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Sessão de Cinema – O reinado de Jet Li e Jackie Chan (nas artes marciais…)

FILME: O Reino Proibido (The Forbidden Kingdom) EUA, 2008 – Ação/Aventura/Fantasia/Artes Marciais – 113 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

A proposta de “O Reino Proibido” é deveras simples, reunir – pela primeira vez – Jet Li & Jackie Chan, dois dos principais atores de ação de Hong Kong (o cultuado berço cultural destes caras). Um evento, aliás, há muito esperado pelos seus fãs mais dedicados. Expertamente, o filme começa neste clima, referencialmente propício a celebrações saudosas, prestando inúmeras homenagens aos clássicos do gênero, apresentando ícones como Bruce Lee e Irmãos Shaw através do “pacato” adolescente americano procurando por “relíquias cult” em meios as pilhas de DVDs de uma lojinha chinesa (ou seja, ele próprio representa o público-alvo do filme: jovens fanáticos por estas fitas).

Transportado para a China antiga (alusivamente, como se “entrasse” num destes títulos que tanto admira enquanto cinéfilo), o menino enfrentará a difícil missão (secular) de libertar o Rei Macaco (uma conhecida lenda oriental) e sobrepujar a tirania local. Para tanto, ele receberá a ajuda dos verdadeiros “donos” da empreitada, Chan e Li, interpretando um bêbado imortal  e um monge calado, respectivamente. Lógico que, apesar de ambos fazerem parte do “time de heróis” que salvarão o dia, também seria prudente conseguir um quebra-pau que os colocasse frente a frente. E “O Reino” não perde a oportunidade de confrontar estes dois estilos tão distintos de Kung Fu, felizmente. Fazendo-os batalhar (adivinhem quem ganhou?) e dividir pontapés de forma satisfatória. Entregando um “duelo travestido de sonho consumista” comungado por muita gente.

Otimamente coreografado pelo mestre Yuen Woo-Ping (um autoridade na área, tendo no currículo conjuntos importantes como “Matrix” e “Kill Bill”), as diversas lutas acrobáticas que permeiam o longa são realmente adequadas e empolgantes (sem qualquer sanguinolência), usando constantemente da reconhecida astúcia técnica dos citados protagonistas, estes, proporcionando o show usual de piruetas desconcertantes (executadas precisamente). Suas seqüências, mantendo a tradição, não se limitam a pancadarias generalizadas, muito pelo contrário, parte da graça são os “mini-dramas” que permeiam cada confronto, como a disputa por um bastão ou a necessidade de se “proteger” alguém enquanto dezenas de soldados estão atacando. Acréscimos que sempre redundam em interessantes “micro-passagens” cômicas e/ou sincronismos – cinematograficamente – bem elaborados (aka ensaiados/realizados).

“Manhas” tradicionalmente agradáveis, sobretudo, para os expectadores que idolatram – justamente – este grupo de espetáculo “teatral”. Virtuosamente pirotécnico. E nada mais. “O Reino Proibido” segue (fielmente) a cartilha na hora de aproveitar toda a gama de elementos que compõem este tipo de filmografia, apostando numa fórmula correta e nada excepcional. Deixando claro que todas as atenções se voltam pras atuações físicas da dupla que estrela a película. Dirigido por Rob Minkoff (o autor pouco lembrado de “O Rei Leão”), a empreitada tem um acabamento suntuoso (algo pouco usual dentro da categoria, historicamente mal acostumada com longas-metragens de baixo orçamento…), apresentando um produto extremamente valorizado (70 milhões de investimento) e pensado para seu lançamento nos mercados internacionais.

Uma produção hollywoodiana, resumindo. Pronta para satisfazer os amantes das “artes marciais” que Jackie/Li personificam nos cinemas ocidentais (cujas carreiras nos EUA incluem desde “Máquina Mortífera” a “Kung Fu Panda”). Ao ponto dos parceiros fazerem (aqui) uma participação na verdade dobrada, com Chan e Jet aparecendo (prestem atenção, porque não será difícil reconhecê-los!) em outros dois “secretos” papéis em “O Reino Perdido”. Uma atração que pode nem ser primorosamente perfeita, mas que consegue (bem ou mal) assegurar “o trono” (antes ocupado por Lee) que Jet/Chan – atualmente – compartilham.

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