Sessão de Cinema – O perigo dos remakes em Bangkok

FILME: Perigo em Bangkok (Bangkok Dangerous) EUA, 2008 – Ação/Policial/Suspense – 99 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Nicolas Cage bem que tentou sair do marasmo que tomou conta de sua atribulada carreira nos últimos anos. Tentou. Mas não conseguiu. Ao apostar neste remake de “Bangkok Dangerous” (1999), sob os cuidados dos mesmos diretores do original, Oxide e Danny Pang, o astro de fitas irregulares como “O Vidente” (2007) e “Motoqueiro Fantasma” (2007) estava disposto a algo novo, entrando num thiller com a tarimba diferenciada dos citados cineastas chineses (que debutaram nos EUA com o morno “Assombração” de 2007). O resultado é uma projeção com diversas peculiaridades da filmologia chinesa, contudo, “estilo” não é nada quando abstraído de um conteúdo fraco/limitado, e este é o grande equívoco deste refilmado “Perigo em Bangkok”.

Amontoado de clichês pouco convidativos, a história base nos remete a um assassino profissional em sua última missão (claro) antes da aposentadoria. Seguindo algumas regras de sobrevivência “padrão” dentro do gênero, o personagem (vivido por Cage) segue “lemas canônicos” como não deixar rastros (nem fazer perguntas) ou se envolver com pessoas alheias. Ou seja, ele é um “fantasma”. Passando, categoricamente, o mais despercebido possível do mundo, que ignora sua existência, uma dádiva perfeita para alguém que trabalha recebendo encomendas igualmente “secretas”. Todavia, tudo muda quando o sujeito cruza a fronteira que o mantém afastado da civilização, ao arranjar um pupilo na exótica Tailândia e se enamorar por uma das simpáticas garotas locais (o real “perigo” aludido pelo título). Duas decisões que poderão por abaixo seus irretocáveis requisitos de bom “matador profissional”.

Abusando de temáticas e situações comuns, Oxide e Danny balanceiam o conjunto (formado por obviedades triviais) com uma narrativa repleta de simbolismos interessantes, por exemplo, fazendo a câmera perder o foco e filmando pessoas através de reflexos, elementos que reforçam a visão turva da figura composta por Nicholas (aqui, atuando no piloto automático, agindo como se estivesse eternamente cansado). Cujo olhar “invertido” das coisas fica bem representado no retrato (de ponta cabeça) colocado em sua casa. Desfocado do confuso ambiente geral e apegado aos detalhes necessários (como os olhos das vítimas, um toque filosófico bastante oriental), tal matador de aluguel realiza suas chacinas de maneira impecável, lógico, cometendo alguns deslizes só para que tenhamos motivo para acompanhar algumas requentadas “seqüências de ação”, com perseguições e tiroteios (enfadonhos – de tão desgastados).

Afinal de contas, a obra seria soporífica demais se sempre mantivesse o esquema de monótona “morte silenciosa sem deixar vestígios” – uma artimanha realista mais pouco cinematográfica. Convenhamos. Em termos de cinema, os irmãos Pang até acertam ao promoverem o espetáculo, passeando pelas ruas de Bangkok como se suas lentes fossem acopladas as máquinas fotográficas dos turistas que lotam a chamativa região. Mostrando os ambientes, normalmente noturnos e forrados por neon, enquanto esmiúçam, na surdina, as táticas investidas de Cage. Numa delas, contudo, durante um assalto inesperado, a “deixa” visual mostrando o “derramamento de sangue tocando os inocentes” é tão improvável que o longa adquire ares cômicos verdadeiramente indesejados, vide a igualmente risonha passagem pela apimentada comida tradicional, que destoa bastante da seriedade – sombria – tecida no restante da película.

Produzida para confrontar a versão chinesa do conto, “Perigo” carece de temas que suportem o arrojo como suas tramas repetitivas são registradas. Causando uma estranheza e uma falta de encaixe total que apenas escancara o quanto é difícil reaproveitar um texto já aproveitado anteriormente pelos mesmos criadores responsáveis – nesta altura, travados pela falta de total originalidade. Seja ela criada nas comparações normais com a produção anterior e/ou nas (nítidas) dificuldades de “tradução” para a cultura norte-americana.

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