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FILME: “Invictus” (Invictus) EUA, 2008 – Drama – 134 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2010. Retornando aos cinemas para comemorar 15 anos de vida e a tempo de esquentar os motores para os capítulos subseqüentes fazerem o mesmo, “Toy Story” reaparece nas telas grandes renovado pelo 3D mais moderno, entretanto, mantendo incólume muito do seu irresistível charme de outrora. Quando surgiu apresentando-se (em 1995) como o primeiro longa-metragem de animação feito totalmente em computação gráfica (se desconsiderarmos o caso do brasileiríssimo “Cassiopéia”, claro), criando toda uma indústria (hoje poderosa e lucrativa). E por conseqüência, reafirmando a “marca” da matriarca Disney, cujo “selo de qualidade” estava desgastado após alguns fracassos – além de alavancar a própria Pixar (dona da empreitada) ao patamar de principal produtora da área. Inquestionavelmente, pois ela nunca errou em suas aventuras pela Sétima Arte, permanecendo nos dias de hoje tão criativa e na vanguarda técnica quanto nos primórdios de seu debute cinematográfico. De uma divisão dentro da Lucasfilm, a casa de Woody e Cia. migrou dos premiados curtas de animação dos anos 80 para as telonas em sua vitoriosa fase “mickeymouseana”. Desenvolvendo clássicos instantâneos e de forma sucessiva, como “Procurando Nemo”, “Os Incríveis”, “Carros”, “Wall-E” e “UP”, que conquistaram prestígio e contribuíram bastante para o crescimento exponencial do gênero (característica histórica da empresa). Agora revisitado pela tecnologia tridimensional, o velho “Toy Story” ganha aqui uma nova “dimensão” (me perdoem o trocadilho), capaz de contentar as platéias modernas, num “banho de loja” eficiente tanto para agradar os fãs saudosistas quanto os que nunca assistiram a obra (ao menos, não apropriadamente na “sala escura”). Obra esta, aproveitando sua origem digital para espantosamente garantir uma transição acima do que é possível habitualmente nas películas não filmadas originalmente no formato 3D. Mostrando um pequeno aperitivo do que podemos esperar de “Toy Story 3”, produzido desde o início com os incrementos especiais das tais “três dimensões”. Um benefício ilustrativo mais do que bem-vindo para o espetáculo, mas que curiosamente acaba evidenciando outra peculiaridade desta empreitada “repaginada”: sua inspirada narrativa. Após tanto tempo, a saga dos brinquedos falantes (que tanto encantou o mundo) envelheceu muito bem e consegue esbanjar uma forma invejável, mesmo adquirindo uma séria desvantagem tecnológica comparando-o com os exemplares atuais. Assim, “Toy Story” reaparece relativamente defaso visualmente, apesar do upgrade tridimensional, contudo, isso apenas escancara o design quase imortal do produto e o carisma dos personagens principais (auxiliados pelas vozes famosas de seus interpretes, Tim Alley e Tom Hanks). Demonstrando que o enorme sucesso da Pixar sempre se derivou da força dos roteiros, não (somente) do poder de seus computadores “de ponta” – distinção extremamente visível agora que o foco claramente não é o esmero tecnológico, aqui já bastante “datado”. Lição que seria posteriormente muito bem assimilada pelas produções posteriores, estabelecendo um patamar que todos almejam atingir, todavia, somente alguns poucos conseguem chegar, via de regra. Méritos totais para o diretor John Lasseter, atualmente um dos “cabeças” do próprio conglomerado Disney, que sempre soube segurar – e principalmente soltar – as rédeas de seus comandados, fazendo-os se portarem mais como artistas do que como técnicos especializados em CGI (equívoco comum sob olhares leigos). Adquirindo, justamente, um rigor artístico de profunda raiz independente, mesmo quando a serviço do capitalista “cinemão” comercial hollywoodiano. Conquistando com tal ousadia, bilheterias expressivas sem precisar, porém, sacrificar nenhuma ambição maior ou menosprezar sua natural contribuição cultural. Valores raros de se ver. Principalmente novamente, como neste “aquecimento” para a vindoura maratona de “Storys” pela frente, abrindo espaço para experimentarmos outra vez os mesmos “elementos” antigos e fundamentais para o entendimento (e consagração) dos desenhos animados contemporâneos.

