Sessão de Cinema – A implacável busca por justiceiros cinematográficos

FILME: Busca Implacável (Taken) França, 2008 – Ação/Suspense – 93 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Em linhas gerais, este filme não deve em nada aos thillers protagonizados por gente como Charles Bronson e Steven Seagal. Com a diferença de ser uma produção francesa (falada em Inglês) e ter como “estrela maior” um ator ganhador do Oscar. Neste caso, o “mestre Jedi” Liam Neeson (que levou a referida estatueta por “A Lista de Schindler” em 1993), participativamente emulando um personagem a altura das figuras imortalizadas pelos eméritos “justiceiros” citados acima. Escrita por Luc Besson, autor de “O Quinto Elemento” (1995) e dirigida pelo ex-diretor de fotografia da série “Carga Explosiva”, Pierre Morel, a produção arrisca-se no pragmatismo do gênero, entregando uma história – tipicamente – esquemática, onde um agente aposentado (como sempre) precisa salvar sua filha seqüestrada.

Se necessário, fazendo “justiça com as próprias mãos”, passando por cima das instituições (corruptas) e/ou de qualquer capanga “brucutu” que se embrenhe contra ele. Exatamente como seria nas filmografias de Bronson/Seagal. E seguindo este conceito, Morel consegue transformar o elegante Neeson (que ainda mantém muito deste requinte) num tipo de matador frio, calculista e completamente obcecado pelo resgate de sua descuidada “criança” (de 17 anos…). Nem que tenha que apelar pros “talentos secretos” para “dar cabo da tarefa”, algo evidenciado na (sensacional) melhor cena do longa, quando Liam explana (logo no início) sobre suas “mortais habilidades”, via telefone, para um dos seqüestradores – alertando o pobre coitado sobre os riscos de mexer (descuidadamente) com a família de alguém tão “talhado no ramo”, cuja periculosidade é completamente ignorada pelos bandidos.

Para infelicidade dos mesmos. Afinal, eles não passam de meros contratempos no caminho de um pai vingativo. Capaz de declarar “guerra” contra tudo/todos só para atingir seu objetivo, agindo com rápida violência e desprovido de qualquer misericórdia. Quase como se estivesse citando a famosa “não brinque com quem está quieto…”. Aliás, uma característica mostrada na última morte da película, um momento lapidar para entendermos a “falta de perdão” dos que se aventuram neste “submundo”, onde inocentes sofrem e juízes/júris “das ruas” se incumbem de caçar os culpados, até a última gota de sangue. Todavia, apesar de contar com um interessante elenco principal, de estipe superior a trama (até Famke Janssen, a Fênix na “Trilogia X-Men”, aparece rapidamente), a empreitada, lamentavelmente, soa bastante repetitiva – sobretudo se levarmos em conta o vasto histórico de produtos similares.

Batendo nas mesmas teclas de inúmeras outras sagas policialescas, Besson cria um universo efêmero e absolutamente genérico, datando sua incongruente narrativa com uma seqüência infindável de idiossincrasias, construindo (sistematicamente) passagens previsíveis e pasteurizadas (vide os maneirismos inócuos de Pierre, extremamente irregular na péssima condução da câmera, normalmente mal posicionada). Diluindo a experiência numa projeção batida com perseguições fúteis e matanças múltiplas, como poderíamos supor de antemão. Dá inclusive para antever como cada sujeito (de ficha corrida na polícia) será apunhalado, alvejado e/ou torturado pelo “anti-herói” em sua destrutiva “busca implacável”. Usando da mesma brutalidade (impiedosa) que fez a carreira (e a fama) de muitos “Bronsons” e “Seagals” no cinema.

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