Arquivo do autor:Carlos Campos

Sobre Carlos Campos

Idade: 24 anos Data de Nascimento: 28/07/1982 Atores Preferidos: Ewan McGregor, Johnny Depp Atrizes Preferidas: Nicole Kidman, Jodie Foster Filmes Preferidos: "Senhor dos Anéis", "Star Wars" Diretor preferido: Stanley Kubrick

FILME: “Invictus” (Invictus) EUA, 2008 – Drama – 134 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2010. Retornando aos cinemas para comemorar 15 anos de vida e a tempo de esquentar os motores para os capítulos subseqüentes fazerem o mesmo, “Toy Story” reaparece nas telas grandes renovado pelo 3D mais moderno, entretanto, mantendo incólume muito do seu irresistível charme de outrora. Quando surgiu apresentando-se (em 1995) como o primeiro longa-metragem de animação feito totalmente em computação gráfica (se desconsiderarmos o caso do brasileiríssimo “Cassiopéia”, claro), criando toda uma indústria (hoje poderosa e lucrativa). E por conseqüência, reafirmando a “marca” da matriarca Disney, cujo “selo de qualidade” estava desgastado após alguns fracassos – além de alavancar a própria Pixar (dona da empreitada) ao patamar de principal produtora da área. Inquestionavelmente, pois ela nunca errou em suas aventuras pela Sétima Arte, permanecendo nos dias de hoje tão criativa e na vanguarda técnica quanto nos primórdios de seu debute cinematográfico. De uma divisão dentro da Lucasfilm, a casa de Woody e Cia. migrou dos premiados curtas de animação dos anos 80 para as telonas em sua vitoriosa fase “mickeymouseana”. Desenvolvendo clássicos instantâneos e de forma sucessiva, como “Procurando Nemo”, “Os Incríveis”, “Carros”, “Wall-E” e “UP”, que conquistaram prestígio e contribuíram bastante para o crescimento exponencial do gênero (característica histórica da empresa). Agora revisitado pela tecnologia tridimensional, o velho “Toy Story” ganha aqui uma nova “dimensão” (me perdoem o trocadilho), capaz de contentar as platéias modernas, num “banho de loja” eficiente tanto para agradar os fãs saudosistas quanto os que nunca assistiram a obra (ao menos, não apropriadamente na “sala escura”). Obra esta, aproveitando sua origem digital para espantosamente garantir uma transição acima do que é possível habitualmente nas películas não filmadas originalmente no formato 3D. Mostrando um pequeno aperitivo do que podemos esperar de “Toy Story 3”, produzido desde o início com os incrementos especiais das tais “três dimensões”. Um benefício ilustrativo mais do que bem-vindo para o espetáculo, mas que curiosamente acaba evidenciando outra peculiaridade desta empreitada “repaginada”: sua inspirada narrativa. Após tanto tempo, a saga dos brinquedos falantes (que tanto encantou o mundo) envelheceu muito bem e consegue esbanjar uma forma invejável, mesmo adquirindo uma séria desvantagem tecnológica comparando-o com os exemplares atuais. Assim, “Toy Story” reaparece relativamente defaso visualmente, apesar do upgrade tridimensional, contudo, isso apenas escancara o design quase imortal do produto e o carisma dos personagens principais (auxiliados pelas vozes famosas de seus interpretes, Tim Alley e Tom Hanks). Demonstrando que o enorme sucesso da Pixar sempre se derivou da força dos roteiros, não (somente) do poder de seus computadores “de ponta” – distinção extremamente visível agora que o foco claramente não é o esmero tecnológico, aqui já bastante “datado”. Lição que seria posteriormente muito bem assimilada pelas produções posteriores, estabelecendo um patamar que todos almejam atingir, todavia, somente alguns poucos conseguem chegar, via de regra. Méritos totais para o diretor John Lasseter, atualmente um dos “cabeças” do próprio conglomerado Disney, que sempre soube segurar – e principalmente soltar – as rédeas de seus comandados, fazendo-os se portarem mais como artistas do que como técnicos especializados em CGI (equívoco comum sob olhares leigos). Adquirindo, justamente, um rigor artístico de profunda raiz independente, mesmo quando a serviço do capitalista “cinemão” comercial hollywoodiano. Conquistando com tal ousadia, bilheterias expressivas sem precisar, porém, sacrificar nenhuma ambição maior ou menosprezar sua natural contribuição cultural. Valores raros de se ver. Principalmente novamente, como neste “aquecimento” para a vindoura maratona de “Storys” pela frente, abrindo espaço para experimentarmos outra vez os mesmos “elementos” antigos e fundamentais para o entendimento (e consagração) dos desenhos animados contemporâneos.

