Sessão de Cinema – As faces opostas de dois atores excepcionais

FILME: As Duas Faces da Lei (Righteous Kill) EUA, 2008 – Policial/Suspense – 101 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Eles são dois dos maiores atores norte-americanos de todos os tempos. Sem sombra de dúvida. Já atuaram em clássicos como “O Poderoso Chefão 2” (de 1974) e colocaram seus lembrados nomes no importante “Hall da Fama”. Contudo, Al Pacino e Robert De Nilo pouco trabalharam juntos, apesar de serem velhos conhecidos um do outro. A primeira vez em que contracenaram na mesma cena foi em “Fogo Contra Fogo” (de 1995), onde viviam antagonistas e chegaram a trocar algumas rápidas palavras durante os incipientes momentos finais… Apenas.

Uma inserção tacanha se levarmos em conta a onipresente presença cênica de ambos (já ressaltadas acima). Foram necessários, portanto, 34 anos (desde que co-protagonizaram a – importante – seqüência de “The Godfather” sem se encontrarem, pois estavam em linhas temporais distintas) para que os dois dividissem um filme completo, aparecendo lado a lado, o tempo inteiro. Como os cinéfilos gostariam de ver. Há muitas e muitas décadas. “As Duas Faces da Lei”, portanto, é a realização de um sonho comungado por muitos amantes do cinema, reunindo (finalmente) uma dupla de atores maravilhosos (e gigantes). Mas que infelizmente não vivem o auge de suas respectivas carreiras. Algo estampado assim que a atual película apresenta sua fraquíssima trama (uma constante na recente filmografia deles), envolvendo um assassino serial que está sendo investigado pelos parceiros policiais vividos por Pacino e De Nilo.

Com características (e limites) de seriado policial, o longa-metragem investe num thriller comum aos encontrados nos enlatados americanos do gênero. Investindo numa trama que nada se diferencia dos casos episódicos que assistimos nos similares televisivos, Jon Avnet entrega uma direção condizente. Burocrática nos meandros da cinematografia e perfeitamente formatada na dramaturgia típica da telinha. Talvez por confiar demais no talento (irretocável) de seus protagonistas, o autor de “88 Minutos” (que tinha De Nilo no elenco) limita-se ao básico, filmando tudo através de closes entrecortados.

Mostrando (de perto) o duelo artístico entre os comparsas oscarizados, quase como se o recitado cineasta dependesse exclusivamente deste “duelo de titãs” (afinal, não é disso que o filme se trata?) para fazer render suas enfraquecidas traquinagens/condução de câmera. E neste ponto a empreita não deixa nada a desejar, até estimulando comparações publicas sobre seus astros, ao ponto dos fãs poderem debater – eternamente – sobre qual “fera” obteve a melhor atuação, Pacino ou De Nilo – que alimentam esta saudável competição a cada momento “de embate”, onde aparentam se divertir um bocado (sem qualquer vaidade perceptível). Investindo em inúmeras brincadeiras (algumas clássicas, vide a piada dos “anos de parceria”) que servem para unir seus papéis correspondentes – ainda mais – dentro destas “duas faces da lei”.

Química que auxilia a acertar o ritmo dialético do produto. Tentando se articular entre duas linhas completamente distintas, uma delas, fazendo o “drama” girar na busca pela identidade secreta do assassino (que está limpando as ruas com sangue) e outra se focando na luta (contra o tempo) para prendê-lo, já que podemos antever (facilmente) quem está por detrás destes assassinatos programados. Uma “pequena surpresinha” (ou reviravolta) que se evidencia prematuramente na proporção em que tudo grita (expertamente?) para o “lado contrário”. Balançando uma rede de enganosas conspirações que transgridem sua função no conjunto, amarrando centenas de ganchos (que deveriam ser secretos) sob bases tão previamente marcadas de vermelho. Estas, perceptíveis por todos. Menos paras as personas envolvidas, obviamente.

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