáveis, de fato. Pequeninos Droids da Federação eram rodeados por crianças de idades variadas. Um Clone Trooper era admirado por uma inocente menininha: “Que robozinho bunitinho” ela dizia, para gargalhada dos pais – e ouvintes atentos. Em tamanho natural, alguns veículos se espalhavam pelos becos, implorando para invadirmos o – lacrado – recinto (desativarmos o sistema de segurança) e sentarmos nestes cockpits tentadores e proibidos. Outros motivos para pequenos delitos eram as inúmeras TIE Fighters e X-Wings (na verdade em seus modelos diferentes, como a lúdica TIE Bomber), lindas de morrer e infinitamente melhores (claro) do que as cópias de brinquedo que meus amigos de infância guardavam rigidamente – sem me deixar tocá-los. Imaginem então, o desespero que era ver a Millenium Falcon, lá paradinha, a poucos centímetros de nerdistas enlouquecidos com a complexidade de suas linhas/detalhes. Alguns deles ofereceriam órgãos vitais em troca dela, pra babarem novamente no conforto de casa, eternamente. Ou (no mínimo) trocariam um pulmão pelo conjunto AT-AT + Star Destroyer, carregando uma carga imensa de saudosismo em seus estandes particulares.

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Nos vários manequins, notadamente, dezenas de (belíssimas) roupas da rainha/senadora Amídala espalhavam-se pelos lados opostos de uma longa parede, antes disso, um – singelo – figurino da Princesa Léia contrastava com a fartura (absurda) de vestimentas criadas para sua “mãe” nos filmes mais recentes da saga. Nesse âmbito, a cada quadro, monitores mostravam seqüências referenciais e painéis ilustrativos – despejando incontáveis “desenhos conceituais”, para delírio dos fanáticos por livros estilo “Art of Episode I”. Juntavam-se aos uniformes principais, outros tantos (ditos) secundários, como o famoso “piloto rebelde” e ademais tipos de Troopers. Contudo, dentre eles, indubitavelmente, destacava-se bastante a viceral – fenomenal – armadura Mandaloriana (!!!) de Boba Fett – imponente enquanto Bounty Hunter – extremamente detalhada. Perdendo apenas para o brilho emanado por C3-P0, tão querido quanto sua pequena “contraparte” astromecânica. Colocado despojadamente ao lado do parceiro – e quase soltando falas “Oh my…”, Threepio era extremamente assediado – com justiça – pelos marmanjos (aka babões veteranos), além de fazer a contagiante alegria da criançada…

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Indo para a saída, uma fila enorme se formava para as aulas Jedi, permitidas – somente – para jovens Padawans (druga…), conduzindo os frustrados aspirantes do Templo para a masmorra secreta e detentora de Darth Vader – requisitadíssimo pelos fotógrafos e seguidores do Lado Negro – engraçado que, cruzando o salão, na outra ponta, um Yoda holográfico parecia contrapor o maligno Lord. Aparecendo para nosotros como a fantasmagórica forma espírita vista no final de “Retorno de Jedi”. Entre eles, no meio das instalações, um arsenal de armas (e sabres!) parecia pedir por uns tiroteios temáticos de Paint Ball, com as bases marcadas pelos representantes do Bem X Mal. Antes de deixar o prédio, era obrigatório (re)repassar e olhar – novamente – cada lapidar elemento deixado pra trás. Ok. Faltaram algumas coisas (cadê a Estrela da Morte???), todavia, a experiência fora ótima, posso dizer, para cada um dos agraciados fãs que estiveram andando pela – inusitada – Bienal. Ver de perto estes caríssimos utensílios, “brinquedinhos” conhecidos das grandes telas e importantíssimos na consolidação de “Star Wars” no seio da cultura mundial, valeu tanto quanto uma sessão única destes longas, os mesmos, absolvendo cinéfilos para dentro da tal “galáxia muito, muito distante” – um mundo longínquo que (momentaneamente) ficou pertinho (como nunca) dos gratos participantes deste fascinante “museu” cinematográfico (e itinerante).

