Um super-herói humanizado

FILME: Hancock (Hancock) EUA, 2008 – Ação/Comédia – 94 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

É o sinal dos tempos. Cada vez mais, Hollywood aposta suas fichas nos filmes de “super-heróis”. Descendentes (quase sempre) das simpáticas histórias em quadrinhos, estas figuras “olimpianas” ganham as telonas em cada nova temporada de férias lá no hemisfério norte, época cinematográfica propícia para películas repletas de ação, fantasia e – trocentos – efeitos visuais espetaculares. “Há uma tradição que liga filmes de ‘verão’ com blockbusters de ação e filmes de ‘outono’ com longas de personagem”, lembra Will Smith, astro – inclusive – de inúmeras destas (citadas) produções “pipoca” (tipo “Independence Day”). “Bem, e o que acontece se você pegar uma história forte e dramática – com arcos ricos – só que ambientada num mundo com todos os elementos pirotécnicos comuns aos ‘arrasa-quarteirões’ lançados em ‘quatro de julho’?”. A resposta, segundo o próprio artista, é este “Hancock”.

“Só uma pessoa conseguiria isso” intromete-se Akira Goldsman, roteirista desta inusitada empreitada “mista”. “Eu nem pensaria em fazê-lo sem Will Smith como Hancock”, revela o veterano escritor, valorizado tanto obra quanto protagonista título. “Hancock é complicado”, Will prossegue comentando. “Ele não é um meta-humano como os outros”, qualifica o ator – já indicado ao Oscar pelas elogiadas interpretações em “Ali” e “À Procura da Felicidade”. “Todos os dias, ele acorda revoltado com o mundo. O cara tem boas intenções, mas enfrenta problemas para se relacionar com as pessoas ao seu redor”, analisa friamente, caracterizando sua persona fictícia, marcada por vícios (como a bebida) e famoso pelos estragos que provoca, mesmo tentando salvar algumas vidas. Dificuldades que lhe trazem transtornos por onde passa – fora algumas antipatias públicas, uma situação bem diferente daquelas vividas pela maioria de seus “parceiros de profissão”. “Não é como o Super-Homem ou o Homem-Aranha”, confirma Wade Eastwood, um dos coordenadores responsáveis pelas seqüências “destrutivas”.

“Hancock usa seus poderes por impulso”, fala John Dykstra (supervisor de efeitos especiais). “Nem tudo o que ele faz é espetacular. Algumas vezes, seus atos simplesmente refletem sua personalidade, o modo como está pensando ou se sentindo naquele momento”, diz o “mago” – oscarizado pelos seus lendários trabalhos em “Star Wars” e “Homem-Aranha 2”. “Ele é uma verdadeira ameaça ambulante”, exclama Louise Mingenbach, figurinista contratada (cujo currículo inclui a manufatura das vestimentas em “X-Men I & II”). “Com seu histórico de vôos e todas aquelas celeumas provocadas, acho que Hancock deveria era mesmo se vestir dos pés à cabeça com ‘amarelo advertência’”, brinca Louise, referindo-se aos perigosos passeios “supersônicos” do (por vezes, bastante embriagado) “anti-herói”. “O sujeito simplesmente se esborracharia em cima do que estivesse pelo caminho – a toda velocidade”, rebate Dykstra, ciente da gravidade deste “pequeno descontrole” momentâneo – de alguém tão poderoso.

Algo que provocou inconvenientes até “deste lado” das telas. “Uma vez que Hancock voa de maneira desajeitada, e não no jeitão elegante, suave e arrebatador da maioria dos demais super-heróis, foi difícil para todos nós fazê-lo funcionar”, garante John, intimado a resolver várias destas “questões” técnicas. “Precisávamos ensaiar repetidas vezes para conseguir o tipo de aterrissagem perfeita para que Hancock tropeçasse e caísse de joelhos, aí se equilibrasse e levantasse de novo – testamos isso bastante”, confessa Eastwood, garantindo assim, a segurança do multimilionário interprete afro-americano. “Voar trinta metros acima da rua e depois cair em queda livre até que os cabos te salvam a centímetros do chão, tudo isso em cerca de um segundo e meio, era como estar numa ‘montanha-russa’ – só que sem o carrinho – era muita adrenalina. Foi apavorante!” acrescenta Will, nem um pouco arrependido por ter realizado (pessoalmente) muitas destas incríveis “proezas” acrobáticas. O motivo?

“Will ficou muito entusiasmado em viver um super-herói”, entrega o produtor James Lassiter. “Achamos que era o modo perfeito de fazer um filme desse tipo – irreverente como nunca se viu antes no gênero, que rompe com todos os padrões”, vocifera James, reafirmando um discurso compartilhado pelo (também) produtor Michael Mann: “Nossa intenção era fazer um longa-metragem que fosse um meio termo entre profundamente engraçado e que fosse arrepiante, maravilhosamente comovente”, inúmera o autor do já citado “Ali”, este, igualmente protagonizado por Smith. “Produzir um filme é um trabalho em equipe”, esclarece o generoso movie-star. “Para um longa como ‘Hancock’, nós precisávamos do maior número possível de pontos de vista completamente esdrúxulos – e todo mundo nessa equipe tem – pelo menos – um grau de desvio da normalidade. O que possibilitou nossa colaboração maravilhosa foi que, no geral, tínhamos idéias estranhas – qualquer um podia dizer qualquer coisa – e a melhor idéia, aquela que parecesse ser parte do DNA deste material, seria utilizada”, finaliza.

Entretanto, refinar o produto – derivado desta “criatividade tola” – acabou sendo uma tarefa centralizada (principalmente) por uma pessoa, o diretor Peter Berg. “Eu tive de fazer muitos cortes e remendos”, diverte-se o cineasta de “O Reino”. “Ele sabe tudo sobre filmagem e criação. Fiquei curioso pra ver o que aconteceria quando Pete vestisse um cara machão e problemático em uniformes de super-herói”, observa Will. “Peter sempre fez questão, desde o princípio, de não fazer Hancock usar roupas colantes”, observa Mingenbach. “Ele também disse: ‘Não quero capas nem sungas usadas sobre malhas!’”, ela enfatiza – denunciando o “estilo realista” tão característico na filmografia deste cineasta. “Berg explicou que queria tudo o mais real possível, não tão estilizado quanto na maioria das obras semelhantes. Na falta de um termo melhor, eu diria, em estilo ‘documentário’ – agressivo, usando câmeras portáteis – o que é incomum para uma produção como esta”, alerta Dykstra. “Então, esse era o desafio”, prossegue. Conseguir mesclar, como bem citou Will (lá no início), um universo naturalmente rico em alegorias e travesti-lo com a maior quantidade de verossimilhança possível.

Fonte: Sony Pictures

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