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Exposição Star Wars (Brasil – Bienal)

Coluna ESPECIAL Take 327: Exposição Star Wars (Brasil – Bienal)”. Coluna de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Levei uma hora e meia de busão São José dos Campos-Sampa, mais 10 minutos de metrô – uma paradinha para o almoço leve – e outros tantos segundos infindáveis de táxi. Até chegar (finalmente) ao “grande evento”. Na porta dele, óbvio, um vigilante Stormtrooper apontava seu blaster contra os visitantes, “armados” de celulares e potentes máquinas fotográficas – a multidão agromerada assistia a (insólita) cena com absoluta curiosidade, também pudera, não é sempre que vemos um “soldado de elite” do “Império” na entrada do Ibirapuera. Essa – calorosa – recepção apenas se fazia como (ligeira) solenidade – a aventura em si começava da porta pra dentro, liberando o pobre “soldado” para ir ao banheiro (sério!). Mesmo fervendo num sábado gostoso e propício para passeios, a fila para o ingresso andava fácil-fácil, encurtando a expectativa dos redundantes amantes de Star Wars, ávidos em desfrutar da “Exposição Oficial Brasil”, uma mostra muito esperada, com a promessa de centenas de itens originais, e outras tantas curiosidades que fizeram (uma boa parte) da importante história deste grande-apaixonante “clássico” da Sétima Arte.

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Deixar 30 pilas na bilheteria parecia salgado. Até porque, (de cara) uma lojinha de vil bugigangas já fazia o bolso de qualquer geek “coçar” de curiosidade consumista. Passei batido para não ter que perder os rendimentos de dois anos e meio, melhor nem entrar num lugaresco desses, concluí (muito) precavido. Ao lado, um telão apresentava a presente empreitada pros brasileiros, com música tema de John Willians e caracteres estilo abertura de Guerra nas Estrelas – pensados para entrarmos no clima. Caso a taquicardia permanecesse baixa, uma surpresa elevava os batimentos cardíacos dos transeuntes de segundo nível, R2-D2 postava-se à frente, na cabeceira da Jedi Starfighter utilizada por Anakin Skywalker no “Episódio III”. O símbolo de uma geração de Jedimaníacos fazia as honras da casa, apropriadamente, afinal de contas, quem não adora o simpático R2, ein? Partindo dele, prosseguia um corredor recheado de ilustrações e informativos sobre o riquíssimo universo criado por George Lucas em 1977. Imediatamente, era possível notar os magnânimos traços característicos de Ralph McQuarrie, o principal ilustrador da antiga/sagrada trilogia e de Doug Chiang, assumindo posteriormente-simbolicamente o “cargo” nas respectivas três películas contemporâneas). Haja coração, meus caros jedimaníacos!

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Bifurcados nesta muvuca sci-fi/fantasy, grupos de admiradores – devidamente fantasiados/caracterizados – cruzavam os salões, espaçosos e comportando (bem) a quantidade imensa – só que controlada – de pedestres. Caminhando alguns metros, o primeiro salão (de muitos) se abria para mostrar o grosso das peças trazidas pela Lucasfilm. Antes de notarmos (emocionados) qualquer uma delas, uma pequena frustração se evidenciava (como alertado pelos caras que fizeram este – mesmíssimo – percurso, anteriormente), a baixa iluminação do local – e os vidros protetores reflexivos – (quase) impossibilitava tirar fotos descentes – e nítidas – de tudo. Um pecado. Isso sem contar a falta de pilhas decentes na humilde “máquina digital” emprestada, uma desgraça corrigida pela venda das mesmas na lojinha mais próxima – já citada acima (algo me diz que os organizadores faturaram muito com esta “sacada”, duvido ter sido o único a ter tido esse tipo de problema emergencial). Se conseguir uma foto que mostrasse as figuras (em meio ao breu) sem estragar a imagem (borrada pelas fortes luzes de neon) constituía-se em um desafio – somente – sanado pelos dotados da “Força”, as andanças entre os duros pedestais brindados compensavam (tamanho) infortúnio. Rapidamente, eu acrescentaria. A questão, então, era aproveitar e não perder nenhum destes – inúmeros – mimos. Imperdíveis, sobretudo, para aqueles que já gostam do assunto. Em qualquer nível de fanatismo.

