Maratona de Animes Vol. VI – Sessão DVD’s: “Metrópolis de Osamu Tezuka”

FILME: Metrópolis de Osamu Tezuka (Osamu Tezuka’s Metropolis) Japão, 2001 – Animação/Ficção Científica – 109 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

O que poderíamos esperar se, digamos, Steven Spielberg escrevesse um roteiro baseado num conto esquecido de Walt Disney, a pedido de um ex-animador de Mickey Mouse interessado em usar as ferramentas de animação mais modernas da Pixar Animation para adaptar à obra de seu falecido mestre? “Metrópolis” concretiza esse tipo de “timaço criativo”, com nomes diferentes, mas igualmente impactantes, principalmente, dentro do cenário das animações japonesas. Releitura de um dos trabalhos primordiais de Osamu Tezuka (“Deus” do gênero e criador de clássicos primordiais como “Astro Boy” de 1952), a empreitada (que homenageia o cultuado longa – homônimo – de Fritz Lang) investe nos traços característicos do “pai do mangá”, na direção de Rintaro (que trabalhou por anos com Tezuka e dirigiu obras elogiadas como “Galaxy Express 999” de 1979) e na capacidade técnica da Madhouse (um dos principais estúdios de animação do mundo). Além do esperto texto de Katsuhiro Otomo (o aclamado criador do mega-sucesso de 1988, “Akira”).

O resultado final explicita, em cada um dos seus frames, o invejável talento dos envolvidos, realçando a inabalável importância cultural das tematizações de Osamu, representativas até hoje. Elaborado em 1949, esta pequena ficção científica ganhou os necessários upgrades cosméticos que merecia, ressurgindo em 2001 como uma película charmosa e bem produzida, que saúda seu icônico “idealizador” reapresentando (e repaginando) uma de suas historietas menos conhecidas (até mesmo entre os admiradores mais ferrenhos). A decisão de Rintaro em remodelar tal cria de Tezuka até gerou algumas polêmicas (principalmente depois das mudanças proporcionadas por Otomo, que chegou a introduzir um personagem ausente no original, Rock, filho do magnata/vilão Conde Red, entre outras mexidinhas pontuais…), que só aumentaram a enorme expectativa na época do lançamento. Principalmente depois da negativa do próprio Osamu, que quando ainda vivo torceu o nariz para o projeto (que só ganhou sinal verde anos depois, devido à insistência de seus realizadores, que foram bater as portas da Tezuka Productions em busca de apoio).

Contudo, o filme como um todo (felizmente) funciona e agrega mais do que prejudica o importante legado de “Metrópolis”. A começar pela fidelidade nas caracterizações dos personagens, que aparentam terem sido rascunhados pelas próprias mãos habilidosas de Tezuka, cujo apelo enquanto artista lhe valia inúmeras comparações, todas justificadas, com Walt Disney. Assim, o produto, em seu simulacro eficiente (dotado de enorme capricho), abusa da poderosa computação gráfica (na hora de dar substância as gigantescas paisagens da mega-cidade título) e se socorre na segurança da animação tradicional quando o assunto é manter o encanto dos ícones “caricatos” de Tezuka intactos. Para tanto, garantindo dentro e fora das telas uma fusão harmoniosa entre visuais retrô e tecnologia “de ponta”.

Tudo embalado pela excelente trilha sonora jazzística de Toshiyuki Honda, que consegue legitimar esse senso comum de “passado e presente reunidos” com méritos, chegando a preencher (durante minutos) o clímax final – este, particularmente lotado de efeitos especiais de última geração – com a deleitosa/saudosa “I Can’t Stop Loving You” na voz do histórico interprete Ray Charles. Num lirismo delicioso (só não conto mais para não estragar a importante seqüência) e representativo das idéias atemporais transpassadas pelo produto. Que precisou esperar pouco mais de meio século para (enfim) ser redescoberto. Isso, graças a insistência/teimosia de Rintaro.

Extras

“Metrópolis” vem embalado num DVD duplo com o filme (e alguns trailers) no primeiro disco, concentrando o restante do “material adicional” no segundo. Nele, encontramos galeria de imagens, montagens e algumas informações textuais. O problema é a ausência completa de legendas – disponíveis apenas em Inglês (!). Algo que prejudica, sobretudo, o bom documentário sobre a realização do desenho e o co-relacionado extra com as entrevistas. Interessantes, porém, inacessíveis para quem não conseguir traduzi-los para o português. Lamentavelmente, pois muitos vão perder momentos e declarações interessantes, vide quando o diretor Rintaro afirma (com muito bom humor) temer ser atormentado pelo fantasma de Tezuka ao finalizar um filme que seu antigo mentor havia proibido – de forma tão veemente.

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