Revivendo uma lenda do cinema

FILME: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of Crystal Skull) EUA, 2008 – Aventura – 124 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

18 de junho de 2007. Um dia especial para os saudosos fãs de Indiana Jones. A importante data marcou o início das filmagens principais da quarta aventura do herói-arqueólogo. Naquele momento, em pleno deserto (!) do Novo México, Spielberg ligava as câmeras e estourava garrafas de champanhe para brindar o retorno, após uma longa espera de 19 anos, da trupe criativa responsável pela trilogia original. Steven Spielberg, George Lucas e Harrison Ford – o poderoso trio responsável pela marca – reuniram-se novamente para tocar o novíssimo capítulo “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. “Acho que antes de começarmos não percebi a quantidade de pessoas desesperadas por outro filme da série. É uma sensação fantástica”, conta Cate Blanchett, a renomada atriz de “Elizabeth” – e agraciada pelo convidativo papel de “antagonista” neste imponente regresso de Indy.

Uma “volta” que surpreendeu muita gente – inclusive – espantando o próprio Spielberg, até então, crente que a saga havia realmente terminado no take final de “A Última Cruzada” (1989): “Filmei Indiana Jones cavalgando no pôr-do-sol porque achei que isso fechava as cortinas da cinesérie”, relembra. Mas foi o interprete do Dr. Jones que desfez esta impressão do chefe. “Harrison me ligou e disse: ‘Por que não fazemos outro filme desses? Há muitos fãs querendo’”, conta o diretor – que só passou a acreditar na “tentadora proposta” depois da insistência do amigo. “Ele estava obstinado. Ligou para George, que ficou pensando naquilo, e então me ligou e disse: ‘Bem, Steve, o que você quer fazer? Pode ser divertido criar outro filme’. Tive que dar o crédito a Harrison por dar partida a isso e a George por me fazer considerar a possibilidade de, pelo menos, mais uma história”, reconhece o consagrado filmmaker norte-americano.

Porém, antes de partirem para “campo”, o triunvirato fechou um inteligente acordo, só dariam “sinal verde” para o projeto quando cada um deles estivesse – plenamente – satisfeito com o roteiro. Que deveria – necessariamente – honrar os episódios passados. “Todas as tradições de Indiana Jones estão de volta”, proclama Steven. “Temos o mapa, o avião com a pequena linha vermelha mostrando como você está saltando de um lugar para outro do globo – isso é simplesmente parte da atmosfera que passamos muitos anos elaborando”, diz satisfeito. Para alívio dos cinéfilos puristas e amantes de “Caçadores da Arca Perdida”. Entretanto, algumas mudanças foram inseridas nesta passagem de tempo que separou seus criadores – e sua cria – dos longas antigos. “O estilo é o mesmo, o humor também. Tudo parece igual. Mas também pudemos construir em cima dele. As relações que temos no set e aquelas na tela estão mais fortes, melhores e mais divertidas do que nunca”, observa Lucas.

Agora nos anos 50, Indy encontra novos desafios, como a ameaça russa (encabeçada pela figura de Blanchett) e o clima de “perseguições ideológicas”. Isso, sem esconder a idade. “Ele certamente está mais velho, e talvez mais sábio”, brinca Ford, igualmente mais experiente. Mostrando que ainda não perdeu o jeito com o chicote e o chapéu. “Eu não usava o figurino de Indiana Jones havia 18 anos”, nos conta. “Bernie (a figurinista) mandou a roupa original para minha casa, para que eu a experimentasse, querendo ver onde teríamos que aumentar os tamanhos. Eu a coloquei e vestiu como uma luva. Me senti bem confiante e pronto para ir em frente!”, confessa, recriando “o mito” que ajudou a construir. “Pode ser que pessoas da minha idade nunca o tenham visto no cinema, mas Indiana Jones é algo grandioso para nós”, comemora Shia LaBeouf, que no papel de Matt divide as telas com seu ídolo, agindo como “elo” entre expectadores versados neste universo e os novatos no gênero. “É algo grandioso para todas as gerações”, sentencia o jovem ator de “Transformers”.

“Criamos Indiana Jones, mas ele pertence ao mundo. E agora somos os guardiões. Nossa função é exibir uma grande porção não apenas do que Indy significa para o público que cresceu com ele, como também apresentar o personagem àqueles que ainda não o conhecem”, detalha o ganhador do Oscar por “A Lista de Schindler”. Denotando o enorme cuidado para não descaracterizar o trabalho atual nem torná-lo obsoleto. “Conversamos constantemente sobre como devemos trazer de volta pequenas coisas dos títulos anteriores”, acrescenta Kathleen Kennedy, produtora-executiva deste “O Reino da Caveira de Cristal”.

“Um dos desafios que tivemos nesse filme foi ter que reproduzir muitas locações das três primeiras produções”, relembra Frank Marshall, veterano produtor destes longas. Portanto, acostumado às paisagens características da (já) rodada saga. A procura por ambientes condizentes acabou exigindo locais precisos e detalhados cenários em estúdio. Um passeio turístico que envolveu visitas à Universidade de Yale, hangares abandonados e uma densa selva localizada no sudeste Havaiano. “Eu andava por cada um e dizia: ‘Estou no set de um filme do Indiana Jones – como sou sortudo por dirigir outro desses!’”, alegra-se Spielberg – cuja “fama de perfeccionista” sempre fez render cada departamento técnico envolvido na elaboração de suas películas. Principalmente quando se trata das clássicas proezas de “Indiana”, curiosamente, nome emprestado do (então) cachorro de Lucas, o mesmo animal (de estimação) que inspirou George a imaginar o co-piloto alienígena Chewbacca em “Star Wars”. Ou seja, corrigindo, Indy foi criado (na verdade) por um autêntico “quarteto”.

Fonte: Paramount

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