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O público parecia enfeitiçado, perdido alegremente no meio de tantos bonecos, vídeos e desenhos estampados. Tudo parecia pedir nossa atenção, limitada e incapaz de dar atenção a tudo, simultaneamente, como gostaríamos. Dava (até) para se perder indo/vindo depressa demais. Cuidadosamente, correndo cada milímetro de chão, fui sendo arrastado para os bastidores da comentada Space opera, olhando maquetes, naves, alienígenas e figuras super conhecidas. Chewbacca estava lá, ao lado de Han. Inseparáveis, de fato. Pequeninos Droids da Federação eram rodeados por crianças de idades variadas. Um Clone Trooper era admirado por uma inocente menininha: “Que robozinho bunitinho” ela dizia, para gargalhada dos pais – e ouvintes atentos. Em tamanho natural, alguns veículos se espalhavam pelos becos, implorando para invadirmos o – lacrado – recinto (desativarmos o sistema de segurança) e sentarmos nestes cockpits tentadores e proibidos. Outros motivos para pequenos delitos eram as inúmeras TIE Fighters e X-Wings (na verdade em seus modelos diferentes, como a lúdica TIE Bomber), lindas de morrer e infinitamente melhores (claro) do que as cópias de brinquedo que meus amigos de infância guardavam rigidamente – sem me deixar tocá-los. Imaginem então, o desespero que era ver a Millenium Falcon, lá paradinha, a poucos centímetros de nerdistas enlouquecidos com a complexidade de suas linhas/detalhes. Alguns deles ofereceriam órgãos vitais em troca dela, pra babarem novamente no conforto de casa, eternamente. Ou (no mínimo) trocariam um pulmão pelo conjunto AT-AT + Star Destroyer, carregando uma carga imensa de saudosismo em seus estandes particulares.

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Nos vários manequins, notadamente, dezenas de (belíssimas) roupas da rainha/senadora Amídala espalhavam-se pelos lados opostos de uma longa parede, antes disso, um – singelo – figurino da Princesa Léia contrastava com a fartura (absurda) de vestimentas criadas para sua “mãe” nos filmes mais recentes da saga. Nesse âmbito, a cada quadro, monitores mostravam seqüências referenciais e painéis ilustrativos – despejando incontáveis “desenhos conceituais”, para delírio dos fanáticos por livros estilo “Art of Episode I”. Juntavam-se aos uniformes principais, outros tantos (ditos) secundários, como o famoso “piloto rebelde” e ademais tipos de Troopers. Contudo, dentre eles, indubitavelmente, destacava-se bastante a viceral – fenomenal – armadura Mandaloriana (!!!) de Boba Fett – imponente enquanto Bounty Hunter – extremamente detalhada. Perdendo apenas para o brilho emanado por C3-P0, tão querido quanto sua pequena “contraparte” astromecânica. Colocado despojadamente ao lado do parceiro – e quase soltando falas “Oh my…”, Threepio era extremamente assediado – com justiça – pelos marmanjos (aka babões veteranos), além de fazer a contagiante alegria da criançada…

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Indo para a saída, uma fila enorme se formava para as aulas Jedi, permitidas – somente – para jovens Padawans (druga…), conduzindo os frustrados aspirantes do Templo para a masmorra secreta e detentora de Darth Vader – requisitadíssimo pelos fotógrafos e seguidores do Lado Negro – engraçado que, cruzando o salão, na outra ponta, um Yoda holográfico parecia contrapor o maligno Lord. Aparecendo para nosotros como a fantasmagórica forma espírita vista no final de “Retorno de Jedi”. Entre eles, no meio das instalações, um arsenal de armas (e sabres!) parecia pedir por uns tiroteios temáticos de Paint Ball, com as bases marcadas pelos representantes do Bem X Mal. Antes de deixar o prédio, era obrigatório (re)repassar e olhar – novamente – cada lapidar elemento deixado pra trás. Ok. Faltaram algumas coisas (cadê a Estrela da Morte???), todavia, a experiência fora ótima, posso dizer, para cada um dos agraciados fãs que estiveram andando pela – inusitada – Bienal. Ver de perto estes caríssimos utensílios, “brinquedinhos” conhecidos das grandes telas e importantíssimos na consolidação de “Star Wars” no seio da cultura mundial, valeu tanto quanto uma sessão única destes longas, os mesmos, absolvendo cinéfilos para dentro da tal “galáxia muito, muito distante” – um mundo longínquo que (momentaneamente) ficou pertinho (como nunca) dos gratos participantes deste fascinante “museu” cinematográfico (e itinerante).

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Que a força esteja com vocês, hoje e sempre!