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Que a força esteja com vocês, hoje e sempre!

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Os dois primeiros episódios da série animada “Star Wars – The Clone Wars”: “Ambush” e “Rising Malevolence”

SERIADO: Star Wars – The Clone Wars (Star Wars – The Clone Wars) EUA, 2008 – Animação/Fantasia/Ficção Científica – aprox. 22 min cada. Crítica de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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As Guerras Clônicas recomeçaram! Ao menos para os expectadores da Cartoon Network norte-americana… “The Clone Wars”, o mais novo produto ligado a marca “Star Wars”, estreou no hemisfério norte com a exibição – especial – dos dois primeiros episódios, “Ambush” e “Rising Malevolence”, em continuidade ao recente filme animado – lançado nos cinemas e disponível em DVD no início de novembro. Contudo, apesar da atração estar programada para chegar ao Brasil apensas em 2009, jedimaníacos brazucas poderão curtí-la sem ter que pestanejar por tantos meses, uma vez que os capítulos estarão disponíveis para compra on-line no iTunes, logo depois da pronta exibição nas telinhas gringas. Ou seja, as duas primeiras partes da “temporada” já estão acessíveis para download. Assim sendo, vamos conferir se o desenho consegue, enfim, honrar a tradição de “Guerra nas Estrelas” ou aumentar (ainda mais) o descontentamento dos fãs desgostosos com os rumos dados pelo criador (e aqui, produtor-executivo) George Lucas para a tal “galáxia muito, muito distante”.

Diferente da chiadeira provocada pelo longa homônimo, “Clone Wars” se torna especialmente agradável de se ver na telinha – até pelos mesmos motivos que alavancaram as críticas durante o lançamento cinematográfico. O título foi planejado para a TV e sua rápida passagem pelos cinemas escancarava justamente esta lamentável “falha comercial” – que obviamente não tem qualquer importância agora que a produção encontra-se em seu verdadeiro “formato”. Extremamente bonito, o (agora) écran televisivo – digitalmente preenchido pelo 3D – proporciona um espetáculo visual vistoso e muito superior aos concorrentes no mercado, frutos da competência técnica da Lucasfilm Animation, empresa criada especialmente para o desenvolvimento deste projeto “independente” (bancado integralmente pelo bolso de Mr. Lucas). Num ritmo bastante dinâmico, cada (curto) episódio despeja muito da conhecida fórmula aventureira das antigas “Matinês de Sábado” (os “precursores” dos seriados atuais, que inspiraram “Star Wars” até mesmo nas estranhas locuções que abrem cada sessão de “Clone Wars”). Tudo resumido em capítulos semanais de menos de meia-hora, sem qualquer embromação (e privilegiando a ação, portanto).

Em “Ambush”, o 1º episódio, Mestre Yoda precisa lutar contra Asajj Ventress e suas forças separatistas para garantir certo acordo estratégico com um dos planetas que (até então) se mantiveram neutros no conflito galáctico. Visitando uma linda Lua tomada por florestas de corais, o general Jedi – acompanhado de seus soldados clones – precisa provar porque é o membro mais forte e respeitado na Ordem, enfrentando todos os desafios que lhe são colocados, com valente galhardia. Centrado em Yoda, essa “abertura” mostra muito do potencial de “Clone Wars” dentro das possibilidades abertas pelo “Universo Expandido”, contudo, pena que sua “Força” motriz se relativiza pelo excessivo tom humorístico conferido aos patéticos dróids da Federação de Comércio – abobalhados até nos momentos onde poderiam se tornar uma real ameaça.