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Sessão de DVD’s – Trapalhadas numa ‘guerra nas estrelas’, cacildes!

FILME: Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (Idem) Brasil, 1978 – Comédia – 89 min. Resenha de Carlos Campos para o “Claquete Virtual”.

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“Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante…”, os ecléticos Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, auxiliavam o príncipe Flick a salvar um exótico – e comicamente disco – mundo alienígena de mesmo nome – em “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” de 1878, disponibilizado recentemente em DVD como parte do pacote de novidades que resgata a cinematografia completa do grupo. Parodiando “Star Wars”, este filme foi o primeiro a ter o quarteto, apesar de ser o décimo terceiro longa da popular franquia capitaneada por Renato Aragão nos cinemas brasileiros. Além de apresentar uma sátira “simultânea” ao fenômeno Jedi de forma risonhamente kitsch (até mesmo para os padrões “setentistas” da época).

Alavancado por uma trama reducionista (inteiramente descrita acima), a citada obra consegue transportar os adoráveis heróis trapalhões (depois de uma inusitada perseguição de 14 minutos) para uma campanha “épica” noutro mundo, no intuito de salvar os habitantes locais do tirano com roupa de Darth Vader (apelidado de Zuco) e, lógico, resgatar a princesa raptada pelos agentes do “Lado Negro”. Embalado por músicas e sons bizarramente eletrônicos, de doer os ouvidos com suas herméticas – cafonas – batidinhas anos 70, “Guerra dos Planetas” se caracteriza por uma seqüência interminável de lutas pastelônicas, com replays dos melhores momentos e câmera lenta para ressaltar as “rasteiras” que sobram nestes atrapalhados confrontos. Pouco resta, portanto, para a trama infantilmente genérica – relegada diante da muvuca de pontapés – aka humor vigorosamente involuntário – que impera neste completo “circo” cósmico.

Em termos cinematográficos, o produto falha feio nas brincadeiras sem-graça sobre “Guerra nas Estrelas”, elaborando co-relações pouco condizentes e/ou inspiradas pelas artimanhas de Luke e Cia, relegando tal “homenagem galhofa” para as aparições pontuais de certos personagens/locais. Que tentam nos remeter aos similares (vulgo originais) encontrados no “Episódio IV”, tipo o Chewbacca mal encarado (que chega a tragar um “cigarrinho” após dar “conta” de um bando inimigo) e algumas dunas/cantinas espalhadas pelo caminho “sintético”. Gravado em vídeo e transferido posteriormente para película, a fita abusa dos (de)efeitos eletrônicos, usando o Chroma Key pros ambientes mais extraterrenos e naves espaciais de brinquedo – pouco articuladas – durante as precárias viagens interplanetárias. Visualmente desestimulante, a peça parece jurássica se compararmos (sobretudo) com a primazia técnica da space opera dirigida por George Lucas (em 1977), revelando um envelhecimento precoce que se acelera rapidamente através do enredo limitado, cheio de nonsenses e estereótipos da medonha ficção científica gonzo comum ao período – marcado pelas luzes de neon (tão cintilantes nas típicas cenografias de alumínio).

Enfraquecido pelas esquisitices da narrativa criada pelo cineasta Adriano Stuart, “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” se sobressai somente quanto ao teor politicamente incorreto de algumas gags. Inferior aos diversos mega-sucessos estrelados pelos “Trapalhões”, o título comunga de suas “inapropriadas” piadas (desenvolvidas desde o debute do humorístico homônimo na TV), vide a cena dos “prisioneiros de guerra” sendo bem “sacaneados” pela trupe de Renato. Atazanando os “indefesos” bandidos com uma “tiração de sarro” completamente ofensiva aos “bons costumes” atuais… Elementos que, independente das bobagens correspondentes, lhe valeram uma bilheteria estimada de 5.089.869 expectadores no Brasil. Um valor excepcional, principalmente, em se tratando de uma comédia/sci-fi beligerantemente “B”. No pior dos sentidos, claro.

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Fora a “versão” do próprio filme “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” em mp4, nenhum “material adicional” foi anexado ao paupérrimo pacote.

