Sessão de Cinema – Tropeçando nos desafios contínuos de Jigsaw

FILME: Jogos Mortais V (Saw V) EUA, 2008 – Terror/Suspense – 92 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Por vezes, o cinema cria “Jasons” que se recusam a morrer, pelo menos, enquanto seus longas estiveram rendendo alguns bons montantes de dinheiro. Mais do que uma resistência ao passamento pessoal, estas “ressurreições cinematográficas” adquirem forças apoiando-se na ganância dos produtores, ávidos em usar/abusar destes “pesadelos” lucrativos. Uma pré-condição capitalista nem um pouco inalcançável se considerarmos o prestígio destas marcas, que arrastam expectadores a cada lançamento –  fora o baixo custo de produção, inerente nas empreitadas estilo “Jogos Mortais V”, filmado sob orçamento controlado – e contando com uma expectativa de retorno (quase sempre) garantido.

Em muito, devido ao sucesso Cult da película original (de 2004), que lhe entrega fieis seguidores, anualmente. Independente da qualidade criativa do novo longa-metragem, prejudicada pela falta de verdadeiro apoio financeiro/humano (a direção, por exemplo, ficou a cargo de David Hackl, um mero “desenhista de produção” no primeiro “Jogos Mortais”). Aleijado de profissionais com maior gabarito, o quinto capítulo insiste em espremer um bagaço que já foi chupado até o último caldo. Jigsaw já está morto, obviamente (vide “Jogos Mortais IV”). Mas nada que impeça seu (comentado) retorno, seja através de flashbacks e/ou vídeos ao estilo: “se estiver vendo isso, significa que eu não estou vivo…”.

Tobin Bell, felizmente, regressa ao psicótico personagem (que valorizou sua carreira), claro, recebendo um ótimo salário e (agora) acompanhado de um cúmplice, este, continuando as ciladas doentias de seu falecido tutor. Assim, as mortíferas armadilhas continuam a “purificar” suas vitimas, entretanto, sem a graça ou o terror psicológico de outrora. Afinal, elas já se tornaram, enfim, repetitivas. Sem novidade alguma. Além de pouco acrescentar a atual trama, enraizada basicamente na perseguição mútua entre detetive Hoffman (Costas Mandylor) e agente Strahm (Scott Patterson). Rivais que freqüentam vertentes opostas num tabuleiro criminal submetido ao conjunto de investigações que resvalam na lembrança de figuras (tipo Danny Glover, “aparecendo” através de fotografias) e cenários já visitados ao longo da série (reaproveitando peças cenográficas inteiras – ripadas para poupar despesas “desnecessárias”).

Registros que se propõem a amarrar diversas pontas “soltas” e solucionar este caso insolúvel (esticado demasiadamente numa quintologia). Só que sequer finalizando em definitivo, obviamente, deixando ganchos – programados de antemão – para uma eventual “continuação”. Elementos “saudosistas” que agradarão (especialmente) os admiradores assíduos, compondo um painel sobre o enredo geral que permeia os cinco “Jogos Mortais”. Apesar deles exigirem irrevogavelmente certo conhecimento prévio dos expectadores, jogados numa conjuntura interconectada de eventos que, caso contrário, não se esclarecem nem apelando pra fatídica exibição (logo na abertura de “Jogos Mortais V”) das tais “cenas do capítulo anterior”. Adendo que consome minutos preciosos de filme para construir um lembrete pouco valido – desconsiderando os preciosos cifrões poupados na reutilização destas passagens (claramente) recicladas.

Aliadas a escuridão exposta sistematicamente no restante da empobrecida fotografia, um recurso “artístico” de intenção dúbia, podendo ser utilizado (disfarçadamente) tanto para dar climatização quanto para “mascarar” os parcos recursos desprendidos durante as gravações (afinal, nada vemos em meio ao breu). Pobreza acentuada pela própria aquisição de um elenco virtualmente “desconhecido”, portanto, incapaz de garantir a aparente ilusão bem-sucedida da obra, cuja boa arrecadação nas bilheterias (aka importância dentro do gênero) destoa do visível esgotamento da franquia, que se diminui na medida em que os advindos “Jogos Mortais” continuam sendo míseros “caça-níqueis”.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s