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Sensação de “sala de espera” aflige cinéfilos

Leitores Amigos,

Exatamente ontem este blogueiro se deparou com a luxuosa edição de “Sweeney Todd” – e manusear tal mimo me deixou com a boca cheia d’água de vontade de mergulhar na aquisição em si. (reiterando que havia visto uma outra edição ainda mais opulenta do dvd nos E.U.A. no mês passado – ao lado do filme biográfico “Eu Não Estou Lá” ( I’m Not There ) que aterrizou em pouquíssimas salas em terras brasilis e ficou afastado do circuito comercial (assim como inúmeros outros) seja pela carga de experimentação – seja pela linguagem visual conceitual “demais” para as grandes salas.

 Ps: ( Filme necessário a todos nós – traz a encarnação soberba da fominha Cate Blanchett – senhora de Lothlórien e agora coroada rainha dos miraculosos disfarces e do saudoso e carismático Heath Ledger em seus últimos momentos)

Vi os filmes, e não os comprei por várias razões entre elas o evento “Blu Ray” e a limitação das regiões.

Mas, retornando ao Johnny Depp barbeiro – o filme em si – é um item fundamento na sua estante e é um espetáculo de inovação dramática – pr’aqueles acostumados com o debochado Depp em sua formação pop de pirata excêntrico e destemido, a amargura ascética e consternada de Sweeney demonstra a incrível flexibilidade cênica do eterno mãos de tesoura.

Continuando a revisão – depois do fenomenal Speed Racer (requisitamos!), depois de Indiana Jones ( como Harrison Ford reconquistou o rebolado), depois de Nárnia Reloaded – depois de Hulk e Homem de Ferro – eis que um certo clima de sossego se apoderou dos cinéfilos.

Certo ainda que temos os vindouros “Procurado” com super mommy Angelina Jolie e James McAvoy e a explosiva animação “Wall-E”, mas parece que os grandes filmes ainda estão beeeeinnn longe de atingir as salas de projeção.

Vou fazer aqui uma rápida (e precária) análise do que-está-por-vir

1.) Burn After Reading (sem tradução para o português) – longa com presenças magnânimas que confirma a sedimentação sem precedentes dos Irmãos Coen na cultura pop.

2.) Australia – o retorno da parceria entre o leão ensandecido Luhrmann e sua querida Nicole ‘Satine’ Kidman. Depois de causar um certo desconforto nos jornalistas e na indústria cinematográfica, a crítica dobra os joelhos para o épico do visionário realizador depois de ver os teasers ( eu não me canso de elogiar, tipo eu viro Maria Cândida quando falam do Baz Luhrmann), desculpem leitores. Eu assumo que eu acho o cara tipo foda.

3.) Hancock – mais um filminho caça-níqueis do eterno habitante de Bel-Air Will Smith. Filme no esqueminha alegro-ma-non-troppo que leva criançada pro cinema e garante o leitinho dos filhos dos executivos do estúdio.

4.) Jornada ao centro da Terra – brincadeirinha 3-D tipo “Björk me copia” com o tresloucado Brendan Fraser. Queremos nossa parte em dramas – faça o favor.

5.) Hellboy 2 – este sim. Não vou nem falar mais nada. Basta o nome Guillermo Del Toro.

6.) Já podem resgatar aí na HD de vocês o álbum “Confessions on a Dancefloor” daquela-que-não-vamos-nomear porque “Hung Up” vai virar tendência com o musical “Mamma Mia”. E somos fãs do Abba mesmo. E winner takes it all. Fica a dica.

7.) Arquivo X – dispensa qualquer comentário!!!

8.) A Múmia – Brendan Fraser se faz presente novamente. Olha só – recrutem Rachel Weisz, que ela além de fazer falta, nós do claquete somos fãs, aliás muito fãs

9.) Vicky Cristina Barcelona – olha, adoramos o elenco. E queremos muita ênfase no beijo gay. Porque Beijos Gays entram pra cultura pop muito rápido. E Woody Allen vale cada centavo na poltrona. Amamos ainda mais Starlet — amamos!

10.)  Passengers (sem tradução para o português) – a nossa assistente preferida Andy Sachs — a linda-maravilhosa Anne Hathaway pegou um roteiro difícil e intrigante. Confesso que agora que conferi(mos) o plot – estamos mais curiosos.

11.)  Blindness (O ensaio sobre a cegueira) – desnecessária qualquer apresentação ou comentário.

