Maratona de Animes Vol. IX – Sessão DVD’s: “Tokyo Godfathers”

FILME: Tokyo Godfathers (Tokyo Godfathers) Japão, 2003 – Animação/Drama/Comédia  – 92 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Um presente natalino. É a adjetivação mínima que “Tokyo Godfather” merece receber depois de ajudar a quebrar tantos paradigmas. Por exemplo, para aqueles que ainda tratam desenho como sendo “coisa exclusiva de criança”, uma rápida olhada neste título, provavelmente, irá fazê-los mudar de idéia – radicalmente. Longe das temáticas fantasiosas e aventureiras típicas dos animes mais conhecidos, “Tokyo” é um drama humano e realista que explora de maneira impecável a solidez de seu conto “solidário”. Muito triste em determinados momentos, e por demais engraçados em diversos outros, devo ressaltar.

Na trama, três sem-teto (sim, existe pobreza no Japão, pode acreditar) encontram um bebê abandonado (viu, isso não acontece só no Brasil) deixado no meio das lixeiras, em pleno Natal. Formados por desajustados (um bêbado, uma garota que fugiu de casa e uma drag queen que sonha em ser mulher e “mãe”), os protagonistas logo assumem para si a tarefa de cuidar da desprotegida criança, enquanto procuram informações sobre sua “aparição” misteriosa. Entre andanças e algumas mamadeiras quentinhas, cada um dos desafortunados “padrinhos” (ou “godfathers” em Inglês) termina embarcando numa jornada de redenção pessoal, expondo seus próprios problemas enquanto tentam resolver os da pequena “adotada” por eles. Primoroso no seu relato, por vezes cômico, mas nunca menos do que emocionante, a história nos leva pelos mesmos caminhos tortuosos que estas figuras – excluídas socialmente – são obrigadas a transpassar (agüentando bastante frio, fome e violência), todos os dias, nos becos escuros de uma Tokyo suburbana (cujos cenários de fundo recriam diversas localidades reais desta importante cidade japonesa).

Poucos produtos ousariam andar por “vizinhanças” assim, entretanto, seu mergulho entre personas tão desfavorecidas, mostrando um lado do cotidiano nipônico que poucos conhecem no Ocidente, acaba servindo justamente como balanço dramático para que possamos acreditar, fidedignamente, nos pequenos milagres que aparecem ao longo da romaria realizada por estes transeuntes, ao aceitarem o difícil fardo de protegerem o desabrigado recém-nascido. Numa sucessão de eventos marcantes, mostrado das formas mais inesperadas possíveis, aliás, seguindo a tradição dos “encontros e desencontros” tocados pela mão do inexplicável destino. Dirigido pelo excepcional Satoshi Kon, autor de invejável gabarito e idealizador de películas mundialmente reconhecidas, como “Paprika” (2007) e “Perfect Blue” (1997), “Tokyo Godfathers” desperta no público um turbilhão de sentimentos profundos e verdadeiros, como poucos longas (animados ou não) conseguem estimular com tamanho êxito.

Kon dota tal miraculoso exemplar de uma alma que falta a muitos das fitas co-irmãs, traçando um apanhado extremamente honesto das virtudes (e defeitos) dos homens e mulheres focados por ele. Algo que lhe permite brincar com um conjunto de “heróis” atípicos, aqui, formados por uma transformista, um alcoólatra e uma gordinha foragida, cujas características destoam totalmente dos mocinhos e mocinhas encontradas – costumeiramente – na filmografia do gênero. Demonstrando um sentimentalismo que se evade para outros importantes aspectos desta preciosa empreitada, cujas dimensões psicológicas, inclusive, rivalizam com o apurado desempenho técnico pintado (lindamente) nas telonas. Aos cuidados da Madhouse, um dos principais estúdios da área, os visuais de “Tokyo Godfathers” adquirem um capricho até inesperado se considerarmos sua vertente intimista, atingindo assim, patamares técnicos tão ricos e cativantes quanto os fascinantes “transeuntes” postos (deliberadamente) em “primeiro plano” pela criativa imaginação de Satoshi. Sempre extrapolando limites e redefinindo novos patamares para seus romances cinematográficas.

Extras

Além dos infalíveis trailers (extremamente triviais nestes pacotes), o material extra de “Tokyo Godfather” se resume a um ligeiro documentário, felizmente legendado em português, sobre sua realização e posterior lançamento. Um bônus pequeno se considerarmos a excelência deste longa-metragem.

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