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Exposição Star Wars (Brasil – Bienal)

Coluna ESPECIAL Take 327: Exposição Star Wars (Brasil – Bienal)”. Coluna de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Levei uma hora e meia de busão São José dos Campos-Sampa, mais 10 minutos de metrô – uma paradinha para o almoço leve – e outros tantos segundos infindáveis de táxi. Até chegar (finalmente) ao “grande evento”. Na porta dele, óbvio, um vigilante Stormtrooper apontava seu blaster contra os visitantes, “armados” de celulares e potentes máquinas fotográficas – a multidão agromerada assistia a (insólita) cena com absoluta curiosidade, também pudera, não é sempre que vemos um “soldado de elite” do “Império” na entrada do Ibirapuera. Essa – calorosa – recepção apenas se fazia como (ligeira) solenidade – a aventura em si começava da porta pra dentro, liberando o pobre “soldado” para ir ao banheiro (sério!). Mesmo fervendo num sábado gostoso e propício para passeios, a fila para o ingresso andava fácil-fácil, encurtando a expectativa dos redundantes amantes de Star Wars, ávidos em desfrutar da “Exposição Oficial Brasil”, uma mostra muito esperada, com a promessa de centenas de itens originais, e outras tantas curiosidades que fizeram (uma boa parte) da importante história deste grande-apaixonante “clássico” da Sétima Arte.

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Deixar 30 pilas na bilheteria parecia salgado. Até porque, (de cara) uma lojinha de vil bugigangas já fazia o bolso de qualquer geek “coçar” de curiosidade consumista. Passei batido para não ter que perder os rendimentos de dois anos e meio, melhor nem entrar num lugaresco desses, concluí (muito) precavido. Ao lado, um telão apresentava a presente empreitada pros brasileiros, com música tema de John Willians e caracteres estilo abertura de Guerra nas Estrelas – pensados para entrarmos no clima. Caso a taquicardia permanecesse baixa, uma surpresa elevava os batimentos cardíacos dos transeuntes de segundo nível, R2-D2 postava-se à frente, na cabeceira da Jedi Starfighter utilizada por Anakin Skywalker no “Episódio III”. O símbolo de uma geração de Jedimaníacos fazia as honras da casa, apropriadamente, afinal de contas, quem não adora o simpático R2, ein? Partindo dele, prosseguia um corredor recheado de ilustrações e informativos sobre o riquíssimo universo criado por George Lucas em 1977. Imediatamente, era possível notar os magnânimos traços característicos de Ralph McQuarrie, o principal ilustrador da antiga/sagrada trilogia e de Doug Chiang, assumindo posteriormente-simbolicamente o “cargo” nas respectivas três películas contemporâneas). Haja coração, meus caros jedimaníacos!

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Bifurcados nesta muvuca sci-fi/fantasy, grupos de admiradores – devidamente fantasiados/caracterizados – cruzavam os salões, espaçosos e comportando (bem) a quantidade imensa – só que controlada – de pedestres. Caminhando alguns metros, o primeiro salão (de muitos) se abria para mostrar o grosso das peças trazidas pela Lucasfilm. Antes de notarmos (emocionados) qualquer uma delas, uma pequena frustração se evidenciava (como alertado pelos caras que fizeram este – mesmíssimo – percurso, anteriormente), a baixa iluminação do local – e os vidros protetores reflexivos – (quase) impossibilitava tirar fotos descentes – e nítidas – de tudo. Um pecado. Isso sem contar a falta de pilhas decentes na humilde “máquina digital” emprestada, uma desgraça corrigida pela venda das mesmas na lojinha mais próxima – já citada acima (algo me diz que os organizadores faturaram muito com esta “sacada”, duvido ter sido o único a ter tido esse tipo de problema emergencial). Se conseguir uma foto que mostrasse as figuras (em meio ao breu) sem estragar a imagem (borrada pelas fortes luzes de neon) constituía-se em um desafio – somente – sanado pelos dotados da “Força”, as andanças entre os duros pedestais brindados compensavam (tamanho) infortúnio. Rapidamente, eu acrescentaria. A questão, então, era aproveitar e não perder nenhum destes – inúmeros – mimos. Imperdíveis, sobretudo, para aqueles que já gostam do assunto. Em qualquer nível de fanatismo.

