Modernizando um clássico

FILME: Agente 86 (Get Smart) EUA, 2008 – Comédia/Aventura – 110 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Hollywood gosta realmente de reinvenções. E de buscar nos antigos enlatados uma fonte inesgotável de velhas (ótimas) idéias para novas empreitadas. Principalmente, quando se pode apelar para obras capazes de se manter incólumes na boa lembrança dos sagazes admiradores, prováveis suportes na hora de se verificar a viabilidade financeira do (futuro) produto. Contudo, outro elemento predominante nestas “adaptações” é sua capacidade de modernização (ou não, dependendo) do material original, passo importante para encurtar os anos que separam cada distinta “versão” e acomodá-las adequadamente na – diferente – linguagem da Sétima Arte. Dito isso, não precisamos ser gênios para constatarmos que “Agente 86” preenchia todos os requisitos. Ou seja, sua aparição nos cinemas seria uma mera questão de “dias”.

“Era um ícone na década de 1960”, resume Peter Segal, diretor do longa-metragem que molda “Agente 86” para as telonas. Co-criado por Mel Brooks em 1965, o programa consagrou-se como “um clássico de verdade”, (não só) na opinião de Segal, evidentemente. O importante status cultural obtido por “Get Smart” provinha de suas enormes qualidades cômicas/dramáticas – tão visíveis para os fãs, grupo da qual o próprio cineasta faz questão de integrar. “Eu adorava. Era inteligente, irreverente e hilariante”, relembra. Características que ele mesmo tratou de explicitar no atual trabalho: “O filme presta uma homenagem aos princípios do seriado: a irreverência, a sátira política e alguns dos bordões que hoje fazem parte da nossa cultura”, explica. Entretanto, a proposta da película englobava também outros pormenores… “Não queríamos só recriar o seriado, e sim dar uma roupagem contemporânea, fazê-lo funcionar na nossa época com uma perspectiva moderna”, nos revela Charles Roven, um dos produtores da atração. “Queríamos levar este mundo de superespiões a uma nova era, com a dimensão e o alcance que ele merecia de verdade na tela grande”, sintetiza.

Numa perfeita sintonia com os planos de Segal: “A idéia era fazer um filme que oferecesse, na mesma proporção, novidades para o público novato e para os fãs mais antigos e, no final das contas, ficasse divertido à beça”, complementa – não sem antes colocar a última peça neste complexo quebra-cabeça: “A primeira coisa que despertou meu interesse no projeto foi o fato de Steve fazer parte dele”, esclarece. A presença do ator Steve Carell no papel do atrapalhado Maxwell Smart foi crucial nesta montagem. “Na minha cabeça, não havia mais ninguém que pudesse interpretar este papel”, valoriza Peter. Um dos maiores nomes da comédia americana desde que despontou como “O Virgem de 40 Anos” (em 2005), Carell encaixa-se em Max (inclusive fisicamente) tão perfeitamente que nem Don Adams, o inesquecível protagonista na encarnação televisiva, optaria por outro nome nesta difícil tarefa de sucedê-lo nas telonas: “Don interpretava de maneira tão específica que era impossível recriar a abordagem dele de maneira realística ou mimetizar a cadência dele, e eu não queria fazer uma imitação. Em vez disso, eu queria entrar na essência e, sem tirar coisa alguma disso tudo, criar algo novo de modo que prestasse uma homenagem”, pondera Steve.

Se a escolha para o personagem título fora essencial para o desenrolar das filmagens, a seleção para sua companheira de arapucas, “Agente 99”, acabou (inusitadamente) realizada com base em outras preocupações, confessa Anne Hathaway, que ganhou o emprego depois de conseguir “um jeito de não rir por cinco segundos a mais do que as outras atrizes que fizeram a leitura do roteiro com o Steve”, como brinca a deslumbrante atriz de “O Diabo Veste Prada”. Exemplificando o quanto era torturante permanecer inabalável apesar das engraçadas improvisações do cômico parceiro. Revelando uma serenidade de atuação apropriada para a visão empregada por Segal: “Não queríamos que o elenco sentisse estar trabalhando em uma comédia, porque era, justamente, a seriedade dos atores que faria a piada. Tudo tinha que ser interpretado de maneira séria – e isso incluía as seqüências de ação”, ressalta.

“O seriado incluía uma ou outra cena de luta, que precisava de um dublê ocasionalmente, mas o filme vai muito além. É cheio de ação”, compara Doug Coleman, veterano coordenador de dublês que teve a honra de trabalhar tanto nos capítulos sessentistas de “Agente 86” quanto nesta composição cinematograficamente modernizada. Por exemplo, elevando alguns conceitos prévios – como a pirotecnia padrão dos blockbusters recheados de adrenalina – para patamares mais próximos da realidade condizente atualmente. “A questão era, quanto de material original iremos usar e quanto de novo apresentaríamos?”, avalia Segal. “Não seria uma história de espiões sem os gadgets, os apetrechos tecnológicos”, palpita Roven. “O seriado ficou famoso pelos inventos e nos divertimos muito com eles”, reitera. “Não dá para fazer um filme do ‘Agente 86’ sem eles, não é mesmo?”, reconhece o títular da cadeira de direção, para satisfação (entusiasmada) dos fiéis – saudosistas – do eterno “Sapato-Fone”.

Tamanha é a excelência destes inesquecíveis “apetrechos tecnológicos”, que (certa vez) o produtor-executivo Leonard Stern acabou sendo procurado pela polícia enquando “Agente 86” despontava nos índices de audiência da TV norte-americana. “Parece que algumas de nossas criações eram muito parecidas com as reais, o que era desconcertante pra eles, naquela época, pensar que os roteiristas de uma comédia pudessem inventar tudo aquilo”, diz Stern. Tal “preocupação federal” era fruto do ambiente propenso a “desconfianças” instalado naquele momento (algo sempre bem aproveitado pelos “autores” desta “espionanagem fictícia”). “O programa foi ao ar durante a Guerra Fria e refletia algumas das preocupações da época”, indica Segal. “Da mesma forma, nos inspiramos nas manchetes de hoje”, acrescenta. “Em outras palavras, nos 40 e tantos anos desde que ‘Agente 86’ estreou, com sua atmosfera de tensão e suspeitas internacionais, muita coisa continuou igual”, ironiza Leonard.

Após esta jornada por décadas afora, a saga de Max parece – enfim – realmente pronta (e atualíssima) para encarar o (antes distante) século XXI. “Eu tentava sempre pensar no público a cada passo que dávamos, de forma que os novos fãs e os antigos se divertissem e nós sentíssemos que Smart estava ganhando o tratamento ideal” finaliza Segal. Cumpridor de seu dever na elaboração deste “recomeço”. “É ótimo fazer essa introdução a um público novato e, ao mesmo tempo, oferecer novidades para os fãs, o que eles mais gostam e recordam de seu agente secreto preferido”, observa Tom J. Astle, um dos roteiristas responsáveis pela “repaginada completa” propiciada por este caldeirão indefinível de experiências. Ou nem tão indefiníveis assim, pelo menos, na singela opinião do experiente Carrell: “Eu diria que é 80% comédia, 20% ação, 15% coração, 35% romance, 10% aventura e – provavelmente – menos de 1% de horror. Juntando tudo, dá mais do que 100%, que é, na verdade, o que podemos esperar de qualquer filme”, filosofa o astro-rei por detrás da recriação do codinome “86”.

Fonte: Warner Bros.

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