Já em “Rising Malevalonce“, o 2º episódio, os andróides “do mal” estão menos “engraçadinhos”, assumindo o teor sério/sombrio do capítulo, que coloca os sobreviventes da – destroçada – fragata comandada pelo Mestre Plo Koon a deriva numa cápsula salva-vidas – e a espera de um improvável resgate, este, impossibilitado pela mesma “ameaça” que quase os destruiu. Com Anakin e sua Padawan, Ahsoka, voltando ao foco principal, “Malevalonce” também apresenta Grievous (de “A Vingança dos Sith”) no bojo desta “Guerras” em computação gráfica. Além de inventar uma “poderosa arma secreta” pros vilões comandados por Conde Dookan, algo que deverá ecoar por ademais desdobramentos, dando continuidade ao desfecho deste aparente arco introdutório.

Interessantes e bem realizados, ambos, “Ambush” e “Rising Malevalence” são suficientemente capazes de despertar o interesse dos telespectadores – isso, sem precisar tirar qualquer “super trunfo” da carteira ou entregar o jogo. Quase como se avisassem: “o melhor ainda está por vir”. Superiores (mesmo que levemente) ao longa-metragem que os precede, o derivado televisivo, por enquanto, passa longe das bobagens “Jar-Jar-Binkianas” e ganha (inclusive) fôlego para atrair um público mais velho do que apontado pelo seu (aparente) direcionamento infanto-juvenil. Resta torcermos para que os vindouros episódios possam (ao menos) sustentar esse ritmo e/ou (quem sabe) aprimorá-lo – gradativamente – até o ranking Jedi de qualidade.

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Redesenhando uma guerra interestelar

FILME: Star Wars – The Clone Wars (Star Wars – The Clone Wars) EUA, 2008 – Animação/Fantasia/Ficção Científica – 98 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Existe um histórico (completo) de animações ligadas à marca “Star Wars”. Voltando ao princípio, a primeiríssima experiência ocorrera no – fatídico – “Especial de Natal” de 1978, abominado – até hoje – pelos jedimaníacos xiitas. Entretanto, em meio às bobagens da festança natalina filmada na “galáxia muito, muito distante”, uma inserção animada fisgaria o público rapidamente, reapresentando a Space opera num escopo “ligeiramente” divergente dos longas originais. Anos depois, os droids C3-PO e R2-D2 protagonizaram seu apropriado desenho animado, assim como os Ewoks, dividindo o “infantil” com os tele-filmes estrelados por eles. Contudo, só recentemente os Jedis deslancharam nesta área. Alavancados por “Clone Wars”, que levava às telinhas – justamente – o importantíssimo e icônico evento título. Bem-sucedida, esta premiada obra chamou a atenção dos produtores, que resolveram continuar investindo no ramo, revitalizando as “Guerras Clônicas” para advindas temporadas. Lapidadas “caseiramente” pela recém-criada Lucasfilm Animation.

Só que apostando na computação gráfica para elaborar uma experiência – absolutamente – distinta das empreitadas prévias. “Desde o início, queríamos usar CG de modo como nunca fora usada anteriormente. Acho que acabamos fazendo algo muito diferente e inovador”, conta George Lucas, criador de “Star Wars” e produtor-executivo deste vindouro derivado animado. “Não queríamos um realismo fotográfico”, delimita o famoso cineasta. “Pretendíamos explorar todo o potencial deste novo formato” empolga-se o veterano realizador (e ex-dono da elogiada Pixar Animation). Isso, sem desconsiderar os padrões obtidos na curta produção homônima – exibida pela Cartoon Network de 2003 a 2005. “Gostamos do aspecto geral da micro-série”, lembra Catherine Winder, produtora do presente longa-metragem. “Contudo, queríamos levar aquilo adiante, fazer outro totalmente diverso”, ela prossegue. “Assim, incorporamos aqueles detalhes estilísticos a um conjunto maior de profundidade, aparência física e alcance – bem – diferente. Evoluindo até chegar ao visual definitivo deste produto”, completa a produtora.

