Maratona de Animes Vol. III – Sessão DVD’s: “Appleseed Ex Machina”

FILME: Appleseed Ex Machina (Appleseed Ex machina) Japão, 2007 – Animação/Ficção Científica – 103 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Poucas animações conseguiriam ter o nível de estilização deste “Appleseed Ex Machina”. Lançado no Japão em 2007, esta adaptação do mangá homônimo oitentista de Masamune Shirow (o mesmo autor do mega-sucesso “Ghost in the Shell”) não se destaca apenas pelo primor de sua computação gráfica diferenciada (com ares de animação tradicional), mas principalmente pela inclusão de um estilo narrativo incofundível – graças à presença de John Woo (de “Missão Impossível II”) em sua equipe criativa.

Considerado um mestre do cinema de ação, o citado cineasta fez história em Hong Kong, criando cacoetes cinematográficos que são parte integrante de sua vitoriosa filmografia na área. Que agora inclui esta animação japonesa produzida por ele e dirigida por Shinji Aramaki, veterano animador responsável pelos Mechas (como são chamados aqueles típicos robôs gigantes) de clássicos como “Bubblegum Crisis” (de 1987). Construtos que, evidentemente, também fazem parte desta espetacular mistura entre dois universos platonicamente distintos: cinema chinês e animações japonesas. Woo acrescenta ao formato dos animes muito de suas marcas mais conhecidas, como pausas e acelerações para realçar pequenos momentos em meio aos tiroteios, balas ricocheteando e cápsulas tombando pelo caminho, empunhadura de duas armas simultaneamente, além, é claro, das estimadas pombas voando pelo écran. E o resultado é uma colagem extremamente atraente. As idiossincrasias de John se encaixam perfeitamente no âmbito desta seqüência do  “Appleseed” antecessor (longa este, lançado em 2004).

Neste mundo futurista, onde corporações lutam pelo controle do mundo enquanto esquadrões hi-tech tentam manter a paz e a ordem, o cineasta abandona suas recentes influências hollywoodianas para retornar as origens, resgatando alguns dos temas que fizeram sua carreira na Ásia. De forma similar, Arameki adentra um território que lhe é bastante familiar. Caprichando nas máquinas tanto quanto exigem os mais fetichistas e fanáticos pelo gênero, mostrando máquinas super detalhadas e complexamente bem desenhadas. Com esse visual e segundo as instruções do manual Woo de direção, “ Ex Machina” consegue pinçar elementos “diferentes” mesmo passeando por conceitos tão comuns aos desenhos nipônicos. Lógico que o conto original criado por Shirow, por si só, apresenta muitas das mesmas fábulas atrativas que encantam expectadores e fazem a graça (faz tempo) de suas obras mais famosas, assim sendo, tanto os dois longas-metragens quanto a (futura) série televisiva (esta, ainda em estágio de produção), carregam muito dessa igual característica, independente das mudanças/releituras nesta transposição para as telonas – repleta de concessões cosméticas.

Entretanto, balanceada suficientemente pelas adições de dois profissionais tão competentes quanto a dupla John-Shinji nos créditos finais. Que dão legitimidade e estirpe ao produto. Todavia, se tecnicamente o pacote está há anos luz de muitos concorrentes, algumas passagens e sub-tramas mal aplicadas impedem que o drama atinja o mesmo status de qualidade dos fotogramas gerados pela CG. E, mesmo encantando os olhos, fica evidente que a tecnologia aplicada ao título permanece “em desenvolvimento”. Se olharmos a primeira película e compararmos com a nova empreitada, notaremos que “Ex Machina” representa uma clara evolução para este formato, tanto quanto a recente produção parecerá datada no passar dos anos, quando novas ferramentas (provavelmente) proverem o mesmo tipo de melhoria que o filme atual providencia. Principalmente, calcando-se na excelência e experimentação de suas bases culturais tão distintas – e aqui complementares.

Extras

O material adicional de “Appleseed Ex Machina” presenteia o público com dois documentários decentes sobre a produção (um sobre a parceria John-Shinji e outro sobre o desenvolvimento – aka bastidores – como um todo), mas falha ao não apresentar opções de legenda nos comentários de áudio (uma reclamação muito constante entre os grupos que consomem fervorosamente os DVDs de animes). Pra fechar, os indefectíveis trailers marcam sua inevitável presença, naturalmente, com um pequeno calhamaço deles.

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