Sessão de Cinema – A ‘Babilônia’ dos duros bastidores de Hollywood

FILME: Missão Babilônia (Babylon A.D.) EUA, 2008 – Ação/Ficção Científica – 90 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”.

Divulgação

Justa ou injustamente, existem filmes que são detonados pela crítica especializada. Tanto quanto alguns longas são exaltados por ela, em contraponto ao azedume dos analistas mais exigentes. Todavia, são os ócios do oficio, diria. Contudo, o que poderia ser dito sobre uma obra achincalhada de antemão pelo próprio diretor e pelo (mundialmente famoso) astro da companhia? É o caso deste fatídico “Missão Babilônia”, mal falado até mesmo pela dupla responsável: o cineasta francês Mathieu Kassovitz (o mesmo de “Rios Vermelhos” e “Na Companhia do Medo”) e o ator Vin Diesel (de “A Batalha de Riddick” e “Velozes e Furiosos”). A explicação para tamanho linchamento gratuito? O estúdio (Fox) teria ficado completamente desgostoso com o produto entregue pelos dois artistas e remodelado a película, sem a nuança dos profissionais citados, que desancaram publicamente as mudanças inseridas pelo alto escalão. Estes, acusados de suavizar e estragar a “mensagem” propagandeada no longa-metragem, em prol de uma montagem que melhor atendesse “certas” demandas comerciais.

Sendo verdadeiras ou não, o fato é que desavenças assim são comuns em Hollywood, assim como fica evidente que as críticas negativas se justificam, basta notarmos as “qualidades” cinematográficas da fita. Cuja trama, passada num futuro pós-apocalíptico próximo, mostra um mercenário (Vin) precisando transportar uma moça misteriosa da Mongólia até os EUA. Enfrentando, para tanto, bandos ocultos que tentam colocar as mãos na valiosa passageira (com ares de “mercadoria”). Entretanto, no formato mal acabado em que está, fica difícil pré-dizermos se os problemas desta “Missão” surgiram das depredações denunciadas acima ou se tais defeitos são originários do longa metragem, alternativa que justificaria a “ação” dos produtores, aparentemente, forçados a remodelar o conteúdo para salvá-lo de seus equívocos crassos. Assim sendo, apesar das intempestivas declarações contrárias ao acabamento final, não seria sensato isentar Mathieu/Diesel de todos os pecados desta empreitada malfadada. Muito dos desarranjos da projeção atual estão no seu enredo e nas formas imaturas como seus acontecimentos são contextualizados.

Ok, muita coisa parece realmente faltar. Ou não se encaixar. Por exemplo, a apagada repercussão sobre os Tigres mostrados na primeira metade do filme, um contraponto que deveria servir de suporte as importantes questões aventadas durante o desenrolar final, contudo, em nenhum momento estes temas básicos (como a religião e sua relação com a “mercadorização” das coisas) aparecem melhor fundamentados, ou retocados nos momentos apropriados. Perdendo-se completamente o sentido destas inserções, mostradas sem qualquer conotação maior, sobretudo, nas tomadas com símbolos religiosos ou nas grandes propagandas que – propositadamente – surgem estampadas. Afetando, inclusive, as passagens onde a mão do filmmaker ganha força, denotando momentos “independentes” sem qualquer “interferência alheia”.

Mesmo nestes casos, o retrato desta “babilônia futurista” carece de solida profundidade. Resvalando em questionamentos naturalmente enfraquecidos pela forma tacanha como eles foram idealizados, filmados e/ou finalizados. Transbordando um descuido que transpassa o avacalhado conto. Mau-gosto instigado pelas péssimas escolhas de todos os participantes (sem exceção) desta ficção científica pouco criativa. Limitada a se amparar em cenários fraquíssimos, ação corriqueira e figurinos extremamente mal desenvolvidos, elementos que – com certeza – não foram substituídos nas investidas dos engravatados “endemonizados”. No fim, o balaio está tão absurdamente caracterizado que se torna virtualmente impossível atribuir responsabilidades individuais para os “culpados” deste retumbante fracasso. Lamentável enquanto cinema e pior ainda enquanto exemplo de desrespeito ao público. Não por acaso, as potenciais vítimas desta distorcida cinematografia.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Críticas

2 Respostas para “Sessão de Cinema – A ‘Babilônia’ dos duros bastidores de Hollywood

  1. Luana

    olha…gostei da materia…porem…. vcs cometeram um erro ou passaram um erro p frente…talvez por ter feito sua fama e seus melhores filmes serem franceses todos julgam o mathieu kassovitz frances…..só q ele nao é….ele é RUSSO….nascido em bolgrod ou moscow nao sei direito…

  2. Carlos Campos

    Olá Luana, fico feliz q tenha gostado da resenha e agradeço d+ teu comentário, todavia, os dados biográficos que colhemos nos sites/bancos de dados especializados em cinema, como o mundialmente conhecido imdb.com, registram que Mathieu Kassovitz nasceu em Paris no dia 3 de agosto (ou abril segundo a wikipédia, por exemplo) de 1967. Valeu pelo carinho e nos visite sempre q quiser^^

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s