“O primeiro passo pra levar ‘The Clone Wars’ às telas (grandes ou pequenas) foi encontrar o tom adequado, todavia, sabíamos que seria preciso fazer uma coisa acima de tudo: um ‘Star Wars’”, acrescenta Dave Filoni, encarregado de dirigir o capítulo. “Era importante manter essa integridade, sermos fieis – em respeito a tudo o que George criou, entretanto, nosso objetivo era produzir um filme diferente do encontrado nos atuais desenhos”, diz o filmmaker, que continua: “Isso é mais fácil de falar do que fazer, e levamos bastante tempo para calcular exatamente a elaboração do clima, do estilo e das sensações de um ‘Wars’ em animação”, confessa. “Neste ‘Clone Wars’, todos os personagens e cenários parecem ter sido pintados, o que dá ao projeto um aspecto que o distingue dos demais. Também buscamos algumas referências nos mangás & animês, extraindo uma iluminação dramática e um enquadramento agressivo”, sintetiza Lucas. “Igualmente nos inspiramos no ‘Thunderbirds’ de Gerry Anderson, rodado nos anos 1960, usando marionetes. Tem a ver com o estabelecimento da identidade visual, mais ou menos quando um pintor usa de diversas técnicas pra desenvolver múltiplos conceitos… George queria que os personagens tivessem vida própria – descolados dos atores que os interpretaram nas películas. De modo que não fossem uma (simples) reprodução de seus pares. Então, usamos ferramentas para obter um realismo estilizado”, pondera Filoni.

“No final, acho que criamos uma peça incomum, diversificada de qualquer outra animação no mercado”, sentencia o barbudo – e grisalho – idealizador da saga, lançada nos cinemas em 1977, época onde “Episódio IV” debutava quase despretensiosamente – quebrando recordes e introduzindo um fenômeno midiático sem precedentes. Curiosamente, a semente de “The Clone Wars” fora plantada, involuntariamente, nesse exemplar de origem (no famoso diálogo do Mestre Jedi relatando pra Luke que ele mesmo, Obi-Wan, havia lutado no intergalático confronto – inclusive – ao lado de Anakin). “Durante décadas, as pessoas imaginavam o que seriam as ‘Guerras Clônicas’ com base apenas nesta citação”, recorda Dave. “Todavia, os filmes principais eram – de fato – centrados demais na família Skywalker, por isso nunca chegamos a ver a real amplitude do comentado conflito”, reitera o animador-chefe, para então observar: “Um detalhe sempre me surpreendia, a quantidade de possibilidades abertas neste período, aparentemente, tão curto na cronologia da cinesaga – os três anos que separam os Episódios II & III”, conta, pasmo com tamanha complexidade temática. “A idéia de fazer uma versão em animação tridimensional destas ‘Guerras’ me fascinava, pois nos permitiria contar outras narrativas e apresentar personagens inéditos. Isto propiciou aumentar o – gigantesco – leque de opções de ‘Star Wars’”, comemora o fundador da poderosa “Força”, em pessoa.

“Tudo faz parte do enredo que conhecemos, mas que permanecia nos bastidores, até agora. Sabemos o que ocorre na galáxia, mas não sabemos exatamente o que acontece. Contamos as histórias por trás da história”, exemplifica o idealizador de sucessos como Indiana Jones. “Fomos para lugares aonde nunca imaginei que iríamos”, entrega seu “pupilo”, carregando as rédeas desta “sagrada” fantasia (ou ficção científica) nos meandros dos desenhos animados. “Sonho com ‘Star Wars’ desde que era criança, quando brincava disso no quintal, com meu irmão. Na verdade, trabalhar neste mundo, que tanto amo, é muito mais do que eu poderia imaginar. Vendo do ponto de vista do fã, tenho total consciência de como é importante fazê-lo direito”, pondera Filoni. “Temos novas figuras, novos planetas, novíssimos veículos, batalhas e tramas fresquinhas. É realmente um tipo de ‘Star Wars’ como nunca vimos – sob todos os aspectos”, ele reitera, degustando da “moderna novidade”, que logo será sucedida pelo futuro seriado “Clone Wars”, dando seqüência ao esperado longa – este, pautado na velha química tão apreciada pelos admiradores – tradicionalmente – não por acaso, “há muito tempo atrás”.

Fonte: Warner Bros.

