Maratona de Animes Vol. XII – Sessão DVD’s: “Final Fantasy”

FILME: Final Fantasy (Final Fantasy: The Spirits Within) EUA/Japão, 2001 – Ficção Científica  – 106 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Antes de “Final Fantasy VII Advent Children”, a ilustre produtora Square já havia se aventurado nos terrenos da Sétima Arte usando de sua franquia mais conhecida, desenvolvendo o projeto “Final Fantasy : The Spirits Within” (em 2001), sob a direção de Hironobu Sakaguchi, o próprio criador da franquia. Alardeado pelo realismo de suas imagens (geradas totalmente em computação gráfica), o longa apresentava um conto inédito – sem qualquer referência aos inúmeros “co-irmãos” previamente lançados nos videogames – seguindo portanto, os moldes da linha “Final Fantasy”, com tramas e ambientações completamente desconexas, onde cada game é “exclusivo” e/ou independente dos outros.

Tendendo a um foto-realismo inexistente nas animações em CG do período, “The Spirits Within” foi uma inusitada co-produção EUA/Japão, integrando técnicas de animação e cacoetes narrativos que pretendiam satisfazer (simultaneamente) tanto públicos orientais quanto ocidentais. Contudo, o choque cultural e a (já datada) tecnologia empregada (esta, ainda em seus estágios iniciais de desenvolvimento), colaboraram profundamente para naufragar uma epopéia existencialista que provavelmente funcionaria se não carregasse o peso “do nome” título. Sakaguchi bolou um conceito interessante (envolvendo espíritos em busca pela sobrevivência), mas equivocou-se ao enraizar sua nova cria no campo da ficção cientifica, enquanto os games da linha sempre se portaram como claras fantasias (algumas, tecnológicas).

Uma mudança de gênero profundamente infeliz, desconectando “The Spirits Within” das características históricas do produto que deveria “adaptar”. Longe do universo mágico e das ambientações estilo “capa-espada” que permeiam tal linhagem gamemaníaca, a película funciona dentro de parâmetros pessoais, pecando profundamente na hora de recriar o âmbito fantástico típico de qualquer FF. Uma mudança que limita a graça de sua história bem acabada. Principalmente, quando esquecemos que ela não preenche os esperados requisitos “final fantasianos”. Contando com um elenco hollywoodiano, a empreitada, inclusive, apega-se comercialmente nas vozes de atores conhecidos mundialmente, como Ming-Na Wen, Donald Sutherland, Alec Baldwin, Ving Rhames, James Woods e Steve Buscemi. Todavia, a rigidez dos bonecos animados (menos fluídos se compararmos com os empregados em “Advent”, por exemplo) impede que estas “atuações” sejam realmente aproveitadas.

Com pouca expressividade, os protagonistas digitais parecem decentes quando olhamos pelos fotogramas estáticos, todavia, perdem feio nas imagens projetadas nas telas, uma disparidade que surge no contraste das esquisitas expressões corporais/faciais aplicadas a eles. Na pele virtual da Dr. Aki Ross, Ming-Na interpreta a figura central, uma cientista envolta nos mistérios desta aparente invasão de “espectros alienígenas”. Lembrada por ter sido a Chun-Li na polêmica adaptação americana de “Street Fighter” (em 1994), a moça empresta uma entonação condizente, se destacando em diversos momentos, ganhado a simpatia do público logo na abertura, quando somos apresentados aos (tragicamente belos) sonhos oníricos de Ross, um tema que se repete constantemente ao longo da projeção. Destacando o único conceito capaz de nos remeter aos lirismos extraídos diretamente de “Final Fantasy”.

De resto, sobra um apanhado (divergente) formado por seqüências amparadas nos longas-metragens de ação (com todas as idiossincrasias possíveis dentro do gênero, só evidenciando o choque cultural entre os cinematografias americanas/japonesas), algumas mortes assustadoras (os “invasores” devoram, literalmente, a alma de suas vitimas) e um inerente romance, peça dramática padrão dentro do “cinemão” norte-americano. (In)devidamente reunidos num formato que pode agradar os fãs das sagas sci-fi (e desagradar os amantes de FF). Doravante, se considerarmos sua forte mensagem espiritual, concretizada quando os créditos finais sobem ao som de Lara Fabian (“The Dream Within”) e L’Arc-and-Ciel (“Spirit Dreams Inside”), respectivamente.

Extras

O material que preenche o DVD duplo de “Final Fantasy : The Spirits Within” é de uma vastidão elogiável. Acompanhando o filme, temos duas faixas de comentários de áudio, mais a opção de assisti-lo com adendos textuais e comparações visuais, ambos, primorosos na elucidativa amostragem dos processos cinematográficos registrados por eles. Sobretudo, por serem legendados em português (opção presente em todos os bônus). No segundo disco, concentram-se, por sua vez, diversos documentários que repassam cada um dos processos envolvidos na confecção desta aventura, somado a curiosidades do tipo “erros de gravação” e “abertura original”.

Tudo incrementado pelo “ovo de coelho” – devidamente embalado por “certa” música de Michael Jackson. Fora a sessão de fotos de Aki… E os saudáveis extras no DVD-ROM, acompanhamentos interessantes e bem-acabados. Fazendo a festa dos expectadores que adoram destrinchar cada making off disponível. Principalmente, quando eles são desse jeito, fartos e diversos.

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