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O público parecia enfeitiçado, perdido alegremente no meio de tantos bonecos, vídeos e desenhos estampados. Tudo parecia pedir nossa atenção, limitada e incapaz de dar atenção a tudo, simultaneamente, como gostaríamos. Dava (até) para se perder indo/vindo depressa demais. Cuidadosamente, correndo cada milímetro de chão, fui sendo arrastado para os bastidores da comentada Space opera, olhando maquetes, naves, alienígenas e figuras super conhecidas. Chewbacca estava lá, ao lado de Han. Inseparáveis, de fato. Pequeninos Droids da Federação eram rodeados por crianças de idades variadas. Um Clone Trooper era admirado por uma inocente menininha: “Que robozinho bunitinho” ela dizia, para gargalhada dos pais – e ouvintes atentos. Em tamanho natural, alguns veículos se espalhavam pelos becos, implorando para invadirmos o – lacrado – recinto (desativarmos o sistema de segurança) e sentarmos nestes cockpits tentadores e proibidos. Outros motivos para pequenos delitos eram as inúmeras TIE Fighters e X-Wings (na verdade em seus modelos diferentes, como a lúdica TIE Bomber), lindas de morrer e infinitamente melhores (claro) do que as cópias de brinquedo que meus amigos de infância guardavam rigidamente – sem me deixar tocá-los. Imaginem então, o desespero que era ver a Millenium Falcon, lá paradinha, a poucos centímetros de nerdistas enlouquecidos com a complexidade de suas linhas/detalhes. Alguns deles ofereceriam órgãos vitais em troca dela, pra babarem novamente no conforto de casa, eternamente. Ou (no mínimo) trocariam um pulmão pelo conjunto AT-AT + Star Destroyer, carregando uma carga imensa de saudosismo em seus estandes particulares.

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Nos vários manequins, notadamente, dezenas de (belíssimas) roupas da rainha/senadora Amídala espalhavam-se pelos lados opostos de uma longa parede, antes disso, um – singelo – figurino da Princesa Léia contrastava com a fartura (absurda) de vestimentas criadas para sua “mãe” nos filmes mais recentes da saga. Nesse âmbito, a cada quadro, monitores mostravam seqüências referenciais e painéis ilustrativos – despejando incontáveis “desenhos conceituais”, para delírio dos fanáticos por livros estilo “Art of Episode I”. Juntavam-se aos uniformes principais, outros tantos (ditos) secundários, como o famoso “piloto rebelde” e ademais tipos de Troopers. Contudo, dentre eles, indubitavelmente, destacava-se bastante a viceral – fenomenal – armadura Mandaloriana (!!!) de Boba Fett – imponente enquanto Bounty Hunter – extremamente detalhada. Perdendo apenas para o brilho emanado por C3-P0, tão querido quanto sua pequena “contraparte” astromecânica. Colocado despojadamente ao lado do parceiro – e quase soltando falas “Oh my…”, Threepio era extremamente assediado – com justiça – pelos marmanjos (aka babões veteranos), além de fazer a contagiante alegria da criançada…

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Indo para a saída, uma fila enorme se formava para as aulas Jedi, permitidas – somente – para jovens Padawans (druga…), conduzindo os frustrados aspirantes do Templo para a masmorra secreta e detentora de Darth Vader – requisitadíssimo pelos fotógrafos e seguidores do Lado Negro – engraçado que, cruzando o salão, na outra ponta, um Yoda holográfico parecia contrapor o maligno Lord. Aparecendo para nosotros como a fantasmagórica forma espírita vista no final de “Retorno de Jedi”. Entre eles, no meio das instalações, um arsenal de armas (e sabres!) parecia pedir por uns tiroteios temáticos de Paint Ball, com as bases marcadas pelos representantes do Bem X Mal. Antes de deixar o prédio, era obrigatório (re)repassar e olhar – novamente – cada lapidar elemento deixado pra trás. Ok. Faltaram algumas coisas (cadê a Estrela da Morte???), todavia, a experiência fora ótima, posso dizer, para cada um dos agraciados fãs que estiveram andando pela – inusitada – Bienal. Ver de perto estes caríssimos utensílios, “brinquedinhos” conhecidos das grandes telas e importantíssimos na consolidação de “Star Wars” no seio da cultura mundial, valeu tanto quanto uma sessão única destes longas, os mesmos, absolvendo cinéfilos para dentro da tal “galáxia muito, muito distante” – um mundo longínquo que (momentaneamente) ficou pertinho (como nunca) dos gratos participantes deste fascinante “museu” cinematográfico (e itinerante).