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Revivendo uma lenda do cinema

FILME: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of Crystal Skull) EUA, 2008 – Aventura – 124 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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18 de junho de 2007. Um dia especial para os saudosos fãs de Indiana Jones. A importante data marcou o início das filmagens principais da quarta aventura do herói-arqueólogo. Naquele momento, em pleno deserto (!) do Novo México, Spielberg ligava as câmeras e estourava garrafas de champanhe para brindar o retorno, após uma longa espera de 19 anos, da trupe criativa responsável pela trilogia original. Steven Spielberg, George Lucas e Harrison Ford – o poderoso trio responsável pela marca – reuniram-se novamente para tocar o novíssimo capítulo “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. “Acho que antes de começarmos não percebi a quantidade de pessoas desesperadas por outro filme da série. É uma sensação fantástica”, conta Cate Blanchett, a renomada atriz de “Elizabeth” – e agraciada pelo convidativo papel de “antagonista” neste imponente regresso de Indy.

Uma “volta” que surpreendeu muita gente – inclusive – espantando o próprio Spielberg, até então, crente que a saga havia realmente terminado no take final de “A Última Cruzada” (1989): “Filmei Indiana Jones cavalgando no pôr-do-sol porque achei que isso fechava as cortinas da cinesérie”, relembra. Mas foi o interprete do Dr. Jones que desfez esta impressão do chefe. “Harrison me ligou e disse: ‘Por que não fazemos outro filme desses? Há muitos fãs querendo’”, conta o diretor – que só passou a acreditar na “tentadora proposta” depois da insistência do amigo. “Ele estava obstinado. Ligou para George, que ficou pensando naquilo, e então me ligou e disse: ‘Bem, Steve, o que você quer fazer? Pode ser divertido criar outro filme’. Tive que dar o crédito a Harrison por dar partida a isso e a George por me fazer considerar a possibilidade de, pelo menos, mais uma história”, reconhece o consagrado filmmaker norte-americano.

Porém, antes de partirem para “campo”, o triunvirato fechou um inteligente acordo, só dariam “sinal verde” para o projeto quando cada um deles estivesse – plenamente – satisfeito com o roteiro. Que deveria – necessariamente – honrar os episódios passados. “Todas as tradições de Indiana Jones estão de volta”, proclama Steven. “Temos o mapa, o avião com a pequena linha vermelha mostrando como você está saltando de um lugar para outro do globo – isso é simplesmente parte da atmosfera que passamos muitos anos elaborando”, diz satisfeito. Para alívio dos cinéfilos puristas e amantes de “Caçadores da Arca Perdida”. Entretanto, algumas mudanças foram inseridas nesta passagem de tempo que separou seus criadores – e sua cria – dos longas antigos. “O estilo é o mesmo, o humor também. Tudo parece igual. Mas também pudemos construir em cima dele. As relações que temos no set e aquelas na tela estão mais fortes, melhores e mais divertidas do que nunca”, observa Lucas.

Agora nos anos 50, Indy encontra novos desafios, como a ameaça russa (encabeçada pela figura de Blanchett) e o clima de “perseguições ideológicas”. Isso, sem esconder a idade. “Ele certamente está mais velho, e talvez mais sábio”, brinca Ford, igualmente mais experiente. Mostrando que ainda não perdeu o jeito com o chicote e o chapéu. “Eu não usava o figurino de Indiana Jones havia 18 anos”, nos conta. “Bernie (a figurinista) mandou a roupa original para minha casa, para que eu a experimentasse, querendo ver onde teríamos que aumentar os tamanhos. Eu a coloquei e vestiu como uma luva. Me senti bem confiante e pronto para ir em frente!”, confessa, recriando “o mito” que ajudou a construir. “Pode ser que pessoas da minha idade nunca o tenham visto no cinema, mas Indiana Jones é algo grandioso para nós”, comemora Shia LaBeouf, que no papel de Matt divide as telas com seu ídolo, agindo como “elo” entre expectadores versados neste universo e os novatos no gênero. “É algo grandioso para todas as gerações”, sentencia o jovem ator de “Transformers”.

