Sessão de Cinema – Correndo contra a mortífera linha de chegada

FILME: Corrida Mortal (Death Race) EUA, 2008 – Ficção Científica  – 89 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Pode ser que você conheça o original, “Death Race 2000”, filmado em 1975 sob a produção de Roger Corman – um conhecido “papa” das produções de “baixo orçamento”. Inferior em conteúdo, contudo, superior em efeitos pirotécnicos, esta refilmagem, chamada “Corrida Mortal”, injeta litros extras de testosterona a antiga fórmula sanguinolenta, recriada pelo mesmo Corman e finalizada pelos adendos estilísticos do irregular diretor Paul W. S. Anderson, homônimo do cineasta Paul T. Anderson, este último, autor do aclamado “Sangue Negro” (2007).

O Paul em questão, o “W.S.”, sempre filmou obras que, de certa forma, enamoravam com os tais “filmes B”, vide “Resident Evil: O Hóspede Maldito” (2002) e “Aliens vs. Predador” (2004), encontrando neste projeto a oportunidade perfeita para explorar o gênero como nunca havia feito anteriormente. Já Roger, providencia uma excelência técnica e um orçamento razoavelmente acima dos minguados investimentos que sempre dispôs em suas paupérrimas películas. Unindo as duas vertentes, temos um longa-metragem que bebe de suas origens, mesmo quando embalado em aspectos estéticos mais encorpados. Ou seja, explosões a parte, o conteúdo é tão absurdo quanto pedem os fãs puristas. Na trama estapafúrdia, corridas mortais são disputadas pelos presidiários num caótico futuro próximo (os textos de abertura tentam explicar a situação, completamente inexplicável), se digladiando em busca do “prêmio máximo” concedido aos que mofam entre as grades: a liberdade.

Isso tudo, sendo transmitido para os milhões de expectadores que assinam o pacote “destrutivo” e recebem a exclusiva transmissão, ao vivo e sem cortes, deste massacre humano (cheirando a óleo). Como num videogame, os competidores dotam seus bólidos de armas e outros apetrechos para vencer (e/ou matar) seus concorrentes diretos. Transformando, assim, cada etapa em batalhas ásperas (tanto pela sobrevivência quanto pela sonhada bandeirada final). Organizada pela própria diretora da penitenciária, vivida pela atriz Joan Allen (da “Trilogia Bourne”), as competições são “livres” até onde vão os interesses da inescrupulosa mandatária, resultando em mais violências, espiral esta, que resultará na injusta prisão do personagem central, interpretado pelo “astro das fitas de ação”, Jason Statham (o mesmo da cinesérie “Carga Explosiva”). Aqui, interpretando um ex-piloto que (claro) precisa entrar neste sanguinolento “circuito de corridas” para que a justiça seja feita, de fato.

Apelando para a adrenalina das curvas perigosas, e nas “gostosas” que se postam como navegadoras dos pilotos prisioneiros, a empreitada entrega um “campeão” com marcas nítidas de borracha, correndo sujo e nojento com pedem os mandamentos da cartilha comum ao tipo de filmografia emulada pelo comandante Anderson. O interessante é que as (já comentadas) comparações com os jogos eletrônicos até contaminam como as “voltas” são filmadas, adicionando detalhes gamemaníacos como as “cargas de energia” que se espalham pela pista e incrementam o desempenho dos carros, dando armas e maior proteção para aqueles que passam por eles. Só o “número de vidas” parece destoar das contrapartes jogáveis, já que os (sempre estereotipados) participantes da carnificina estão longe de obter direito a “continue infinito”.

Agradável ao olhar aficionado e tenebroso perante os detratores, a peça resultante perde certo “sentido crítico” comum ao homólogo lançado nos anos 70 (cuja deterioração social exemplificava melhor o decadente período). Algo que deve desagradar os fãs ardorosos do título refilmado, em contraponto ao combustível dado as máquinas “tunadas”, mais “velozes e furiosas” do que antes – artimanha que deve angariar alguns novos simpatizantes, principalmente homens jovens. O público-alvo deste e de outras tantas peças “bombadas” a base de muito – mais muito – hormônio (cinematograficamente) masculino.

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