Sessão DVD’s – Da magia aos pixels

ESPECIAL TV/Cinema Digital: Da magia aos pixels”. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

O cinema surgiu sendo comparado com a magia, não só pela “mágica” exibida pelas histórias fantasiosas, mas pela própria engenhosidade em si – capaz de simular o movimento projetando imagens seqüenciais de 24 quadros por segundo. Contudo, o advento da TV deixou o cinema menos “mágico”, afinal, havia se tornado truque barato criar imagens em movimento. Porém, uma coisa persistia: a grandiosidade inerente dos longas-metragens. O tamanho da tela, o contraste, a cor, tudo parecia conspirar para a obtenção de uma imagem perfeita – apesar dos borrões ocasionais – nas telonas do cinema.

Coube ao circo da televisão perceber o abismo que separava as duas mídias. Se no início a saída era contrastar o formato do programa televisivo para não haver comparações com a obra cinematográfica (evitando precisamente a competição direta entre meios tão dispares), hoje a saída é chegar ao padrão da Sétima Arte – ou quem sabe superá-lo – usando das mais avançadas tecnologias na TV digital.

Esta nova arena para a dramaturgia vem encurtando as distâncias que historicamente separavam cinema & televisão, produzindo um agregado “híbrido” com qualidade (visual e sonora) de última geração. Transportando toda a estrutura da sala escura para o interior de nossas casas. Todavia, o cinema contra-ataca renovando seus “truques”, apelando pro mesmo poderio digitalizante, criando um novo “formato” que desvinculado do cinemão tradicional promete retomar o impacto do advento das salas de cinema – ressurgidas no ápice do pixel e sob a tumba do projetor de filmes.

Cinema digital basicamente se resume ao processo de transformar a peça audiovisual em dados processados no espaço virtual criado pelas engenhocas computadorizadas, etapa bastante comum na televisão, onde o suporte digital é inerente ao próprio formato televisivo, que transforma a imagem em impulsos eletrônicos, retransmitido-os para os receptores instalados nos aparelhos caseiros. Agora esse suporte adentra a arena cinematográfica, misturando padrões e modificando e experiência filmológica com a utilização das salas digitalmente preparadas para a exibição de qualquer produto nascido “virtualmente”, ou seja, é possível realizar um antigo sonho dos freqüentadores de cinema: sintonizar uma emissora na tela grande.

Se nos últimos tempos vimos a televisão se aproximar do cinema, adotando inclusive as proporções do famoso widescreen (uma das principais modificações trazidas pela televisão digital), fica nítido que as produções cinematográficas também assumirão características televisivas, no sentido delas serem veiculadas nos cinemas assim como as películas já são transmitidas nas telinhas. Só que desta vez utilizando-se de uma mesma linguagem, capaz de manter as “definições originais”, independente do veículo que a transmita, posteriormente.

As vantagens do sistema digital

Vivemos nestes últimos anos uma época de grandes avanços no terreno da “Alta Definição”. A popularização da computação ajudou a promover o rápido desenvolvimento tecnológico responsável pela aplicação dos mecanismos virtuais em todos os veículos de comunicação. Dos quais o cinema, assim como todas as ademais mídias de vanguarda, tenta se adequar, apelando pra uma realidade onde o cinema não mais será construído através de “filmes”. Pasmem! É ilusionismo puro: as obras cinematográficas não serão mais gravadas em películas, pois graças à tecnologia digital as imagens e os sons são gravados em poderosos HDs, desvinculando a captação do processo físico de armazenamento – feito pelos antiquados rolos, estes, eliminados no sistema que se ampara no campo virtual para captar, armazenar, copiar e distribuir os filmes. Concentrando a linha de produção num único aparelho: o computador.

As vantagens da gravação digital são inúmeras, primeiramente, o controle sobre a qualidade da imagem captada é mais preciso pela própria configuração adotada, que permite a manipulação direta dos quadros, resultando um produto base livre dos problemas físicos comuns no antigo sistema de projeção de filmes. Assim vão se embora todas as imperfeições que a imagem pode apresentar – vide os borrões que aparecem ocasionalmente, frutos da exposição a sujeiras e outras imperfeições geradas pela manipulação química. Eventos que prejudicavam o resultado final, gradativamente perdendo sua qualidade devido ao manuseio de uma fita tão sensível as intempéries. A repaginada digital inclusive permite ao cineasta mexer em sua cria, buscando aspectos mais precisos com relação a sua visão cinematográfica. No mundo digital, todos os aspectos visuais podem ser trabalhados: a cor, a iluminação, o contraste… Propriedades que fazem a diferença nos cinemas. Ou seja, o que já era atraente, pode ficar ainda mais irresistível – dentro e fora de casa.

Outro grande atrativo para o cinema digital é a sua praticidade, como todo o processo apóia-se em computadores, seus idealizadores estão livres dos limites físicos de um didatismo que necessitava ser estanque. Antigamente, a imagem registrada precisava passar por todo um processo de “revelação” para voltar às mãos dos responsáveis, que só então, faziam a avaliação dos resultados obtidos. No campo digital não existe esse “tempo de espera”, sendo que a imagem estará à disposição do cineasta imediatamente após a captação – e sujeita a modificações imediatas, se assim for necessário. O armazenamento do material coletado também se tornou mais seguro, pois os dados registrados podem ser copiados e rapidamente transportados, seja em rede ou através da gravação direta em CDs e DVDs. Transformando as coisas, definitivamente, num trabalho coletivo – onde os profissionais atuarão quase que simultaneamente, sem ter que esperar o término de uma etapa para (então) começar outra.

As barreiras do cinema digital

Como qualquer outra “revolução” a transposição do cinema tradicional para o cinema digital divide opiniões, existem os contra e os a favor, todavia, cedo ou tarde a era digital invadirá o cinema – decorrência de um processo natural no desenvolvimento das mídias convergentes (vide o Home Video). A questão, portanto, não é ideológica, e sim prática, investigando mecanismos que derrubem as barreiras que emperram a implantação do modelo digital na cinematografia moderna.

O repúdio ao novo formato se explica primordialmente pela questão financeira. A conversão do antigo sistema de projeção para a digital representa um custo exorbitante que ninguém parece disposto a pagar – um empecilho que vale-se da pergunta: de quem é responsabilidade por financiar essa “transformação”?

Os donos dos cinemas esperam que sejam os estúdios, para tanto, alegando que o (gigantesco) investimento para tal empreendimento representaria a quebra de muitos estabelecimentos. Para os produtores, por sua vez, o problema é a própria resistência primordial desses empresários, receosos demais em começar os investimentos necessários – já que, uma vez iniciada, o custo de uma sala digital tende a ser compatível com o custo de uma sala convencional.

Outra preocupação dos “detratores” é a pirataria – que cresce violentamente e encontraria no cinema digital uma maneira rápida de se expandir, simplesmente,  “ripando” o armazenamento de dados, seja em HDs, BluRay, DVDs ou CDs. Suportes que reduzem os custos e agilizam a distribuição tanto dos produtos oficiais quanto dos “alternativos”. Para eles, a implantação do sistema digital deveria estar respaldada por sistemas eficazes contra a “cópia clandestina”. Por exemplo, a própria transmissão – direta – dos sinais audiovisuais via satélite para os cinemas (facilitando o atendimento de certas demandas reprogramando o número/seqüência de sessões nas praças “multimídia”) pode afundar ante o perigo deste “sinal” ser interceptado e retransmitido – sem a autorização dos titulares, claro.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Matérias

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s