Sessão de Cinema – ‘Renaissance’ das animações em computação gráfica

FILME: Renaissance (Renaissance) França, 2006 – Animação/Noir – 105 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Uma ficção científica noir. Esta é a surpreendente proposta da animação “Renaissance”, uma produção européia que abusa de sua estilizada fotografia em “preto & branco” para obter uma qualidade visual distinta e esplendorosa, que imediatamente nos remete aos grandes “clássicos policiais” de outrora – com suas ambientações soturnas, histórias detetivescas e femme-fatales no fiel da balança entre crime/justiça. Elementos que se juntam ao forte teor futurista (tipicamente cyberpunk) agregado a película, desdobrando uma trama co-envolvendo assassinatos conspiratórios e corporações super tecnológicas, numa linha temporal “alternativa” (ao estilo “Blade Runner – O Caçador de Andróides”) onde o velho e o novo se juntam. Complementariamente. Dentro e fora das telas.

Usando de um processo chamado Motion Capture (similar ao empregado em “Scanner Darkly”), o diretor Christian Volckman “animou” seus personagens coletando a “interpretação” dos atores – que atuavam na frente do famigerado bluescreen (com roupas especialmente forradas de sensores) – convertendo estas “informações” em modelos animados que se travestem de desenhos “tradicionais” (através da computação gráfica). O resultado é um fabuloso retrato formado por imagens primorosas, com o contraste marcante e as especificidades inerentes dos filmes noirs. Numa comparação óbvia, a empreitada lembra bastante uma versão animada de “Sin City” (que recentemente ganhou uma excelente adaptação live-action para os cinemas), transcorrendo num contexto (só que sci-fi) extremamente familiar aos registrados na niilista obra de Frank Miller. Inclusive, igualmente utilizando-se das outras cores (de forma muito dosada/eventual), intercalando o restante da palheta com uma experiência cromática extremamente representativa na dialética mistura entre tons – majoritariamente – brancos ou escuros.

Baseado num conceito derivado do “expressionismo alemão” que tanto influenciou o cinema, principalmente, nos anos 30, cada “frame rate” de “Renaissance” se torna uma exuberante experiência filmística, impulsionada pela vanguardista exploração “foto-sintética”. Além de ser extremamente condizente com o teor aludido pelas luzes e sombras obrigatórias em qualquer espécime similar. Conjugando perfeitamente suas diversificadas tendências cinematográficas, Volckman desenvolve um simulacro pulsante entre “desenho e realidade”, descambando num produto adulto e tecnicamente primoroso quanto ao  acabamento final –  virtualmente impecável, com exceção de alguns sombreamentos irregulares, sobretudo, nas expressões faciais. “Miudeza”, diria, perto da beleza estética apresentada durante a projeção – como um todo – perfeccionista ao ponto de entorpecer os expectadores, estes, pasmos diante do espetáculo letárgico que permeia cada seqüência. Imagética ou textualmente.

Da chuva gráfica até os lirismos policialescos dos arquétipos reunidos pelo enredo lapidar, uma “coletânea” dos cacoetes mais empregados na tradicional literatura noir (com direito a frases chavão e situações elementares nesta categoria, vide o tema “policial durão que se envolve com uma das vitimas”). Não poderiam faltar, também, algumas vozes conhecidas no elenco principal (afinal, o produto é “de ponta”). Algo afiançado pela presença do ‘James Bond’ Daniel Graig, na versão dublada em inglês – que ainda conta com as importantes presenças de Romola Garai (“Desejo e Reparação”), Jonathan Price (“Piratas do Caribe”) e Ian Holm (“Senhor dos Anéis”). Um timaço que não faz feio ao encontrado no original em francês. Cujo título bem poderia representar o “renascimento” dos próprios desenhos animados, neste caso, travestindo-se de uma inspirada ótica atemporal – empregando modernas ferramentas digitais para simular a “escola narrativa” que lhe ampara, categoricamente.

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