Descida ao centro tridimensional do cinema

FILME: Viagem ao Centro da Terra (Journey to the Center of Earth 3D) EUA, 2008 – Aventura/Ficção Científica/3D – 94 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

A consagrada obra “Viagem ao Centro da Terra”, escrita em 1864 por um dos maiores nomes-símbolos da ficção-científica, precede a própria invenção do cinema (criado pelos irmãos Lumière – apenas – em 1885), entretanto, o poderoso conto fantástico foi felizmente capaz de resistir aos séculos – e ao advento fortuito do dito cinematógrafo. “Acredito que certas histórias são eternas”, diz Charlotte Huggins, produtora da moderna versão cinematográfica. “Pegar o famoso romance de Julio Verne e desenvolvê-lo com uma visão atual, apresentando personagens novos e utilizando algumas das mais avançadas ferramentas, era uma oportunidade desafiadora”, complementa Eric Brevig, um estreante na direção, mas com uma carreira elogiável no campo dos efeitos visuais. Estes, tão necessários para trazer às telonas mundiais – fidedignamente – cada uma destas páginas – fantasticamente – ilustradas pela imaginação fértil do cultuado escritor (citado acima).

“Nosso trabalho, enquanto bons profissionais do cinema, é transportar o público para outro mundo. Nós queremos que os expectadores se entreguem completamente à aventura que estão assistindo”, entrega Beau Flynn, outro produtor da presente adaptação – tocando num ponto comungado pela estrela da atração: “Quando vou ao cinema, eu gosto de me deixar ser completamente levado”, confirma Brendan Fraser, ator consagrado e produtor-executivo deste autêntico sci-fi. “Os detalhes dos ambientes descritos por Julio Verne nos levam a uma inerente experiência de imersão”, lembra Huggins, deixando a dica para explicar o motivo primordial para a elaboração deste longa: “Rodar este filme em 3D foi uma escolha perfeita para concretizarmos àquelas maravilhas todas”, ela comenta. “Quando temos algo desta magnitude, capturando imagens com equipamentos digitais, você simplesmente permite ao público ter uma experiência muito mais visceral”, completa.

Cinema em “três dimensões” não é nenhuma novidade (desde os anos 70), contudo, apenas com o desenvolvimento dos maquinários (de última geração) que a técnica atingiu seu pleno potencial. “No passado, as câmeras 3D eram tão desajeitadas e pesadas que havia muitos limites à liberdade do diretor, e conseqüentemente, eles não olhavam o negócio como uma opção válida”, relata Brevig, auxiliado nesta atípica empreitada pelo “Fusion System”, um conjunto de inovadoras câmeras leves/portáteis – de altíssima definição – desenvolvidas nos trabalhos (de tridimensionalidade) do cineasta James Cameron. “Viagem ao Centro da Terra” se torna, portanto, o primeiro longa-metragem (live-acton, evidentemente) a empregar este sistema. “A idéia por trás da tecnologia da Fusion é imitar o funcionamento do olhar humano. Isto dá ao público um relacionamento diferente com o que está sendo visto na sala escura, porque o que vemos nas telas é exatamente o que veríamos se estivéssemos, realmente, naquele lugar filmado”, explica Chuck Schuman, diretor de fotografia desta película.

“Este novo jeito de filmar nos permitiu revisitar o material clássico de Julio Verne, que venceu com glórias o teste do tempo, de uma maneira completamente diferente”, complementa o produtor Beau Flynn, passando a bola para Christopher Townsend, supervisor de efeitos especiais: “Fazer ‘Viagem ao Centro da Terra’ em digital 3D possibilitou uma maior amplitude visual para criarmos impacto, num resultado que se aproxima muito mais da visão humana do que qualquer outro longa já rodado”, relata o técnico. “Nosso objetivo era dar ao público um mergulho tão profundo na aventura quanto os personagens em sua viagem, de maneira que você possa realmente esquecer que está assistindo um filme – e acreditar piamente que está com eles no centro da Terra”, sintetiza Eric, nem um pouco assustado com tamanha responsabilidade – assumindo, logo de cara, a cadeira de direção. “Ter um longo histórico de realizações com filmes 3D para parques temáticos, e uma história ainda maior no mundo dos efeitos especiais, me deixou bastante confortável para rodar este desafio integralmente em 3D”, confirma o filmmaker, ganhador do Oscar na categoria de Efeitos Visuais – e consciente do “segredo templário” capaz de fazer qualquer blockbuster (lotado de pirotecnias foto-realistas) funcionar adequadamente. “Os atores são os maiores responsáveis pelo notório realismo que os efeitos visuais costumam provocar”, sentencia o experiente Brevig.

“Fomos abençoados por ter um elenco tão bom – com uma ótima química entre si”, abençoa Huggins, referindo-se ao trio principal, formado pelo já citado Brendan e pelos parceiros Josh Hutcherson e Anita Briem. “Eles têm que estar prontos a interagir com objetos inexistentes – pássaros que brilham e piranhas voadoras gigantes – que, obviamente, não estão realmente ali”, conta o diretor debutante. “Uma das seqüências mais desafiadoras foi quando caímos diretamente para o centro da Terra”, intercede Anita. “Tínhamos aqueles ventiladores gigantes na nossa direção para simular a queda, e eles faziam tanto barulho que era fisicamente muito difícil, simplesmente, conseguir falar nossos diálogos”, relembra. “A seqüência foi chamada de ‘A Grande Queda’”, brinca o autor-especialista na área do CGI. “O trio fica caindo por tanto tempo que eles têm realmente até condições de falar sobre a situação”, ele brinca.

“Você realmente espera que a tecnologia seja invisível para os atores tanto quanto ela é para o público”, dispara Charlotte. “Claro, como costumeiramente acontece nestas situações, as forças da natureza conspiram contra nós e nada acaba saindo como o planejado. Há uma qualidade mítica em todo este enredo – até porque qualquer coisa pode estar no final desta ‘toca do coelho’”, reitera Fraser, protagonista da cinesérie “Múmia”. “Quando se cria uma história de fantasia, trabalha-se com a verdade, expandindo os seus limites”, prossegue Eric, dando a deixa para David Sandefur, desenhista de produção finalizar: “Tinha que haver certo nível de fantasia, contudo, ao mesmo tempo queríamos tentar manter um pouco do real, igualmente”, confessa o responsável pelo design. Elementos que costuraram a fictícia visita (de um cientista, seu sobrinho e uma guia islandesa) na tal região (lá do título) povoada por passagens vulcânicas, exuberantes florestas de cogumelos e criaturas pré-históricas, peças saídas – diretamente – da maravilhosa visão narrativa de Verne (criador de outros ícones literários como “Vinte Mil Léguas Submarinas” e “Volta ao Mundo em Oitenta Dias”).

Graças ao desenvolvimento constante dos instrumentos empregados na Sétima Arte, estas paisagens imaginativas ganharam veracidade, num vanguardismo característico tanto dos escritos de Julio quanto do próprio meio onde suas crias estão sendo, agora, repaginadas. “A idéia de que você pode fazer, de fato, alguma coisa que a maioria das pessoas apenas sonha em realizar é um conceito não apenas muito presente na literatura, como também aparece desde os primeiros passos da nossa civilização”, finaliza Charlotte. Tão “Vernian” – alguém crente na “fidelidade factual” dos escritos originais – quanto seremos (ao menos) durante a projeção deste produto realisticamente (fabricado) no mais moderno 3D disponível.

Fonte: PlayArte

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