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Que a força esteja com vocês, hoje e sempre!

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Sessão de Cinema – Trajando estranhos e competentes efeitos minimalistas

FILME: Os Estranhos (The Strangers) EUA, 2008 – Suspense/Terror – 85 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Existe um minimalismo muito interessante neste bem-cultuado “Os Estranhos”. Dirigido pelo (bom) estreante Bryan Bertino (também roteirista), o longa-metragem parece apostar na simplicidade, contando uma história de terror categoricamente básica, com poucos personagens (8 no total) e um único cenário de fundo: certa cabana isolada do mundo. Tudo se resumindo, no micro-enredo que abre a película, a uma noite do casal vivido por Liv Tyler (da trilogia “O Senhor dos Anéis”) e Scott Speedman (saído do popular seriado “Felicity”), que já começa mal após um desentendimento entre eles, seguido por uma mortal invasão de domicilio – perpetrada pelos tais “estranhos” descritos (sorrateiramente) no título.

Ainda sofrendo os reveses dos recentes problemas conjugais, os dois se vêem presos e ameaçados pelos três psicopatas (por vezes, se multiplicando como se fossem inúmeros “fantasmas”) ocultos nas cercanias, enfrentando a gelada madrugada – que se pronuncia “interminável” na companhia de algozes tão fatídicos (aka bizarramente aterrorizantes). Usando de sons apropriadamente horripilantes e trilhas climáticas inteligentes nos momentos de suscitar (ou meramente desviar) a tensão, Bertino vai sistematicamente construindo a atmosfera ideal para conseguir amedrontar (furtivamente) os expectadores sem desprender maiores esforços – estes, podados pelo orçamento super limitado. Na verdade, o “universo” da película se avoluma pela excelente faixa sonora, que sugestiona eventos sequer filmados/mostrados. “Impactando” seqüências (ou ambientes) através de ferramentas audíveis e funcionalmente “invisíveis”. Além de baratas, eficazes e – claro – cinematográficas. Verdadeiramente.

Toques que se tornam elementos auxiliares da bonita fotografia avermelhada que permeia a fita, enfeitando cada take com um verniz “correspondente” ao sangue derramado pela trama (onde a derrama é suavizada pela câmera, pouco explícita, preferindo assustar realmente pelo terror psicológico – ao invés de “investir forte” na sangria desenfreada). Seguindo os co-protagonistas de perto (sobretudo a linda filha de Steven Tyler), a narrativa limita-se a acompanha o pesadelo desferido contra Speedman/Liv, dosando momentos de calmaria com transições abstratamente sugestivas (antes do “suspense” desembocar num clímax genuíno, independente das temáticas pouco originais). Preparando o expectador e garantindo alguns sustos sinceros, apesar dos repentinos clichês e/ou infelizes coincidências que comprometem a veracidade do relato (vide o celular esquecido no carro, o amigo que chega – inesperadamente antes da hora marcada – sem avisar e/ou a moça que fica sem cigarro, justamente, às 04h00).

Doravante o conjunto estar “baseado em fatos reais”. Portanto, poderia ter evitado vários “exageros ficcionais” nas artimanhas narrativas adotadas (tipo alguém sumir em questão de segundos). Todavia, estas indulgências são uma miudeza passageira perto da torturante ação dos “visitantes” encapuzados. Sabiamente, Bryan garante o anonimato deles, jamais revelando seus rostos, desviando a imagem em close (propositadamente) para que possamos formatá-las nas nossas mentes. Sozinhos. Criando, assim, uma aura em torno dos bandidos que só ajuda na mitificação da periculosidade que o sombrio trio representa. Do primeiro ao último suspiro. Fenomenologia que se apropria comercialmente desta “identidade preservada” pregada pelos “Os Estranhos”, garantindo a sobrevida do produto nas (planejadas) futuras continuações.

Que agora não dependem – nadinha – do dito elenco principal – nem de outros detalhes envolvendo contratos (como reajustes salariais). Afinal, a mensagem do projeto é claríssima: não importa quem esteja por detrás da fantasia, contanto que a “máscara do dia das bruxas” funcione perfeitamente, pode ser qualquer transeunte. Desde que – no fim – o teor assuste. Mantendo o espírito (artístico-financeiro) de registrar “apenas o estritamente necessário”. Nada mais.

