Maratona de Animes Vol. VII – Sessão DVD’s: “Steamboy”

FILME: Steamboy (Steamboy) Japão, 2004 – Animação/Ficção Científica/SteamPunk  – 126 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Foram sete anos de produção para “Steamboy” ser lançado. E mais de 15 anos para Katsuhiro Otomo assumir novamente a direção de um longa-metragem com tamanho suporte (transformado no mais caro da história na animação nipônica, ao custo de US$ 22 milhões), após todo o alvoroço que sua obra-prima, “Akira”, despertou ao chegar às telonas japonesas em 1988. Depois de passar por diversos projetos diferentes, brincando com curtas (vide “Memories”) e auxiliando outras empreitadas importantes (roteirizando, por exemplo, o ótimo anime “Metrópolis”), Katsuhiro emplacou uma empreitada extremamente sofisticada, dispondo de todos os avanços tecnológicos obtidos no desenvolvimento de seus títulos prévios (que sempre buscaram integrar computação gráfica com células de animação tradicional, da forma mais natural possível).

Todavia, aquém ao desempenho técnico, responsável pela longa jornada desde sua idealização até o debute em 2004, fica claro que o ponto forte deste trabalho é sua inesperada ambientação. Fugindo do que poderíamos esperar do homem que criou a futurista Neo-Tokyo, “Steamboy” muda completamente o foco das ficções científicas de Otomo, migrando para uma Inglaterra pós-Revolução Industrial, mesclando a indumentária da época com toques de pseudociência, elevando o maquinário do século XIX para construtos avançadíssimos. Mesmo que não perdendo nenhuma das características, muito menos o design, dos antigos engenhos movidos a vapor. Vapor que é mesmo o mote da trama (explicitado pelo próprio título), retratando disputas por uma nova forma de usá-lo, transformando-o numa fonte inesgotável de energia. Algo que açoitará a família Steam, que mantêm a tradição familiar de repassar os dotes da ciência e o sonho do desenvolvimento tão comum ao período.

Começando numa utópica Manchester maravilhosamente bem desenvolvida, o filme adquire vida através de uma direção de arte extremamente feliz na hora de equilibrar a difícil balança entre manter a fantasia e respeitar o retrato histórico. Com cenários e maquinarias detalhadas, Katsuhiro consegue desenvolver o ambiente perfeito para sua aventura juvenil (um “target” custoso, levando em conta seu potencial adulto). Lotando-a de perseguições, questionamentos sobre o bom (ou mal) uso das “modernosas invenções” e de figuras muito a frente do seu tempo. Estimulando um cenário onde genialidade e loucura são faces adjacentes, ao menos, na mente dos diversos cientistas que protagonizam a “atemporal” narrativa. Evidentemente, qualquer comparação crua com “Akira” seria injusta, devido ao status que a “mais importante” realização de Otomo adquiriu com o passar dos anos, e mantendo isso em mente, “Steamboy” se torna uma atração verdadeiramente agradável para o público. Seja pelo espetáculo visual (muito apurado) ou pela dinâmica das caracterizações londrinas (cujo clímax se dá durante uma importante exposição científica mundial, vitimada pela “exibição” de uma batalha campal).

Outro ponto a ser realçado é a dublagem americana, em adendo ao ótimo desempenho dos atores japoneses. Honrando a importância de um produto impregnado de atrativos, os americanos providenciaram uma escalação lotada de nomes famosos no debute Ocidental, chamando a atenção até dos apreciadores xiitas do “áudio original”. O trio principal da presente película acabou ganhando as simpáticas vozes de Alfred Molina (o popular Dr. Octopus de “Homem-Aranha 2”), Patrick Stewart e Anna Paquin (respectivamente, o Professor Xavier e a heroína Vampira da cinesérie X-Men). Todos eles têm carisma e se saem muito bem na função de dubladores (Paquin, ganhadora do Oscar por “A Pianista” em 2001, inclusive, surpreende no papel de um menino (!), justamente, o “Steamboy” que apelida o filme). Incrementando e agregando elementos suficientes para agradar expectadores de todo mundo.

Extras

Mesmo vindo num DVD simples, “Steamboy” tem um farto material adicional, que inclui trailers, galerias de arte, comparações de cenas (em estágios diferentes de desenvolvimento), além de uma entrevista com o diretor Katsuhiro Otomo. Contudo, os maiores destaques são o diferente making off exibido em telas múltiplas e os bastidores da dublagem nos EUA, com Alfred Molina, Patrick Stewart e Anna Paquin matando diversas curiosidades sobre suas participações. Tudo devidamente legendado em português, o que conta bastante, sobretudo, com menus animados, caso raro nos animes que desembarcam no mercado brasileiro.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Críticas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s