Maratona de Animes Vol. V – Sessão DVD’s: “Katsuhiro Otomo’s Memories”

FILME: Katsuhiro Otomo Apresenta Memories (Katsuhiro Otomo Presents Memories) Japão, 1995 – Animação/Ficção Científica – 113 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Depois de se consagrar com “Akira”, lançado em 1988 como um marco instantâneo da animação japonesa, o autor Katsuhiro Otomo preferiu, curiosamente, deixar os longas-metragens um pouco de lado para cuidar de diversos projetos menores, mais pessoais, e elaborados na forma de curtas-metragens (basicamente) desprovidos de grandes pretensões comerciais. Baseados em pequenos contos do próprio Otomo, estas peças originalmente visavam o mercado do Home Vídeo, entretanto, acabaram chegando aos cinemas nipônicos (em 1995) na forma deste elogiado “Memories”, uma coletânea de três sagas completamente distintas, mas lapidares para entendermos muitas das idéias (recheadas da mais pura ficção científica) do lendário Katsuhiro em suas “viagens” criativas.

Batizado elementarmente de “Katsuhiro Otomo apresenta Memories”, a reunião destes micro-enredos (bastante contrastantes entre si) viria a se tornar um experimento cinematográfico extremamente valido e bastante curioso, principalmente, por utilizar alguns talentos capazes de expandir a visão do tutor título, garantindo, sobretudo, a variedade destas atrações, como os produtores almejaram desde o início. Assim sendo, dois diretores foram chamados para auxiliar Otomo, cada um deles, assumindo o comando de um capítulo.

Koji Morimoto (que mais recentemente dirigiu um dos segmentos do projeto “Animatrix” dos irmãos Wachowski) ficou a cargo da historieta de abertura, “Magnetic Rose”, sobre um estranho S.O.S emitido por uma estação espacial aparentemente abandonada numa região pouco convidativa a visitantes. Com um tom quase fantasmagórico e apelando para questões existencialistas, o capítulo inicial consegue reunir notórias temáticas sci-fi (comumente) apreciadas pelos fãs inveterados do gênero. Talvez por ser o mais longo dessa “trilogia” de curtas, “Magnetic” tenha o enredo mais profundo, além de explorar o estranho pedido de socorro utilizando-se de um ritmo lento e metódico, algo adequado para se criar toda a tensão necessária para envolver (física e psicologicamente) o grupo de “garis espaciais” que respondem ao inesperado “chamado”. Vale destacar também a trilha sonora, condizente com o ambiente arrepiante e com os ademais personagens.

Já para “Stink Bomb”, o episódio “do meio” desta seleção, a cadeira de direção ficou a cargo de Tensai Okamura (animador de séries famosas, como “Neon Genesis Evangelion” de 1995), que assumiu, prontamente, a faceta cômica desta tríade. Abusando no humor negro e investindo numa arma letal sem precedentes (nomeada no título), o modesto episódio garante a cômica diversão até o surpreendente esquete final. Com um estilo peculiar e descontraído, “Bomb” é a porção leve deste banquete, ou seja, ideal para nos distrairmos durante a pequena “pausa” entre os episódios mais pesados de “Memories”.

Fechando as cortinas com virtuosidade, Otomo em pessoa volta a direção na terceira empreitada, “Cannon Fodder”, um retrato niilista e impactante sobre uma sociedade futurista (totalmente militarista) que está imersa numa guerra sem maiores justificativas (ou esperança de acabar). Tecnicamente, se trata do fragmento melhor acabado do grupo, com um design rascunhado e icônico servindo como contraponto as suas tomadas audaciosas, recheadas de takes contínuos (isso, takes contínuos!) que dão um verdadeiro show de animação. Mesclando cuidadosamente desenhos tradicionais e computação gráfica de forma sincronizada e/ou disfarçada, Katsuhiro relata em pura linguagem cinematográfica uma jornada visual pelo estranho regimento que se apresenta diante do público, expressando muito através de pouco falatório ou “filosofismos” do tipo. Alcançando um grau de experimentalismo apropriado para alguém de tamanho currículo. Chocando na proporção em que nos fascina na brevidade tão significativa de seus “intermináveis” passeios “sem corte”. O que, por si só, já faz valer todo (e qualquer) investimento neste “Memories”.

Extras

Não existe nada mais decepcionante do que extras tão pouco condizentes com a qualidade do produto que acompanham. Lamentavelmente, este é justamente o pecado de “Katsuhiro Otomo apresenta Memories”. Para começar (mal), todos os menus estão em Inglês, algo que (por incrível que possa parecer) não chega a incomodar tanto quanto a falta de legendas em português no único extra disponibilizado no material adicional – além dos trailers, lógico. Assim, o documentário incluso no pacote é desperdiçado dando um nó no coração dos amantes das necessariamente fartas “edições de colecionador”.

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