“Criamos Indiana Jones, mas ele pertence ao mundo. E agora somos os guardiões. Nossa função é exibir uma grande porção não apenas do que Indy significa para o público que cresceu com ele, como também apresentar o personagem àqueles que ainda não o conhecem”, detalha o ganhador do Oscar por “A Lista de Schindler”. Denotando o enorme cuidado para não descaracterizar o trabalho atual nem torná-lo obsoleto. “Conversamos constantemente sobre como devemos trazer de volta pequenas coisas dos títulos anteriores”, acrescenta Kathleen Kennedy, produtora-executiva deste “O Reino da Caveira de Cristal”.

“Um dos desafios que tivemos nesse filme foi ter que reproduzir muitas locações das três primeiras produções”, relembra Frank Marshall, veterano produtor destes longas. Portanto, acostumado às paisagens características da (já) rodada saga. A procura por ambientes condizentes acabou exigindo locais precisos e detalhados cenários em estúdio. Um passeio turístico que envolveu visitas à Universidade de Yale, hangares abandonados e uma densa selva localizada no sudeste Havaiano. “Eu andava por cada um e dizia: ‘Estou no set de um filme do Indiana Jones – como sou sortudo por dirigir outro desses!’”, alegra-se Spielberg – cuja “fama de perfeccionista” sempre fez render cada departamento técnico envolvido na elaboração de suas películas. Principalmente quando se trata das clássicas proezas de “Indiana”, curiosamente, nome emprestado do (então) cachorro de Lucas, o mesmo animal (de estimação) que inspirou George a imaginar o co-piloto alienígena Chewbacca em “Star Wars”. Ou seja, corrigindo, Indy foi criado (na verdade) por um autêntico “quarteto”.

Fonte: Paramount

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Assistindo uma guerra cine-televisiva

FILME: Star Wars – The Clone Wars (Star Wars – The Clone Wars) EUA, 2008 – Animação/Aventura – 98 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Em suma, “The Clone Wars” é um “simples” derivado – televisivo (atentem, eu escrevi: T-E-L-E-V-I-S-I-V-O) – que volta a freqüentar, assim como na antiga série (quase) homônima (exibida entre 2003 e 2005), as tais “Guerras Clônicas” (adaptadas do título), um evento de importância maior no escopo geral da famosa franquia espacial. E que terminou (relativamente) esvaziada entre os (sequer vistos) três anos de luta que separam cronologicamente “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”, os dois últimos longas-metragens desta Space opera. O fato de estar estreando, atipicamente, nas telonas não muda o fato do desenho (em CG) ter sido criado/imaginado pras telinhas, migrando de mídia – só – para aproveitar uma lucrativa oportunidade comercial (enchendo os bolsos já amarrotados de “verdinhas” do criador George Lucas), se tornando uma espécie de Gran Premiére (luxuosa, com direito a “sessão de cinema”) da futura atração. Que deve desembarcar nos canais fechados estadunidenses ainda neste semestre (no Brasil a data permanece indefinida, para desespero dos jedimaníacos verde-amarelos).

Dito isso, “Clone Wars” relembra a velha alegoria do “copo com água pela metade”. Quem enxergar a empreitada pelo viés cinematográfico notará – automaticamente – que o vasilhame está “claramente” metade vazio. Desfalcado de uma trama melhor aprumada (que se limita a narrar/apresentar – unicamente – o novo/velho cenário, sem ademais desdobramentos) e até ressentida de uma qualidade técnica mais apurada, ficando muito abaixo da supremacia tecnológica de uma Pixar, por exemplo. Agora, olhando o produto como a junção dos três primeiros episódios do esperado programa – esmiuçando assim, sua verdadeira essência – a perspectiva muda – drasticamente – para um engradado que está forrado (felizmente) pela metade. No prisma da TV, fica fácil entender a falta de consistência (ou resolução) da trama (dividida, veja só, em três atos!), até porque, ela se desdobrará em inúmeros capítulos posteriores (a previsão inicial é de cem deles), fazendo deste início uma mera (competente) apresentação (formal) do recitado conteúdo – a ser explorado (enfim) durante as vindouras temporadas. Neste certame, os questionamentos de outrora se modificam, vide os aspectos visuais, extremamente atraentes – visualmente falando – pros padrões do gênero televisivo, demonstrando escalas épicas – inéditas – se compararmos com produções de porte similar.