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Sessão de Cinema – Dando alguns tiros furados no cinema “não-jogável”

FILME: Max Payne (Max Payne) EUA, 2008 – Policial/Ação – 100 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Existe uma deficiência crônica nos filmes baseados em jogos: é mais divertido jogá-los do que assisti-los. “Max Payne” não foge a regra. Apesar do chavão desta análise, que surge repetidamente desde quando games (como “Street Fighter”) despontaram nas telonas. Originário no popular título da finlandesa Remedy Entertainment, o longa homônimo até honra a mitologia da série, mantendo-se fiel as notáveis referências extraídas da cultura nórdica e aos inúmeros cacoetes narrativos, contudo, o enredo passável – inundado de clichês policiais – se verifica quase intragável quando destituído do quesito “jogabilidade” (ato celebradamente não-passivo), inerente aos catárticos videogames.

Impossibilitado de assumir o controle da situação, o expectador encontra na película muitos dos maneirismos da versão “gamística”, entretanto, o produto (em si) perde apelo ao se desenvolver num conjunto de intrigas confusas e direções (comandadas por John Moore) extremamente cafonas (vide a edição esquematizada). Elementos que “apagam”, inclusive, os esperados momentos pirotécnicos. Estes, competentes. E bem minguados, infelizmente. Fartamente freqüentado por figuras bidimensionais, a história se desenrola por meandros tortos, mal explicando co-relações entre os personagens e extrapolando os onipresentes aspectos caricatos dos mesmos. Nesta apoteose de gente que entra/sai da projeção sem demonstrar sua significância pra caótica trama (envolvendo a produção de uma nova droga alucinógena), temos Max Payne – interpretado por Mark Wahlberg, agindo numa carranca folgada e andando como se fosse virtualmente indestrutível (a passagem dele atravessando a rua sem se importar pros carros é bem representativa deste desprendimento).

Pena que Wahlberg (de “Planeta dos Macacos”) exagera na dose, aparentando uma fragilidade gigantesca nos poucos momentos de “cabeça baixa” e uma invulnerabilidade absurda nos momentos de “queixo erguido”. Sem qualquer meio-termo. Passeando pelo submundo do crime, o detetive Max é estimulado pela vingança, movimentando um tabuleiro atribulado por típicas traições – mecanismos “invisíveis” que farão tanto a polícia quanto a máfia se voltarem contra ele. Iniciando, assim, os confrontos físicos entre mocinhos/bandidos e a fase do “Bullet Time”, um efeito cinematográfico que desacelera a imagem (estilo “Matrix”), escancarando os tiroteios (detalhadamente) em slow-motion. Comungado pelo “third-person shooter” que lhe empresta o nome, a obra filmada manifesta a mesma estilização das seqüências de ação encontradas no “Max Payne” lançado (sucedidamente) para PC/PS2/Xbox (todos em 2001). Peça que acerta o clima, mas já aparenta sofrer overdose após tantos anos de banalização – decorrentes do uso indiscriminado dentro da Sétima Arte.

De impactante mesmo, temos as cinematográficas “mega-alucinações” que presenteiam a fértil imaginação dos usuários do composto Valkyr. Revelando “visões” de anjos caídos e abstraindo um cenário “transmorficamente” apocalíptico, tais efeitos ajudam a criar uma atmosfera sinergicamente “infernal” (amparada numa direção de arte inspirada pelo noir) – algo extremamente condizente com o calvário vivido pelo protagonista, cegamente aprisionado num círculo simbiótico (e vicioso) de “crimes & pecados”. Que vitimam sua mulher e muitas das femme fatales que (azaradamente) cruzam a jornada deste herói renegado (como a Bond-girl Olga Kurylenko, atriz de “Quantum of Solace”). Todavia, Payne parece se perder no meio destas preposições mal-costuradas, reagindo de forma menos chamativa do que sua experta contraparte poligonal. Eles até mostram certo sincronismo (a temática do longa-metragem é bastante similar ao texto original), porém, acabam se distanciando frente ao acabamento dualístico, contrapondo os limites e/ou as qualidades de duas mídias (co-irmãs) aparentemente “incompatíveis”. Termo que impede o sucesso “absoluto” destas fadadas adaptações. Há tempos.

