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Sessão de DVD’s – Trapalhadas numa ‘guerra nas estrelas’, cacildes!

FILME: Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (Idem) Brasil, 1978 – Comédia – 89 min. Resenha de Carlos Campos para o “Claquete Virtual”.

Divulgação

“Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante…”, os ecléticos Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, auxiliavam o príncipe Flick a salvar um exótico – e comicamente disco – mundo alienígena de mesmo nome – em “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” de 1878, disponibilizado recentemente em DVD como parte do pacote de novidades que resgata a cinematografia completa do grupo. Parodiando “Star Wars”, este filme foi o primeiro a ter o quarteto, apesar de ser o décimo terceiro longa da popular franquia capitaneada por Renato Aragão nos cinemas brasileiros. Além de apresentar uma sátira “simultânea” ao fenômeno Jedi de forma risonhamente kitsch (até mesmo para os padrões “setentistas” da época).

Alavancado por uma trama reducionista (inteiramente descrita acima), a citada obra consegue transportar os adoráveis heróis trapalhões (depois de uma inusitada perseguição de 14 minutos) para uma campanha “épica” noutro mundo, no intuito de salvar os habitantes locais do tirano com roupa de Darth Vader (apelidado de Zuco) e, lógico, resgatar a princesa raptada pelos agentes do “Lado Negro”. Embalado por músicas e sons bizarramente eletrônicos, de doer os ouvidos com suas herméticas – cafonas – batidinhas anos 70, “Guerra dos Planetas” se caracteriza por uma seqüência interminável de lutas pastelônicas, com replays dos melhores momentos e câmera lenta para ressaltar as “rasteiras” que sobram nestes atrapalhados confrontos. Pouco resta, portanto, para a trama infantilmente genérica – relegada diante da muvuca de pontapés – aka humor vigorosamente involuntário – que impera neste completo “circo” cósmico.

Em termos cinematográficos, o produto falha feio nas brincadeiras sem-graça sobre “Guerra nas Estrelas”, elaborando co-relações pouco condizentes e/ou inspiradas pelas artimanhas de Luke e Cia, relegando tal “homenagem galhofa” para as aparições pontuais de certos personagens/locais. Que tentam nos remeter aos similares (vulgo originais) encontrados no “Episódio IV”, tipo o Chewbacca mal encarado (que chega a tragar um “cigarrinho” após dar “conta” de um bando inimigo) e algumas dunas/cantinas espalhadas pelo caminho “sintético”. Gravado em vídeo e transferido posteriormente para película, a fita abusa dos (de)efeitos eletrônicos, usando o Chroma Key pros ambientes mais extraterrenos e naves espaciais de brinquedo – pouco articuladas – durante as precárias viagens interplanetárias. Visualmente desestimulante, a peça parece jurássica se compararmos (sobretudo) com a primazia técnica da space opera dirigida por George Lucas (em 1977), revelando um envelhecimento precoce que se acelera rapidamente através do enredo limitado, cheio de nonsenses e estereótipos da medonha ficção científica gonzo comum ao período – marcado pelas luzes de neon (tão cintilantes nas típicas cenografias de alumínio).

Enfraquecido pelas esquisitices da narrativa criada pelo cineasta Adriano Stuart, “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” se sobressai somente quanto ao teor politicamente incorreto de algumas gags. Inferior aos diversos mega-sucessos estrelados pelos “Trapalhões”, o título comunga de suas “inapropriadas” piadas (desenvolvidas desde o debute do humorístico homônimo na TV), vide a cena dos “prisioneiros de guerra” sendo bem “sacaneados” pela trupe de Renato. Atazanando os “indefesos” bandidos com uma “tiração de sarro” completamente ofensiva aos “bons costumes” atuais… Elementos que, independente das bobagens correspondentes, lhe valeram uma bilheteria estimada de 5.089.869 expectadores no Brasil. Um valor excepcional, principalmente, em se tratando de uma comédia/sci-fi beligerantemente “B”. No pior dos sentidos, claro.

Extras

Fora a “versão” do próprio filme “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” em mp4, nenhum “material adicional” foi anexado ao paupérrimo pacote.

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