Desviando das HQs para os cinemas

FILME: O Procurado (Wanted) EUA, 2008 – Ação/Aventura – 110 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Uma das saídas lucrativas mais propícias pros cinemas aumentarem seus ganhos – atualmente – é abusar no rápido reaproveitamento de outras mídias, neste caso, os produtores deste novo exemplar correram nesse sentido, até encontrar na prolífera Nona Arte “O Procurado”, título lembrado por conseguir jorrar sua fonte de (boas) idéias, potencialmente capazes de satisfazer a vontade dos – exigentes – expectadores. Engalfinhados de vez na magia da Sétima Arte. A vontade de transportar a aclamada HQ alternativa era tamanha que os direitos de adaptação foram adquiridos (prontamente) enquanto os criadores, Mark Millar e J.G. Jones, ainda publicavam o segundo número (de seis) da bem-sucedida mini-série homônima. As características distintas da elogiada obra (no papel) não só atraíram os investidores como também exigiam um cuidado maior na realização do longa-metragem. A opção para comandar tal transposição para as telonas, mantendo a acuidade do material original, foi igualmente diferenciada: o cineasta russo (de “Guardiões da Noite”) Timur Bekmambetov, debutando em solo americano.

“A experiência cinematográfica do trabalho de Timur e a linguagem visual empregada por ele são tão singulares, atrativas e extraordinárias que eu tinha certeza que a voz dele precisava ser ouvida”, elogia o produtor Marc Platt, um dos responsáveis pela ousada contratação. “’O Procurado’ conta a história de um homem comum que descobre um mundo muito diferente. E o tempo todo esse mundo estava bem ao seu lado. Como se fosse em seu bairro, a apenas dois quarteirões, e você nunca tivesse andado nesse sentido em toda sua vida. Mas, um dia, você muda seu caminho e o encontra. Ele simplesmente não sabia o que estava ali perto. E agora, o que ele fará?”, questiona Bekmambetov, buscando – em si mesmo – uma resposta (particular) com sua latente criatividade. “É como se cem idéias estivessem se passando na minha cabeça, todas brigando para serem exteriorizadas. O que acontece é que isso cria um novo estilo, talvez algo que ninguém tenha feito antes. Quero colocar o público no meio da ação, para que ele viaje com o personagem, e não fique apenas sentado assistindo”, observa o filmmaker. Que colocou na película muito desta sua verborragia estilística. “Era exatamente o que queríamos”, observa Platt, sabedouro do potencial deste seu talentoso cineasta.

Filmado em Praga, “substituindo” as ruas de Chicago, ‘O Procurado’ apresenta uma versão realista e fantástica do mundo real, exigindo um vasto cenário a cada perseguição entre as movimentadas ruelas checas. “Apesar de ter sido um desafio fazer um trabalho como esse em Praga – recriando partes de uma cidade americana – foi o melhor lugar para filmar. O espaço de filmagem era vasto, e a proximidade com Moscou – onde estávamos fazendo os efeitos especiais – foi um bônus”, explica Marc. Neste esforço, a mudança de cenário – em nenhum momento – descaracterizou os elementos da megalópole estadunidense. “Quando visitamos Chicago, Bekmambetov viu os trens elevados e teve a idéia de tentar fazer algo especial em cima deles”, conta John Myhre, diretor de arte duas vezes ganhador do Oscar. Recriados em estúdio, o “vagões falsos” seriam utilizados, assim, numa das seqüências de ação principais – que exigiram demais dos diversos departamentos técnicos aglutinados na construção desta complexa engenharia cênica. “O trem que construímos era muito grande para se mover sozinho, então, resolvemos simplesmente mover a ponte inteira ao invés dele, usando guindastes computadorizados para sabermos, exatamente, onde a passarela estaria e em que velocidade”, diz Dominic Tuohy, supervisor de efeitos especiais deste longa.

“Meu movimento preferido foi pular sobre o trem elevado, algo que fiz completamente sozinho. Eu tinha um dublê, claro, que fazia as proezas realmente perigosas – passando uma imagem incrivelmente boa de mim… Mas saltar sobre a ponte foi só comigo. É algo muito legal de se fazer”, relembra James McAvoy, talento revelado em “Desejo e Reparação” e ator principal na presente atração – recheada por alguns loppings dantescos (de até 360º) nas tomadas mais vertiginosas. “Nossos atores se sentiram em uma máquina de secar roupas, pobrezinhos”, entrega Tuohy, engrandecendo o empenho do – elogiável – elenco de estrelas. “Não estou acostumado a ver alguém como eu fazendo esses personagens. Sendo amante do cinema, reclamo com freqüência de ver fortões de 1,80m nestes papéis. Fico feliz por terem chamado alguém como eu, principalmente, no sentido de não ser uma escolha óbvia”, comemora o citado interprete escocês – no alto dos seus 1,70m, emprestando uma veracidade – inclusive corporal – para seu herói humanizado. “Precisávamos mantê-lo como um sujeito comum, que o público pudesse acreditar que passou de um convincente bobão com pequenos músculos para alguém fortão, todavia, não tão forte que terminasse desproporcional”, bem salienta.

MacAvoy ficou igualmente satisfeito (e cansado) desta sua vida (“faz-de-conta”) de “emérito atirador”, como ele mesmo ressalta: “Não me vejo fazendo outro filme desses por um tempo. Meu lado ‘garoto de 14 anos’ estava – verdadeiramente – empolgado em trabalhar neste ‘O Procurado’ e apreciei muito a oportunidade, contudo, para ser franco, nunca senti tanta dor nem quando tinha 14 anos. Talvez por isso, um garoto dessa idade fique tão entusiasmado em fazer esse tipo de coisa, sabe? Entretanto, eu gostei. A experiência foi indescritível”, finaliza o “heróico” artista, provavelmente desacostumado com as loucuras descritas nessa saga de assassinos profissionais (da organização secreta “Fraternidade”), capazes de fazer as balas “desviarem” durante seu curso habitual. Uma vantagem clara frente à concorrência, além de ser uma artimanha – virtualmente – impossível diante da física balística. Exaltando um feito “inédito” (prático ou gráfico) “treinado” exaustivamente pela equipe de Bekmambetov.

“No entanto, não devemos levar o filme tão a sério – ele é para ser divertido – todavia, a idéia de assassinar alguém para salvar milhares é cinematograficamente interessante”, explica a atriz Angelina Jolie (sempre lembrada como a “encarnação perfeita” de “Tomb Raider”, musa dos games). Aqui, incorporando uma das únicas “matadoras fictícias” dotadas desta “façanha curvilínea” – sabidamente pouco plausível – com as armas. Doravante a manobra ser apreciada (de forma contumaz), seja pelos fãs do gibi ou pelos admiradores da sessão na sala escura. “Esperamos que o público goste e se entretenha do início ao fim. Afinal, ele precisa de uma razão para ir ao cinema numa sexta-feira à noite – fazer parte de uma emocionante viagem com grandes figuras, todas elas sob a hábil direção de um comandante realmente visionário”, elogia Platt, contente com a originalidade obtida neste atrativo (aka burlesco) “O Procurado’.

Fonte: Universal Pictures

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