Vale inclusive destacar o fabuloso trabalho cromático, abusando de uma palheta que estimula (fotograficamente) uma sensação “alienígena” para cada meio-ambiente – evitando o uso das “terrenas” cores primárias – em favor de tintas pouco usuais na computação gráfica. Dirigido por Dave Feloni e produzido pelo executivo-supervisor Lucas, a obra faz plena justiça ao tema “Guerra nas Estrelas”, preenchendo o écran com intermináveis cenas de ação – entre droids, veículos, naves, stormtroopers clonados e heróicos Jedi. Tudo, aliás, bem condizente com a proposta da presente película – seguindo de perto as tematizações “sem trégua” da “irmã menor” (desenvolvida por Genndy Tartakovsky através da Cartoon Network). Obviamente, nem seria “Clone Wars” realmente se as batalhas (bem arranjadas) ficassem em segundo plano. O assunto (aqui) são os conflitos galácticos, exclusivamente. Ostentando nesta composição “cinética”, a mesma verborragia aventuresca das saudosas “Matinês de Sábado” – fonte de inspiração (deveras importante) no desenvolvimento de qualquer “Guerra nas Estrelas”.

Por isso mesmo, fugindo do teor sombrio da recente trilogia, a peça (animada) volta “às origens” ligeiramente apaziguada. Visando atingir um público jovem, talvez, mais apegado as piadas pueris – entoadas, principalmente, pelos abobalhados (aka atabalhoados) robôs da Federação – e pela novata Padawan de Anakin (um adendo adolescente tão irritante quanto o irritadiço Skywalker dos filmes). A moçoila é daquelas invenções “Jar-Jar-Binkianas”, como o próprio bebê/filhote Hutt, elementos complementares que podem agradar a criançada e/ou – potencialmente – estragar o dia dos fãs puristas. Afinal de contas, poucos deles irão se sentir a vontade com a (profana) mistura: “gags que envolvem arroto + o ‘Lado Negro’ de inocência”. Independente disso, a animação funciona (principalmente) dentro dos parâmetros do Universo Expandido – o conjunto de exemplares que extrapolam o universo da saga para além dos longas canônicos. Reapresentando figuras mundialmente conhecidas, reintroduzindo-as em um formato diferente (sobretudo o Jabba animado, que ficou surpreendentemente expressivo), aproveitando o ensejo para brincar um pouquinho – igualmente – com os ilustres coadjuvantes “desconhecidos” desta “galáxia, muito, muito distante”. Além de, evidentemente, aumentar – conseqüentemente – a conta corrente do comentado dono da Lucasfilm Animation. Portanto, preparem-se para “sacar” os sabres da carteira, fanboys… Que a Força esteja com vocês!

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Renascendo do sítio arqueológico de Spielberg e Lucas

FILME: “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of Crystal Skull) EUA, 2008 – Aventura – 124 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação19 anos se passaram entre “A Última Cruzada” e este “O Reino da Caveira de Cristal” – na contagem, o quarto longa do arqueólogo-mor mais famoso das escavações cinematográficas. Quase duas décadas separam as duas pontas. O ontem e o agora. Apesar das (óbvias) rugas e fios brancos inexistentes na construção da trilogia original, o triunvirato, Spielberg, Lucas e Ford reuniu-se novamente para (surpreendentemente, até) registrar a proeza de um improvável lapso temporal. O lendário trio regressa retorcendo o tempo para nos mandar novamente para o universo mitológico desenvolvido por eles em “Caçadores da Arca Perdida” – isso, sem que notemos os anos transcorridos desde que o chicote e o chapéu característico surgiram pela primeira (ou seria última?) vez. Numa mágica real (cientificamente conhecida por “exercício estilístico”) que resgata da aposentadoria um dos mais queridos-simbólicos heróis da Sétima Arte.