12.) Nick and Norah´s Infinite – comédia que promete satisfazer gregos e troianos com o figuraça canadense Michael Cera (o trapalhão Paulie Bleeker de “Juno”)

13.) James Bond : Quantum of Solace – e a série continua – aguarde uma investigação mais apurada porque temos medo do Daniel Craig – literalmente;

14.) Harry Potter e o Enigma do Príncipe – amamos, idolatramos e exigimos. Mas, se você acha que David Yates é na verdade uma Horcrux – assine aqui

15.) Milk – este filme promete uma grande revelação que já gera um hype em si – o bad boy Sean Penn no papel de um ativista gay( eu digo isto entra rapidinho para a cultua pop) e Gus Van Sant em si é um deleite audiovisual. (Já adoramos e queremos saber tipo o que rola de fato)

16.) The Spirit – achamos melhor ir direto ao “The Spirit” porque confessamos que HQ e chroma Key nos fascinam profundamente. E tipo este filme é o cerne, a essência e a grandiosidade que Hollywood nos alicia em raros, porém, muito intensos momentos.

 

Desculpa o post enorme – mas é que somos empolgados e achamos que a melhor forma de gostar de cinema é se empolgar mesmo. MESMO*

 

Sidney (mais conhecido como Sidnelson) e equipe do claquete virtual.

 

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Vestindo a armadura dos quadrinhos

FILME: “Homem de Ferro (Iron Man) EUA, 2008 – Ação/Aventura – 126 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação“Homem de Ferro” pode ser considerado um marco zero. É a 1º fornada (sem intermediários) saída diretamente da Marvel Studios. Respaldada pelas parcerias de sucesso, alavancando campeões de bilheteria como “Homem-Aranha”, os responsáveis pelo “selo” Marvel chegaram à conclusão de que estavam desperdiçando uma enorme oportunidade econômica-artística ao possibilitar que outras empresas fizessem filmes com sua ostensiva galeria de personagens. A “gigante” americana acabava restringinda a pegar um pedaço muito pequeno deste bolo de fartas receitas, além de aceitar – goela abaixo – algumas modificações destoantes das respectivas (sagradas) contrapartes em quadrinhos (algo desgostoso, principalmente, para seus fiéis leitores). Isso, claro, é passado. Com total liberdade criativa e suficiência financeira, a editora trata suas crias com os cuidados de uma mãe zelosa – desesperada para agrupar muitos de seus filhotes ilustres numa mesma empreitada.

Coube a Jon Favreau (diretor revelado em “Um Duende em Nova York”) assumir a tarefa de dar esta tacada inicial, partindo de um título menos conhecido. Adaptando e modernizando, sem perder os conceitos e tramas das HQs (tropeçando só com Jarvis, o mordomo, não mostrado como carne-e-osso). Iniciando um importante caminho para o futuro longa dos “Vingadores” – este, cobiçado obsessivamente pelos executivos marvetes. Sabendo costurar a veia cômica já extravasada quando debutou atrás das câmeras, Jon surpreende ao lidar com a tecnicidade das tomadas mais suculentas de ação/fantasia. Revelando enorme bom gosto ao definir o (fantástico) visual “definitivo” da armadura dourada vestida por Robert Downey Jr. – ator “encrenca” (com um estonteante passado de noitadas e extravagâncias) escolhido a dedo para encarnar o Tony Stark perfeito (um sujeito igualmente lembrado pelo passado de noitadas e extravagâncias – tal qual seu intérprete, dando a “volta por cima”).

A faceta Playboy de Tony rivaliza em igualdade quadrinística com a tecnologia empregada para dar vida ao maquinário empregado por Stark, instintivamente se tornando um super-herói high-tech depois de quase morrer durante um seqüestro. Enquanto finge construir armas para o inimigo, o sagaz inventor reconstrói sua vida (desperdiçada, até então) em torno da couraça capaz de salvar seu corpo e lhe armar para enfrentar os terríveis bandidos. Num caminho de clara redenção. Uma parcela dramática bem aproveitada neste divertido balaio de CGs e humor. Aspectos valorizados pela personificação-chave (exalando carisma, diga-se) efetuada por Downey – de ampla credibilidade e deixando os ótimos efeitos ainda mais realistas.

Sob elevados cuidados técnicos, “Homem de Ferro” consegue cruzar os céus com enorme competência. Ator, dublê e boneco digital se mesclam – às vezes de forma invisível – para garantir a excelência pirotécnica extraída na explosão visual típicas da versão em papel. Entregando o melhor figurino (no quesito “fidelidade”) das “maravilhas” super-poderosas saídas da Nona Arte. Valendo até uma rápida aparição da poderosa “Máquina de Combate”, outro dos “brinquedinhos” (especiais) fabricados pelas Indústrias Stark – um fetiche que deve ganhar espaço na provável continuação, já programada de antemão. Seqüência esta, com direito a “gancho” prévio capaz de trazer às telas o clássico arquivilão “Mandarim”.

