Maratona de Animes Vol. I – Sessão DVD’s: “A Viagem de Chihiro”

FILME: A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi) Japão, 2001 – Animação/Fantasia – 125 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Hayao Miyazaki é um daqueles nomes que dispensam apresentações. Também pudera, ganhador do primeiro Oscar de Animação por este “A Viagem de Chihiro” em 2003, Miyazaki conseguiu construiu uma carreira invejável na cadeira de direção do Studio Ghibli, criando autênticas obras-primas do desenho (ou Anime, como são conhecidos no Japão) como “Princesa Mononoke” (1997) e “Meu Vizinho Totoro” (1988). Seu vasto acervo de pérolas no gênero é no mínimo fantástico, garantindo um reconhecimento internacional só reafirmado pela citada – e justa – premiação na Academia de Ciências Cinematográficas. “A Viagem” (ou “Sen to Chihiro no Kamikakushi“ no original) já nasceu clássico, sendo tecido no berço esplêndido de um homem cujo talento e sensibilidade lhe imputam inúmeras comparações com outro gênio da área: Walt Disney.

Não por acaso, os filmes de Hayao já chegaram ao Ocidente pelas mãos da corporação de Mickey e Cia, ratificando a primazia “sem fronteiras” destes singelos exemplares. Que ainda se apegam as técnicas mais tradicionais de animação, deixando a computação gráfica (tão popular hoje em dia) restrita a poucas passagens (quando necessário). E é nesse clima de “tradição” que Miyazaki desfila seu talento enquanto contador de histórias. Com a mocinha título inspirada na filha de um de seus amigos, o diretor japonês desce a “Toca do Coelho” para nos levar, em companhia de sua protagonista, para dentro de um mundo mágico e recheado dos simbolismos tão característicos na riquíssima cultura nipônica. O passeio entre os personagens deste “mundo invisível” é puramente imaginativo – como poucos seriam capazes de transcrever sem usar das mesmas imagens e palavras que Hayao se utiliza para montar este perfeito “A Viagem de Chihiro”.

Construindo figuras que conseguem impactar adultos e crianças com a astúcia de seus significados, escancarados pelas inúmeras representações que eles mesmos personificam. Como a imundice de um rio, que envenena um dos “espíritos” que buscam se limpar na “casa de banhos” onde Sen (a mesma Chihiro, agora renomeada) vai trabalhar para salvar seus pais – transformados em porcos após ingerirem (inapropriadamente) alguns alimentos deste miraculoso – aka perigoso – universo. Restrito aos humanos e povoados por criaturas (deuses) abissais. O cuidado na caracterização de cada figura, seja qual for sua importância para a trama, pequena ou gigante, é notável. Assim como a atenção desprendida para tornar a jovem Chihiro numa criança tão esperta e inocente quanto demanda sua idade. Sem apelar para estereótipos. Apenas, deixando claro que a pequena representa a nova geração de “baixinhos”, de criação e comportamentos diferentes da infância comum as gerações anteriores, e a do próprio Miyazaki, em pessoal.

E aqui vale fazer outro tremendo elogio ao cultuado trabalho desse “monstro da animação”, mesmo “datado” tecnologicamente e quase saudoso no seu tipo de retrato infantil, “A Viagem de Chihiro” consegue se sobressair irrestritamente para expectadores de todas as idades. Quebrando todas as barreiras que poderiam separar (caso fosse um conto menos universal) seu veterano realizador das platéias mais jovens. Estas, tão encantadas com o produto final quanto os velhos – e inúmeros – fãs de carteirinha do autor de “Nausicaä no Vale dos Ventos” (1984) . Dos créditos iniciais aos letreiros finais, quando surge a bela canção tema “Always With Me”, interpretada por Yumi Kimura, cujo emocionante relato sobre “a vida & morte” serviu, inclusive, de fonte de inspiração para a pronta realização deste espetacular longa-metragem. Extremamente indicado tanto quanto seria qualquer outro DVD (VHS ou Blu-Ray) com a marca indelével e consagrada de Miyazaki-san.

Extras

“A Viagem de Chihiro” tem pouco material extra, formado basicamente por “peças padrão” estilo “Notas Sobre a Produção/Notas Sobre o Diretor” (ou seja, textos que informam sobre o filme e seu cineasta), além dos trailers, claro. A única atração mesmo é o documentário/reportagem, acompanhando o cotidiano dos trabalhos no estúdio, o making-off revela algumas curiosidades dos bastidores, incluindo a impagável passagem onde Miyazaki fica incumbido (na rotação de tarefas entre os funcionários) de fazer, humildemente, o almoço do dia (constituído do indispensável “macarrão instantâneo”, vejam que curioso…). Vê-lo preparando a comida, com o mesmo cuidado/carinho desprendido nos desenhos e rascunhos, nos faz questionar seriamente se “grandes” como Steven Spielberg se submeteriam a tal serviço? Provavelmente não, Hayao é realmente único e insubstituível. Em praticamente tudo.

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