Projetando e construindo novos horizontes

FILME: Homem de Ferro (Iron Man) EUA, 2008 – Ação/Aventura – 126 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Marca importante na cinematografia moderna, o logotipo “Marvel” – que precede todas as películas da empresa, quase como um selo de autenticidade – sempre conferiu um status diferente nestas investidas cinematográficas. Legitimando cada uma das tais “adaptações” com o aval paternal da (gigante) editora americana. Entretanto, nem sempre estas obras honraram o “nome” tão ostentado nos créditos iniciais. E nem necessariamente enchiam os cofres (mesmo quando as bilheterias eram favoráveis) da “dona” destes personagens. Afinal, os lucros (controle criativo idem) acabavam divididos dentre as inúmeras parcerias. Até então, necessárias para as “maravilhas” chegarem (financeiramente bem) nas telonas. Ou pelo menos, eram. Agora, as coisas ficaram – ligeiramente – diferentes. Com “Homem de Ferro”, a Marvel inaugurou uma nova fase, na qual, demonstra ter cacife suficiente para arcar sozinha no desenvolvimento de suas “crias”. Garantindo, felizmente, maior fidelidade e ampliando o (possível) retorno para suas prestigiadas “HQs filmadas”.

“É um emocionante desafio dirigir ‘Homem de Ferro’ porque esse é o maior personagem do panteão original da Marvel que nunca havia ganhado um filme”, revela Jon Favreau, cineasta contratado para “tirar do papel” uma saga nunca explorada pela Sétima Arte. “O nascimento de um herói é algo que agrada bastante o público”, diz o produtor Kevin Feige, apostando nas mesmas figuras “inéditas” (exacerbando um forte desejo do estúdio) decantadas (acima) pelo diretor responsável por “Um Duende em Nova York” (em 2005). “Jon é um ótimo contador de histórias, com apreciação profunda pela Marvel e pelo Homem de Ferro”, diz o produtor Avi Arad, há tempos, guardião destes produtos audiovisuais “marvelmaníacos”, lembrando que a escolha – em nenhuma hipótese – fora aleatória. O carinho e o respeito prévio pelos materiais quadrinísticos (atualmente diretivas claras) são preponderantes nestas escolhas “caseiras”.

Para justificar o apoio dos fãs, a idéia era não descaracterizar uma figura tão icônica nesta sua passagem pra sala escura. “A história precisou ser desenvolvida novamente para refletir novas tecnologias e as mudanças nos cenários político, social e econômico do mundo atual”, explica Favreau. “O que Stan Lee escreveu como ficção-científica nos anos 60 é considerada ciência moderna hoje”, esclarece. Porém, muitas coisas permaneceram idênticas, como a personalidade marcante de Tony Stark, inspirado na imagem pública (excêntrica) de Howard Hughes. “Este era um inventor, aventureiro, multimilionário, galanteador e também um doido”, conta Lee, co-criador do “herói”. Características que seriam amplamente empregadas na concepção de Tony, principalmente em se tratando do retrato bolado por Robert Downey Jr, ator escolhido para viver o personagem. Conhecido por seu trabalho em “Chaplin”, Downey compartilha muito do “jeitão fanfarrão” de Stark, incluindo o lado playboy do galã. “Sempre gostei do Homem de Ferro porque ele mostrava extrema habilidade e inteligência”, avisa Downey, uma escolha pouco usual para encabeçar um típico blockbuster de ação. “A Marvel tem uma maneira visionária de formar seus elencos. Quando os atores são anunciados, as pessoas geralmente pensam ‘Que interessante!’. E ninguém consegue imaginar outra pessoa pro papel”, comemora Fergus, ratificando um sentimento compartilhado entre os marvetes.

Porém, antes de tudo, lapidar a própria lataria do “Homem de Ferro” parecia fundamental para dar seqüência aos trabalhos. Pois, o cinematográfico visual da “armadura” poderia ser o maior trunfo dos realizadores: “Ao ser contratado para dirigir o filme, segui as ilustrações de Adi Granov na recente série do super-herói. O modelo era o mais fincado em tecnologia, e também o mais dinâmico. Quando começamos a discutir os elementos de design, Adi entrou em contato comigo. A partir daí, começamos a trocar e-mails, depois ele foi a Los Angeles para nos ajudar com o desenvolvimento das armaduras”, diz Jon, atento aos artesanato destas “couraças”. Entre elas, a idílica “Mark I” (saída das primeiras páginas de “Iron Man”), reimaginada para se adequar as necessidades do momento. “Nunca acreditei muito que aquele modelo pudesse ter sido criado em cativeiro, especialmente sob o olhar atento dos seqüestradores”, detalha Jon. “Assim, tivemos a idéia de montá-la a partir de ‘materiais’ que pudessem ter sido tirados de outras armas das Indústrias Stark”, finaliza o filmmaker.

Cuidadosos ao extremo, os autores buscaram dar “identidade” a cada inserção no rico universo da Nona Arte. “Eu queria um visual diferente, então, em vez de fazer o Homem de Ferro voar tradicionalmente, entre prédios de Nova York, preferi ter o oceano e as montanhas da Costa Oeste”, diz Favreau. Conseguindo (neste arrojo, já que a fotografia principal acabou centrada nos estúdios Playa Vista na Califórnia) outra identificação com as origens do clássico gibi. “Foi bem legal porque ali era a velha fábrica de Howard Hughes”, relembra – saudoso de um ambiente propício inclusive para certas curiosidades, das quais ele continua contando: “Achei que seria legal colocar meu Ford 1932 no filme como o carro em que Tony está sempre mexendo, depois, até gravamos uma cena em que o veículo precisou ser desmontado. Era peça para tudo quanto é lado e eu pensei: ‘Por que fiz isso? Eles nunca vão conseguir remontá-lo da forma correta!’”, brinca o proprietário da relíquia automobilística.

Exemplificando uma busca por realismo levada até para o campo virtual. “Nosso objetivo foi filmar tantas cenas reais quanto fosse possível e acrescentar extensões em CGI (“Computer Generated Imagery”) com múltiplas camadas de diferentes elementos”, acrescenta John Nelson, supervisor de efeitos visuais deste longa-metragem, esmiuçando o complexo processo usado para mesclar – da melhor (aka “invisível”) forma possível – atores, dublês e bonecos digitais. Misturando-os de tal maneira que tais peças se confundiriam entre si. Algo que ajudou o “enlatado” a levantar vôos realmente incríveis. Para satisfação de Jon: “Foi uma dessas oportunidades raras em que a combinação do que todos levaram para a mistura elevou-o a ponto de exceder minhas melhores expectativas. Foi um ato de equilíbrio incluir na produção uma visão nova, ainda que nos mantivéssemos fiéis ao gênero. Sinto que fizemos um filme sólido, que atrairá um público abrangente, assim como os leitores que cresceram com o Homem de Ferro”, relata – ciente do enorme passo dado pela “independente” Marvel.

Fonte: Paramount

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