Antes do fim, porém, a película reserva – outra – enorme surpresa. Capaz de eletrizar cada nerd do planeta cinema. Depois dos créditos finais, precedidos pela criação da S.H.I.E.L.D, somos agraciados por uma participação especial (do ator Samuel L. Jackson) garantindo o convite pra vindoura reunião/crossover de várias cineséries Marvel. Numa articulação só possível quando tantos nomes distintos-importantes estão abrigados sob o mesmo teto, numa mesma casa. Neste caso, a paterna. Agora, com as portas definitivamente abertas.

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Animando autobiograficamente

FILME: “Persépolis (Persepolis) França, 2007 – Drama/Animação Adulta – 95 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação É fácil perceber o quanto este “Persépolis” é diferenciado. Basta sentarmos na poltrona (relaxar) e esperar as luzes se apagarem para a projeção começar. Nada mais. Nos takes iniciais já notamos claramente o jeitão cult desta animação, capaz de dar dinamismo aos traços autorais da criadora/personagem Marjane Satrapi. Emprestar movimentos a HQ homônima (de onde o longa se origina) foi uma saída arriscada, sobretudo pela simbologia simplista dos relatos gráficos de Marjane, contudo, magnânima criatividade de formas acrescentou um charme extra para os 24 quadros que compõem cada segundo de imagens – inesquecíveis para o público.

O forte apelo visual (clássico) fica explicitado pela beleza dos contrastes. Basicamente filmado/pintado em “Preto & Branco” (mantendo a forte acuidade dos quadrinhos), a produção arranja saídas inspiradas para desenvolver uma palheta incessante de alternativas para trabalhar cada desenho – neste aspecto de dualidade cromática. Sem menosprezar a obra ilustrada, vale citar. A cultuada autora iraniana assume (também) a co-direção do projeto, elevando seu preceito autobiográfico para o campo cinematográfico. A presença desta figura central (tanto na realidade quanto na ficção) garante autenticidade ao relato (verídico) e não destoa da agraciada concepção inicial, quando o primeiro volume de “Persépolis” chegou às prateleiras – com enorme sucesso – em 2000.

O conto da pequena garota que floresceu entre revoluções e o advento – posteriori – do rígido controle fundamentalista é enternecedor. Não só pela ilustrativa lição de vida, de alguém que superou momentos difíceis, enfrentando a guerra Irã-Iraque, preconceitos e a própria morte nas vielas européias, mas por quebrar paradigmas, trazendo ao espectador ocidental uma inusitada (e humana) perspectiva sobre uma parcela do mundo, infelizmente, considera por Washington como antro absoluto de “fanáticos primitivos”. Marjane até conversa com referências pop mundiais, incluindo ABBA, Bee Gees, Bruce Lee e Godzilla, mostrando-se tão conectada e descolada nos movimentos juvenis da época quanto qualquer garota vestindo calça jeans deste lado do globo. Independente de suas origens, das quais sua persona fictícia não nega (carregando, por exemplo, o sonho infantil de ser uma profetiza).

Criada de forma culta e liberta, a mocinha acompanha – carregando, desde sempre, um olhar extremamente crítico sobre tudo – o arrocho dos grupos radicais, por anos a fio, numa esgotante vivência em sociedade fechada. Apesar da mente aberta de muitos dos seus cidadãos. Mesmo nos momentos mais negros da perseguição ideológica, Satrapi nunca fecha os olhos para além dos limites impostos pela autoridade ditatorial – as aventuras pelo Rock-Punk demonstram muito desta rebeldia, tão comuns a idade – e ao próprio momento histórico/político. O detalhe é como o Iron Maiden entra no cotidiano dela, no mínimo genial. Assim como seu “renascimento” ao som de “Gonna Fly Now”, a conhecida música-tema de Rocky Balboa. Um lutador. Assim como são, sem qualquer ficção, os habitantes (verdadeiramente) conscientes deste país tão devastado por crises/batalhas internas.

