Sessão de Cinema – Quantum of Solace: James Bond renasce no século XXI

FILME: 007 – Quantum of Solace (Quantum of Solace) EUA, 2008 – Ação – 106 min. Resenha de Carlos Campos para o “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Reformulado em “Cassino Royale” (de Martin Campbell), 007 ganhou um novo (sisudo) interprete (o ótimo Daniel Craig) e agora continua se reinventando numa continuação direta da aventura predecessora – feito inédito na série (que sempre apresentou capítulos independentes entre si). “Quantum of Solace” começa no ponto exato em que findava a película anterior (de 2006), com Bond ressentindo a perda de Vesper (Eva Green) e perseguindo a organização secreta que se interpelou entre o recém-formado casal. Costurado por inúmeras seqüenciais de ação, o filme continua a desenvolver a personalidade de James, construindo – pouco a pouco – muitas das características marcantes desta figura icônica na Sétima Arte (vide seu charme/desprendimento com relação às mulheres).

Dirigido por Marc Forster, o mesmo de “A Última Ceia”, a vigésima segunda fita de James Bond ganha em movimentação, mas perde em dramaturgia se compararmos com a excelente ressurreição em “Royale”. Cuja mistura era melhor equilibrada. Inusitadamente, Marc, costumeiramente afeito a obras de profundo valor sentimental, preferiu caprichar no espetáculo em detrimento ao drama intimista, outrora, tão presentes em sua elogiável filmografia. Acelerando o ritmo da câmera no intento de fotografar seqüencialmente cenas e mais cenas de tiroteios e/ou perseguições – sempre mostradas com muita adrenalina. Claramente inspirados pelas vertiginosas peripécias de outro importante espião do cinema recente, Jason Bourne, “Quantum of Solace” apresenta o mesmo tipo de sinergia crua e violenta que encontramos na “contraparte genérica” (aka modernosa) estrelada por Matt Damon (passagens como a excelente luta nos telhados parecem ripadas sintomaticamente da trilogia Bourne). Assumindo, assim, um realismo cinematográfico que destoa completamente das proezas inverossímeis dos antigos Bonds (como Sean Connery e/ou Pierce Brosnan).

Craig, inclusive, colabora demasiadamente neste quesito. Valorizando uma interpretação seca que só demonstra a absoluta frieza do agente 007 – correspondente ao cinismo dos novos tempos – aqui, transformado numa perfeita máquina de matar calculista e virtualmente inabalável. Seguindo incansavelmente suas missões mesmo quando elas contrariam as diretivas do MI6, o famoso serviço secreto britânico. Encabeçada por M, novamente vivida pela dama Judi Dench, a agência segue as modernizações explícitas em seu revivido 00 (ou seja, com “licença para matar”), adquirindo equipamentos Hi-Tec e uma relação mais “desconfiada” com relação aos métodos e atitudes do atualizado Bond. Entrecortando imagens “desconexas” (ilustrativas e pautando certos ritmos que auxiliam muito a edição frenética), Forster acrescenta estilo ao pacote, miscigenando lirismos/abordagens extremamente brutais (a vigília escondida durante um espetáculo é bastante representativa neste sentido), mostrando uma inteligência impulsionada pela suntuosa testosterona.

Distinções quase inseparáveis no protagonista título – doravante ele estar a serviço (da Rainha) e de uma trama pouco empolgante. Com um vilão (Mathieu Amalric) nada impactante (no final das contas, revelando-se um mero lacaio) e uma Bond girl (Olga Kurylenco) meramente passável no âmbito de sua caracterização extremamente clichê (mesmo que a atriz seja, obrigatoriamente, bem bonita) – apoios tacanhos as (já paliativas) políticas internacionais co-relacionadas pelo enredo. Este, colocando Bond numa jornada mundial que atravessa 6 países (um recorde dentro da cinesérie), numa tentativa desesperada para desmascarar os negócios escusos envolvidos na disputa “ilegal” de “certo” bem natural – extremamente – precioso no século XXI. Elemento que ratifica a mudança de prumo adotada pelos produtores, cada vez mais, interessados em repaginar a “imortal” criação de Ian Fleming – em direção ao futuro.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s