Arquivo do mês: fevereiro 2010

FILME: “Invictus” (Invictus) EUA, 2008 – Drama – 134 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2010. Retornando aos cinemas para comemorar 15 anos de vida e a tempo de esquentar os motores para os capítulos subseqüentes fazerem o mesmo, “Toy Story” reaparece nas telas grandes renovado pelo 3D mais moderno, entretanto, mantendo incólume muito do seu irresistível charme de outrora. Quando surgiu apresentando-se (em 1995) como o primeiro longa-metragem de animação feito totalmente em computação gráfica (se desconsiderarmos o caso do brasileiríssimo “Cassiopéia”, claro), criando toda uma indústria (hoje poderosa e lucrativa). E por conseqüência, reafirmando a “marca” da matriarca Disney, cujo “selo de qualidade” estava desgastado após alguns fracassos – além de alavancar a própria Pixar (dona da empreitada) ao patamar de principal produtora da área. Inquestionavelmente, pois ela nunca errou em suas aventuras pela Sétima Arte, permanecendo nos dias de hoje tão criativa e na vanguarda técnica quanto nos primórdios de seu debute cinematográfico. De uma divisão dentro da Lucasfilm, a casa de Woody e Cia. migrou dos premiados curtas de animação dos anos 80 para as telonas em sua vitoriosa fase “mickeymouseana”. Desenvolvendo clássicos instantâneos e de forma sucessiva, como “Procurando Nemo”, “Os Incríveis”, “Carros”, “Wall-E” e “UP”, que conquistaram prestígio e contribuíram bastante para o crescimento exponencial do gênero (característica histórica da empresa). Agora revisitado pela tecnologia tridimensional, o velho “Toy Story” ganha aqui uma nova “dimensão” (me perdoem o trocadilho), capaz de contentar as platéias modernas, num “banho de loja” eficiente tanto para agradar os fãs saudosistas quanto os que nunca assistiram a obra (ao menos, não apropriadamente na “sala escura”). Obra esta, aproveitando sua origem digital para espantosamente garantir uma transição acima do que é possível habitualmente nas películas não filmadas originalmente no formato 3D. Mostrando um pequeno aperitivo do que podemos esperar de “Toy Story 3”, produzido desde o início com os incrementos especiais das tais “três dimensões”. Um benefício ilustrativo mais do que bem-vindo para o espetáculo, mas que curiosamente acaba evidenciando outra peculiaridade desta empreitada “repaginada”: sua inspirada narrativa. Após tanto tempo, a saga dos brinquedos falantes (que tanto encantou o mundo) envelheceu muito bem e consegue esbanjar uma forma invejável, mesmo adquirindo uma séria desvantagem tecnológica comparando-o com os exemplares atuais. Assim, “Toy Story” reaparece relativamente defaso visualmente, apesar do upgrade tridimensional, contudo, isso apenas escancara o design quase imortal do produto e o carisma dos personagens principais (auxiliados pelas vozes famosas de seus interpretes, Tim Alley e Tom Hanks). Demonstrando que o enorme sucesso da Pixar sempre se derivou da força dos roteiros, não (somente) do poder de seus computadores “de ponta” – distinção extremamente visível agora que o foco claramente não é o esmero tecnológico, aqui já bastante “datado”. Lição que seria posteriormente muito bem assimilada pelas produções posteriores, estabelecendo um patamar que todos almejam atingir, todavia, somente alguns poucos conseguem chegar, via de regra. Méritos totais para o diretor John Lasseter, atualmente um dos “cabeças” do próprio conglomerado Disney, que sempre soube segurar – e principalmente soltar – as rédeas de seus comandados, fazendo-os se portarem mais como artistas do que como técnicos especializados em CGI (equívoco comum sob olhares leigos). Adquirindo, justamente, um rigor artístico de profunda raiz independente, mesmo quando a serviço do capitalista “cinemão” comercial hollywoodiano. Conquistando com tal ousadia, bilheterias expressivas sem precisar, porém, sacrificar nenhuma ambição maior ou menosprezar sua natural contribuição cultural. Valores raros de se ver. Principalmente novamente, como neste “aquecimento” para a vindoura maratona de “Storys” pela frente, abrindo espaço para experimentarmos outra vez os mesmos “elementos” antigos e fundamentais para o entendimento (e consagração) dos desenhos animados contemporâneos.

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