Adjetivações não seriam o bastante para expressar a primazia de um produto tão sincero. Tão bem acabado. Surpreendente a cada nova passagem, a cada esquina cruzada na trajetória da protagonista pelas ruas de Teerã. Seja dentro ou fora das telas. A passagem dela da Nona Arte para a Sétima otimizou um conteúdo primoroso para cinéfilos totalmente alheios as problemas iranianos. Levando uma mensagem aberta para expectadores de todo o planeta: não devemos pré-julgar estas pessoas sem conhecer/tentar entender seus pontos de vista, por vezes, tão distintos – e neste caso, particularmente, inteligentemente bonito.

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Pulando fora da projeção

FILME: “Jumper (Jumper) EUA, 2008 – Aventura/Ficção Científica – 90 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

DivulgaçãoVamos verificar, temos (aqui) um tímido nerd provocado pelos amigos e apaixonado platonicamente pela garota mais bonita/popular do colégio. Confere. Num acidente (maledito bully), nosso herói adolescente descobre ter capacidade de teleporte instantâneo – saindo da gelada enrascada estudantil direto pra caxias biblioteca… (Repetidamente!). Outra presença garantida é a seara obrigatória: mãe ausente/pai alcoólico, elementar para garantir (relativa) personalidade rebelde ao personagem central, vivido por Hayden Christensen (sabidamente, o Darth Vader na nova trilogia “Star Wars”, portanto, já acostumado com estes meandros do lado negro). Não poderia faltar (também) a organização secreta que caça os tais Jumpers – pessoas donas deste estranho dom de “transporte automático personalizado”. Checado. Achou repetitivo? Nada aqui já não foi imaginado, realizado e vislumbrado anteriormente. Centenas de vezes.

Dirigido por Doug Liman, autor de “Identidade Bourne” e “Sr. e Sra. Smith” (fora alguns sucessos irregulares, presentes na ficha corrida), “Jumper” se caracteriza como uma ficção-científica meramente ordinária, cumprindo um papel passageiro nesta estréia dos filmes-pipoca 2008. Apenas. Cenas de ação competentes – tecnicamente – juntam-se ao esquematismo (sem-graça) dos mesmos. Exemplificado pelo apresentável espetáculo pirotécnico. Bonito e passável. Pouco para um enredo tão datado. Ajudado só pelo salvo-guarda teletransporte, um curioso poder diferente (em termos cinematográficos, relapsamente lembrado até então, descontando o Noturno dos “X-Men” e a cine-série “Star Trek”). Com possibilidades (ainda) maiores (infelizmente, não exploradas pelos realizadores) – talvez, pensando (exclusivamente) nas eventuais continuações. Planejadas de antemão.

A película, contudo, (apesar dos constantes defeitos de fabricação) consegue transportar um bônus válido para os espectadores entediados. Fica (até) fácil supor que a qualidade principal deste “Jumper” seja (realmente) o passeio turístico propiciado pelas jornadas imediatas – entre um ponto ao outro no globo. De fato. A lista de benfeitorias atreladas é vasta: uma dezena de paises visitados, plus ótimas locações (filmadas in loco) – garantem/desenvolvem um apelo visual interessante. Num passeio tão virtuoso e eloqüente quanto deveria ser para os “saltadores”, vidrados (aparentemente) nestas sedutoras peregrinações mundializadas.

Acontece que tais “andanças” não surtem (tanto) efeito quando são guiadas por um roteiro de viagem bem desagradável. A narrativa vazia escorrega no abuso das temáticas banais (Diane Lane, desperdiçada totalmente numa pequena participação, demonstra na tela muito desta ridícula falta de horizontes – fartos – para o enredo canhestro). A ineficiência é tanta que o casal romântico, Hayden e Rachel Bilson (do seriado “The O.C.”) aparentam uma palidez de atuação (comum ao primeiro) vergonhosa demais para (ditos) atores profissionais – limitação acentuada pelas bobas falas recicladas (uma, bem no início, chega a insultar o público, numa metalinguagem altamente pejorativa) e por um antagonista igualmente descartável (o que acontece com Samuel L. Jackson? Volta ou outra esse cara faz cada bomba…).

Formatado para se tornar uma cobiçada franquia, o longa não se esquece de soltar todas as pontas/ganhos possíveis para sua provável seqüência. Já em andamento no campo literário (a presente obra fora baseada no livro homônimo de Steven Gould). Doravante muitos preferirem se teletransportar – fugindo para qualquer outro lugar, de preferência bem distante – durante a exibição da “primeira parte”. Uma resposta coletiva interessante. Mesmo incapaz de comover os cinéfilos, o título (ao menos) parece saber despertar a inveja dos “não-jumpers”. Quem sabe, essa “ameaça” (real) à Sétima Arte não seja aproveitada (sem delongas) para justificar as ações intempestivas dos próprios (fictícios) algozes (conhecidos por) Paladinos?

