Maratona de Animes Vol. X – Sessão DVD’s: “O Reino dos Gatos”

FILME: O Reino dos Gatos (The Cat Returns) Japão, 2002 – Animação/Fantasia/Infanto-Juvenil  – 75 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Logo na capa, já encontramos todas as referencias necessárias para sermos devidamente apresentados a este (semi-desconhecido em terras brasileiras) “O reino dos Gatos”. A inscrição “Dos Mesmos Criadores de ‘A Viagem de Chihiro’” se torna o chamariz perfeito pra um filme produzido pelo mesmo Studio Ghibli das obras de Hayao Miyazaki, que aqui assume o papel de produtor-executivo, levando as telas um conto fantástico ao estilo de sua filmografia, impregnada de eloqüentes fantasias – sem quaisquer barreiras culturais ou restrições quanto as indicações etárias. Mas o interessante desta empreitada foi ter sido idealizada/efetuada, digamos, de uma forma bastante inusitada…

A peça fora baseado no mangá de Aoi Hiragi e no longa “Whisper of the Heart” de 1995, cujo enredo, sobre uma garotinha que virava escritora de romance fantástico, fez Miyazaki e Cia, então responsáveis pelo produto, receberem incontáveis pedidos para adaptar – igualmente – este extremamente bem-quisto “conto dentro do conto” (que rapidamente chamou a devida atenção das platéias nipônicas, sedentas por mais aventuras dos felinos que empesteavam o citado exemplar). Não é de se estranhar, portanto, que a presente película tenha recebido um título em Inglês extremamente condizente: “The Cat Returns”, quando chegou ao Ocidente. Sob a direção de Hiroyuki Morita (um veterano animador da Ghibli, com farta experiência no gênero), “O Reino” evoluiu ao poucos até atingir o escopo do longa-metragem atual, lançado no Japão em 2003 numa clara resposta a crescente demanda popular.

O resultado é um conjunto com algumas irregularidades, fazendo da fita um apanhado interessante (dentro de sua proposta), mas claramente desenvolvido para públicos mais específicos do que seus “semelhantes” assinados por Hayao. Absorvendo características de epopéia juvenil, “O Reino dos Gatos” entrega passagens agradáveis tanto para as meninas (a cena em que a personagem principal entra na casa do Barão é nitidamente uma compilação das famosas “casinhas de bonecas”) quanto pros meninos (vide as apresentações circenses que, em determinados momentos, criam embaraços pueris e uma dura decisão do Rei). Todavia, as mocinhas terão muito mais para desfrutar do que seus parceiros masculinos, principalmente, considerando-se o ideário nobre-cortes desprendido aos heróis peludos e, claro, pela identificação imediata com a colegial Haru, enrascada após salvar um gato “herdeiro”, recebendo do bando “real” muitos presentes (questionáveis sob olhares humanos) de agradecimento.

Algo que mobilizará o tal “Reino” ao ponto deles lhe oferecerem um casamento “arranjado” com o príncipe local. Feito que a transformará na própria espécie que insiste em celebrar estas estranhas “homenagens”. Permeando o conceito com apreços/meiguices que só os amantes destes estimados bichos de estimação saberão reconhecer, Morita entrega uma narrativa menos envolvente e universal do que vemos em “Chihiro”, calcando uma jornada que desencanta nas marcações menos encorpadas (reféns das limitações impostas pelo texto, por vezes, pouco imaginativo e incapaz de explorar a sociedade felina – muito apequenada neste formato pré-concebido de parcos gatunos).

Todavia, a atração nunca deixa de atrair expectadores quando se aproveita de seus figurativismos antropomórficos, estes, elementares para o bom desenrolar do correto conteúdo. Afinal de contas, estamos tratando de gatos que falam e agem como seres humanos. Ou vice-versa, vide muitos dos maneirismos incorporados ao comportamento de Haru (que ganhou a voz de Anne Hathaway na versão americana, vale citar). Atingindo, todavia, o esperado grau de virtuosidade – espelhada – com os tais gatinhos, idealizados na “ficção da ficção” de Hiragi e engrandecidos pelos carinhosos contornos deste pronto “retorno”.

Extras

Lamentavelmente, nenhum material adicional foi disponibilizado neste econômico pacote – absolutamente desprovido de atrações “extras”.

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