Sessão de Cinema – Formando um High School Musical pras grandes telas

FILME: High School Musical 3: Ano de Formatura (High School Musical 3: Senior Year) EUA, 2008 – Musical/Infantil – 112 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Nascido na televisão, onde emplacou dois telefilmes de enorme sucesso no Disney Channel, “High School Musical” ganhou crédito suficiente para migrar (enfim) pras telonas, despontando como um “fenômeno jovem” que (gananciosamente) tenta fechar as cortinas em grande estilo, completando nos cinemas o ciclo iniciado com a exibição do primeiro longa nas telinhas americanas (em 2006). Mantendo seus cotados aspectos “dramáticos” intactos, o longa-metragem aproveita pra festejar um importante ritual de passagem, adotando, para tanto, o representativo subtítulo “Ano de Formatura” (ou “Senior Year”, no original).

Um nome que resume perfeitamente sua trama, ambientada nos instantes que antecedem o final do colegial, explorando – por conseqüência – a despedida da velha turma de escola. E claro, todos eles aparecem para dar “adeus” aos gloriosos tempos de adolescente. Acontece que, celebrando este momento tão único, os personagens resolvem bolar uma última peça, onde soltarão a voz e entoarão cada pensamento lírico extravasado após este difícil período de escolhas/mudanças definitivas – vencendo dificuldades e se preparando para adentrar na complicada vida adulta. Produzido exclusivamente para agradar seus fãs (principalmente os absolutamente fiéis), “High School” se torna virtualmente impossível de ser classificado – ou sequer subentendido – para expectadores que não tenham a mínima simpatia (prévia) pela (agora) “trilogia”.

Fica até difícil estabelecer/qualificar se o filme é bom ou ruim, já que a cotação dependerá justamente do “nível de paixonite” que cada um expressar por este conjunto “Musical”. De certo, quem costuma guardar pôsteres de Zac Efron, Vanessa Hudgens e Ashley Tisdale na porta do quarto, provavelmente, curtirá a sessão muito mais do que os cinéfilos alheios aos nomes citados acima – notórios para os admiradores assíduos e virtualmente desconhecidos para outros públicos. Centrando seus esforços para entreter aproveitando o fervor consumista dos grupos pré-adolescentes (sobretudo feminino), a empreitada consegue o feito de apresentar um gênero extremamente difícil (aka incomum) para as platéias juvenis, criando um musical estilo conto-de-fadas que colore o mundo real com canções doces, interesses amorosos idealizados e historinhas típicas dos “campeões de audiência jovem”. No estilo “Malhação” e Cia.

Contentando seu público-alvo na proporção em que se torna completamente intragável para quem já “passou da idade” e/ou virou sínico demais para encarar algumas destas situações – exageradamente – romanceadas. Sem contar os sujeitos que detestam (por excelência) obras retratando gente que sai cantando (e dançando) cada sentimento pelas ruas repletas de figurantes dançarinos… Estes, certamente surtariam com os gracejos “divertidos/ritmados” que as “estrelas principais” Efron, Hudgens e Tisdale protagonizam sem o menor constrangimento. Todavia, mesmo tendo a direção do coreógrafo Kenny Ortega (igualmente responsável pelos longas anteriores), a película parece desperdiçar a tal peça teatral ensaiada (exaustivamente) pelos alunos. Ilustrativamente, ela deveria servir de desafogo para o elenco despejar seus desejos e medos, intercalando melhor as passagens musicais, contudo, o artifício pouco parece destrinchar além do trivial “que roupa vou vestir pro baile de formatura?”.

Deixando para os “números solo” que enlaçam o título (nas situações “extra-palco”) o apuro de esmiuçar o íntimo das personas que freqüentam este mal-aproveitado “ensaio terapêutico”. Um deslize que até menospreza o potencial da idéia, que poderia redirecionar os “instantes de cantoria” para sentenças e locais mais apropriados. Evitando, conseqüentemente, algumas “liberdades artísticas” desnecessárias, vide quando figurantes surgem – irritantemente do nada – só para implementarem o embalo dos “garotos” no “playground/ferro-velho” – desaparecendo (inexplicavelmente) no instante em que a música finda. Um ato estranho, inclusive, para os padrões “surreais” de um “High School Musical”.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s