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Contos crônicos de Spiderwick

FILME: “Crônicas de Spiderwick (The Spiderwick Chronicles) EUA, 2008 – Aventura/Fantasia – 97 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

DivulgaçãoA enxurrada de fantasias infanto-juvenis não dá trégua. Semanalmente estes produtos alcançam as prateleiras cinematográficas, jogando através de nossa goela o mesmo ingrediente mágico já degustado em tantos outros frascos/formatos (sejam eles luxuosos ou pirateados). Acontece que tal acessível tempero já está se tornando enjoativo. É sempre o mesmo prato (sem falar do garfo e faca) repetitivo. Tudo começa na adaptação de uma receita já testada (com sucesso) no mercado literário, depois, como aperitivo natural, somos nutridos incessantemente com abundantes bons efeitos-especiais (uma fatídica banalização do “progresso” digital). Assim, lá vamos nós! Outro cânone do gênero prontinho para ser servido. Interessou-se pelo cardápio? Então experimente este “As Crônicas de Spiderwick”.

O início pode não ser muito degustável, desembarcamos na amargura da família Grace (Nicole?), em mudança para a nova (velha) casa (isolada do mundo, sabe como é…). Lá, vamos se acostumando as relações entre os (implicantes) irmãos, entre eles o protagonista da história, fazendo biquinho pra mãe por não aceitar o desaforado “recomeço” estratégico – no assustador casarão herdado por eles. Aos poucos, as brigas em volta da mesa evadem-se para outros cômodos, alguns deles secretos, revelando os mistérios de um precioso livro, lacrado e escondido. O visível aviso “não leia” (na capa) funciona apenas como incentivo extra para a recomendação ser ignorada prontamente. E lá vamos nós novamente!

As páginas (tingidas pelo estudioso tio-avô da molecada) expõem um compêndio completo das criaturas inimagináveis-fantasiosas. Um segredo muito desejado por Mulgarath, o vilão-monstruosidade mestre das outras monstruosidades que freqüentam os arredores da enfeitiçada/protegida residência. Mas “palma, palma, não criemos cânico”! Algumas destas criaturas são amigas e ajudarão os mocinhos na tarefa de causar um revertério no mal encarnado – através de lutas, correrias, feitiços e umas bocas sedentas por carne alheia… Tudo feito para um consumo rápido, nada indicado para paladares mais apurados. Desdobramentos previsíveis (filho que sente a falta do pai ausente, mãe que não acredita no relato do filho rebelde…) acrescentam uma pitada inócua numa fórmula (muito) mal-passada.

Pouco sobra de apetitoso entre as especiarias desta película, além do (curioso) interesse compulsório das “criaturas amigas” por certas guloseimas (mel e pássaros estão entre suas predileções – importantes tanto para as cenas cômicas quanto para as resoluções finais). Outro ponto positivo é Freddie Highmore – o menino título de “Arthur e os Minimoys”, filme da mesma estirpe (adivinhem só?) deste “Spiderwick” – no papel dos gêmeos, sustentando (sozinho) a atribulada carga de “estrela” da obra. Mostrando, em dose dupla, um talento que o garoto tem de sobra. Pena que a narrativa insistentemente relega alguns aspectos importantes da personalidade explosiva de seu herói pré-adolescente – acentuada pela valente interpretação de Freddie (particularmente, quanto à destruição de objetos inanimados, punidos acintosamente para descarregar uma avassaladora fúria pseudo-somática).

No fim, a idéia de uma nova rodada embrulha (lacivamente) a desgastada receita. O.k., nada neste longa-metragem lhe causará uma autêntica indigestão estomacal, não vamos exagerar. Contudo, mesmo gosto sendo gosto (portanto, cada um tem o seu), aqui o sabor é apuradamente agridoce. Podemos até prová-lo/devorá-lo numa sessão rapidinha, entretanto, duvido que esta amostragem seja suficiente para encher a barriga dos cinéfilos exigentes. Falta “caldo” para estas “Crônicas de Sei Lá o Que…” fomentarem um (afrodisíaco) aumento na salivação dos espectadores famintos – ou seja, recheia muito pouco (pouco mesmo) para uma empreitada que almejava satisfazer os esfomeados pelo bom cinema fantástico.

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