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Sessão ESPECIAL de DVD’s – “Nós não estamos sozinhos”, diz Spielberg

FILME: Contatos Imediatos do Terceiro Grau – Edição Especial Tripla (Close Encounters of the Third Kind – 30th Anniversary Ultimate Edition) EUA, 1977/1980/2007 – Ficção Científica – 238 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Uma das peças primordiais na filmografia de Steven Spielberg, “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) carrega alguns dos relatos cinematográficos mais inteligentes (aka interessantes) sobre o peculiaríssimo fenômeno UFO, mostrando-o numa faceta “realista” e distante das “vertentes” pouco pacíficas encontradas costumeiramente na belicosa ficção científica ao estilo “Guerra dos Mundos” (1953). Produzido após o arrasa-quarteirão “Tubarão” (1975), o longa se lambuja da importante mão mágica do criador de “E.T.” (1982), pontuando suas passagens com uma sensação maravilhosa de plena “fantasia adulta”.

Atraindo expectadores e o próprio personagem de Richard Dreyfuss para uma busca – compulsória – pelos tais objetos luminosos “não identificados” que cruzam os céus estadunidenses – até o acachapante “contato imediato” no sopé de uma montanha, quando assistimos (estupefatos) ao espetacular encontro de “terceiro grau” descrito pelo título. Spielberg esmiúça os tais OVNI’s, expondo muito das peculiaridades que marcam o tema, como as especulações científicas e os estranhos avistamentos. Sabiamente pontuando as ações através dos preceitos “fanáticos” de um homem comum (Dreyfuss), o recitado diretor vai construindo um crescente empolgante de descobertas (capitaneadas pela figura vivida pelo espetacular diretor/ator francês, François Truffaut), revelando inexplicáveis aparições repentinas de aeronaves e barcos antigos (dados como desaparecidos) nos pontos mais improváveis do globo. Sem contar as pessoas perseguindo – e sendo perseguidas – pelos diversos bólidos alienígenas.

Adendos que aumentam a emoção de uma trama alicerçada estritamente pelas elementares “5 notas famosas” criadas por John Williams (o emérito compósito da sexalogia “Star Wars”) ilustrando perfeitamente a comunicação musical (alegoricamente luminosa e multi-colorida) entre terráqueos/extraterrestres. Contando com este escore tão representativo e lindamente composto, a produção ornamenta o derivado final se esbaldando de efeitos especiais perfeitamente condizentes. Bem bolados pelo habilidoso Douglas Trumbull, eles adquirem uma importância fundamental nos momentos de potencializar o etéreo fascínio provocado pela impactante história, moldada na brilhante narrativa (apaixonadamente) pensada/escrita pessoalmente por Spielberg. Muito longe de parecer datado, “Contatos Imediatos” continua atualíssimo e condizente com as modernas discussões encontradas nas rodas ufológicas, mantendo sua integridade original intacta e re-valorizando algumas das seqüências “spielbergianas” mais lembradas pelos admiradores deste cultuado cineasta. Vide takes elementares como “a criança encoberta pela luz após abrir a porta” e/ou a (gigantesca) nave-mãe se aproximando da área de pouso.

Plenamente capaz de continuar mexendo com nosso imaginário coletivo, o longa na verdade evoluiu bastante através dos anos, ganhado até uma releitura diferente em 1980 (chamada de “Edição Especial”), quando Steven conseguiu finalizar várias das idéias inacabadas (ou sequer tocadas), sobretudo, pela urgência de antecipar o lançamento do filme, anteriormente previsto para 1978. Concertando o ritmo e agregando complementos importantíssimos pro sucesso atemporal da empreitada, esta “reedição” ficou marcada pela inclusão da (polêmica) encenação onde Richard vislumbra o interior da espaçonave alien. Todavia, recentemente Spielberg pôde refinar tal material, reparando e aparando arestas numa “versão do diretor” que suplanta as duas encarnações anteriores – reunindo o que ambas tinham de melhor. Excluindo o final citado acima e resgatando muito do fascínio nato pelo “desconhecido”. Insinuado, contudo, nunca estragando o clima de “mistério” anteriormente tão apregoado pela obra. Reconstituindo, assim, uma característica primordial – e indistinta – de “Contatos Imediatos” na sua forma “definitivamente definitiva”.