Filmado como se estivéssemos na década de 80, “Indiana Jones” sustenta a idade avançada sem perder a força extraída de suas aventuras iniciais. Harrison Ford, no alto dos seus respeitabilíssimos 65 anos, reafirma o discurso daqueles que lhe imputam o título de “grande ator norte-americano”. Sem forçar nenhuma barra, esconder a data de nascimento ou pintar os cabelos, Indy demonstra estar em forma. Mantendo o mesmo carisma de sempre. Protagonizando as mesmas inconfundíveis peripécias de antigamente. Num elevado grau de vivacidade, suficientes para lamentarmos a (angustiante) longa espera para vê-lo novamente (em altíssimo nível) nas grandes telas.

Em parte, o sucesso da empreitada se deve a teimosia low-tech do diretor Steven Spielberg, entusiasta dos “tacanhos” mecanismos analógicos usados (principalmente) nos períodos pré-jurássicos da computação gráfica. Sem ceder totalmente ao mundo criado pelas CGs, o cineasta entrega um produto no mesmo patamar visual/técnico de suas três contrapartes oitentistas. Numa ousada homenagem – em tons nostálgicos – capaz de contentar os saudosistas/puristas fãs de Indiana. Inusitadamente, os piores momentos do presente capítulo aparecem (justamente) quando os efeitos especiais (digitais) assumem o lugar da pirotecnia artesanal. A cena “Tarzan” de Shia LaBeouf (fazendo o papel de “ponte” para os “novatos”) balançando-se entre cipós e seres virtuais é vergonhosa de tão maneta, destoando totalmente da proposta permanente (majoritariamente) no restante da película.

Isso não significa, contanto, um descaso às técnicas atuais. Usadas em bom número ao longo do próprio título. Apenas representa um desejo de ver o Dr. Jones protagonizando as mesmas perícias “humanas” já consagradas na história do cinema. Eternamente.

História que ganha novos acordes, se a saga do “pacato” professor sempre buscou inspiração nas matinês aventurescas da década de 30, agora, a inspiração advém dos “filmes B” produzidos nos anos 50. Um período (condizente, aliás, com a data onde o enredo deste “Indiana” se encaixa) marcado por conspirações, segredos e o surgimento de um novíssimo “inimigo”, os cruéis russos (capitaneados pela excelente atriz Cate Blanchett). Elementos aproveitados/necessários para encaixar a trama proposta por George Lucas, (também) teimosamente insistindo num argumento que dificilmente ganharia vida de outra forma (vide as indefinições que atravancaram – anualmente – o projeto, atrasando o desenvolvimento do filme enquanto não houvesse uma aprovação consensual quanto à idéia – envolvendo as tais misteriosas “Caveiras de Cristal” – lançada/bancada pelo bendito criador de “Star Wars”).

Referências clássicas (envolvendo sons, música e fotografia mimetizando adequadamente os episódios passados) finalizam um trabalho atemporal, capaz de brindar o expectador com uma incursão total no material bruto adorado por eles. Ok. As coisas não saíram (totalmente) perfeitas. O “mistério” que move o plot central não empolga como empolgava a busca pela Arca da Aliança (aparecendo de relance, bem no final do prólogo) – as informações “seguindo o tesouro perdido” quase sempre são confusas e contraditórias (alguns erros geográficos – apontados exaustivamente pela mídia – quase acabaram com a “veracidade” desta “fantasia”). Nem a ação mantém sua sabida qualidade numas (poucas) passagens desnecessárias. Mas tudo fica de lado quando sobe o tema imortal (EBA!!!) de John Williams. E Indy aparece para salvar o dia. Novamente. Ao seu melhor estilo. Bem “as antigas”. Né, Spielberg?

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