Extras

O DVD triplo de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” apresenta as três versões do clássico, acompanhadas de um ótimo documentário dividido tipo trilogia, além de materiais complementares, como trailers, vídeo-propaganda da época e uma inédita entrevista com o autor Steven Spielberg – falando dos 30 anos desta película-mestra, evento devidamente comemorado pelo pacote remasterizado. Virtualmente obrigatório para os colecionadores assíduos.

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Sessão de Cinema – Espelhando alguns equívocos da completa falta de sutileza

FILME: Espelhos do Medo (Mirrors) EUA, 2008 – Terror – 110 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

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Aterrissando aos montes em Hollywood, os remakes baseados em filmes orientais já se tornaram – praticamente – um subgênero dentro da “reciclada” cinematografia norte-americana. Sempre apostando em espíritos desgarrados (aka malévolos), estas obras inevitavelmente enfrentam um processo de completa descaracterização quando pisam em solo ocidental – território propício a sangrias fortes e explícitas – elementos secundários no oriente, onde as tramas se focam, sobretudo, na ambientação e no psicológico afetado de personagens/público.

Seguindo tal “defeito” congênito, “Espelhos do Medo” talvez seja a ninhada que tenha sofrido mais avalias nesta transposição entre vertentes narrativas tão diametralmente distintas. E cinematograficamente antagônicas. Adaptado do conto sul-coreano “Espelho” (lançado em 2003), a película trata o assunto (comumente encontrado nos co-irmãos “O Chamado” e “O Grito”) sem sutileza alguma, despejando seqüências violentas e entregando as surpresas da trama a cada anticlimático “efeito especial” fantasmagórico. Produzido e estrelado por Kiefer Sutherland, o protagonista do seriado “24 Horas”, a fita escorrega logo que escancara a “maldade” que freqüenta os tais espelhos que recheiam o produto, abarrotado por eles – a cada esquina ou cantinho fotografado pela câmera (mostrando-os até exageradamente, algo que beira a obsessão…).

Interpretando um ex-policial que tenta se virar como vigia noturno, Kiefer se convalece numa loja de conveniências abandonada – após um incêndio – descobrindo em suas jornadas noturnas os “Espelhos do Medo” sugeridos pelo título, que infernizam o sujeito lhe mostrando reflexos escabrosos, além de projetar alguns sons bem assustadores (em uníssono). Como se fosse uma “casa mal assombrada”, portanto. Contudo, o que a principio sugeriria uma grande contraposição entre a questionável veracidade de cada acontecimento e/ou uma possível peça pregada pela mente abalada da persona (ex-alcoólatra) de Sutherland (tentando se reerguer no novo emprego), termina sucumbindo bruscamente ao abraçar uma tramóia menos envolvente, onde logo fica nítido a origem sobrenatural destes fenômenos “inexplicáveis”. Que rapidamente desbocam numa alavancada final ao estilo “O Exorcista” (uma comparação penosa para qualquer filme do gênero – rivalizando-se com um “clássico”).

Assim, o diretor Alexandre Aja (autor de “Alta Tensão”) perde muito do interesse construído no início “climático”, banalizando os sustos prevendo-os antecipadamente nos momento onde a pirotecnia ganha destaque e os litros de sangue começam a jorrar – como se fossem os únicos itens aterrorizantes nas artimanhas cênicas utilizadas pela limitada produção. A cena da mandíbula destroçada, por exemplo, garante o arrepio daqueles que detestam imagens absurdamente violentas, doravante apostar numa direção não condizente com o contexto “agindo nas sombras” onde se insere. Longe de mexer com os brios do expectador rodado, a previsibilidade do teor fantasioso – que se apropria do conjunto original – prejudica o resultado final de maneira irreversível.

Transformando tudo numa mera exposição de “especilhos” encapetados, amparados por clichês efêmeros (pombas que se passam por assombrações barulhentas) e por uma quantidade dantesca de caretas patéticas (Kiefer principalmente), frutos da parca tensão sugestionada (justamente) nos instantes que deveriam “congelar a espinha”. Aprisionado por uma abordagem incapaz de dar total vazão ao “medo” desfilado pelos “espelhos” espalhados (sempre compulsoriamente) pela projeção, “Espelhos do Medo” empalidece diante das possibilidades abertas por um conceito tão interessante (o “mundo” refletido pelos vidros), deixando de aproveitar sua natureza “intimista” em prol do sangrento (e desgastado) festival fetichista – “americanizado” demais.

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