Comprando uma passagem de volta para Nárnia

FILME: Crônicas de Nárnia – Príncipe Cáspian (Prince Caspian) EUA, 2008 – Fantasia/Aventura – 144 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Não é de se estranhar que a pré-produção de “Príncipe Cáspian” tenha começado enquanto se finalizava a pós-produção do antecessor cinematográfico. Assim sendo, este segundo capítulo “de um sonho que durou uma vida inteira”, como define Douglas Gresham – enteado do criador de “Crônicas de Nárnia”, C. S. Lewis – já estava na prancheta, devidamente, quando os resultados de seu precursor começaram a encher os cofres dos estúdios responsáveis, Walt Disney e Walden Media. Com uma bilheteria mundial somando US$ 745 milhões, a saga se consolidava como uma das fantasias mais rentáveis do cinema atual, algo que validava tamanha urgência em tratar da sua presente continuação. Depois de batalhar durante décadas para levar o conto do padrasto para as telonas, o próprio Gresham se mostrou surpreso com o gigantesco sucesso desta empreitada. “Sempre esperei que o filme fosse um deleite e uma alegria para platéias de todo o mundo, todavia, acabei me surpreendendo com o grande retorno que ele alcançou”, recorda satisfeito.

“As pessoas assistiram ao anterior e gostaram”, comenta Andrew Adamson, diretor destas peças. “Agora, suas expectativas são maiores ainda”, complementa. “Desta vez, Andrew estava determinado a superar o primeiro”, conta Dean Wright, supervisor de efeitos visuais. “Começamos com, pelo menos, o dobro de cenas tratadas digitalmente, comparando com ‘O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa’”, aponta exemplarmente. Tamanho foi o crescimento e as exigências neste novo episódio que uma ferramenta rapidamente se tornou primordial para o desenvolvimento de tudo. “Eu não posso imaginar deixar de usar a pré-visualização em um produto como este”, confessa o cineasta. “Pré-visualização é o processo de criar animações digitais que servem como amostras úteis para calcular os custos e visualizar nossas cenas meses antes delas serem filmadas”, explica Ropin Suwannath, coordenador da equipe de 12 animadores encarregados deste “storyboard animado”. Usados a exaustão para definir cada aspecto (específico) na construção – apurada – desta riquíssima fábula cinematográfica.

“Fiquei sentado numa sala cheia de computadores e vi como minha aparência seria nessas imagens computadorizadas”, confirma Peter Dinklage, um dos atores contratados para povoar esse universo tão farto. “Nárnia não existe, exceto na imaginação de C.S. Lewis”, aposta Mark Johnson, produtor da série. “Então, tivemos que procurar locações em todo o mundo, durante quase um ano antes das filmagens, pois queríamos achar lugares que pudessem retratá-la fisicamente”, ele diz. Importante para representar certos ambientes fantásticos, a Nova Zelândia se mostrou perfeita para os desejos de Adamson. “De muitas formas, é um país de ‘conto-de-fadas’, com o tipo de natureza que faz seu queixo cair. Ela nos deu a magia de Nárnia”, ovaciona o cineasta neozelandês, não por acaso. Contudo, outros países também foram visitados, para a alegria do jovem elenco. “Foi muito difícil para suas famílias, porque tivemos que ficar durante seis ou sete meses na Nova Zelândia em nosso filme inicial”, continua. “Quando filmamos ‘Cáspian’ na Europa Central, as crianças podiam voltar pra casa nos dias de folga – em poucas horas. Isso foi algo muito importante”, reitera.

Contudo, captar imagens de lugares paradisíacos acabava sendo a única forma garantida-possível de honrar o (puramente) imaginativo material original de Lewis. “Ele não os descreveu completamente, então Nárnia existe na nossa imaginação. Nós podemos interpretá-la do modo que quisermos. Eu acho que a maioria das pessoas tem sua própria interpretação dos livros”, conta Georgie Henley, atriz-mirin interprete da caçula dentre os (quatro) irmãos protagonistas. “Quando li ‘O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa’ ainda criança, me lembro de chegar ao final e pensar: ‘bem, espera um instante, eles eram reis e rainhas, governaram um reino por 15 anos, lutaram em batalhas, venceram guerras contra gigantes e agora têm que voltar para o colégio?’ Eu queria saber o que aconteceria depois”, raciocina o filmmaker. “Embora a história se passe num típico mundo de fantasia, você tem que interpretar cada momento como se fosse verdadeiro”, acrescenta Ben Barnes, o príncipe do título. “Andrew está sempre tentando colocar o máximo de coisas reais na tela”, sublinha Wright. “Tive a oportunidade de pegar uma importante lembrança da infância e mostrar às pessoas algo que só existia no imaginário coletivo. Realizei esses filmes a partir do que eu tinha na cabeça quando li o romance – aos 8 anos de idade”, entrega Andrew, um dentre os diversos fãs que trabalharam na película, vide Barnes: “Eu me lembro bem que os livros foram parte importante da minha infância. Quando consegui o papel, fui até a estante e achei uma cópia de ‘Príncipe Cáspian’ lançada em 1989, quando também tinha 8 anos de idade”, apregoa o ator.

“É uma história maravilhosamente nostálgica”, agrega Adamson. “Os Pevensie voltaram a um lugar onde eles desejavam estar, o lugar que governaram por 15 anos. Só que tudo mudou. Cair Paravel está em ruínas. As criaturas que conheceram foram obrigadas a fugir para a floresta. Aslam está desaparecido há 1000 anos. Elas precisam entender o que houve e, ao mesmo tempo, tentar restaurar Nárnia como conheceram”, resume prontamente. “De modo que era um mundo totalmente fresco para criarmos. Além disso, este filme é provavelmente um pouco mais denso, dark e violento do que o anterior, em parte porque as crianças estão envelhecidas e isso faz a natureza da trama ser mais adulta”, alerta. “Nós mal conseguíamos conter a ansiedade em voltar e rever todos os habitantes da região que ajudamos a construir lá no primeiro longa-metragem”, comenta Howard Berger, um dos maquiadores oscarizados pelas citadas alegorias fabricadas nestas “Crônicas”. “Temos faunos pesados, faunos velhos, anãs, centauros afro-narnianos e suas famílias, minotauros regressando novamente, uma nova feiticeira, um lobisomem e os sátiros – que igualmente estão de volta, inclusive, todos redesenhados para ficarem parecidos com animais, realmente”, gaba-se o ganhador do Oscar na categoria. “Contudo, meus narnianos favoritos são os anões”, acaba palpitando.

“Este projeto é definitivamente maior que ‘O Leão, A Feiticeira…’”, reafirma Johnson. Um dos peritos na organização dos 2000 profissionais trabalhando em torno deste blockbuster. “É maior em termos de pessoas por trás das câmeras. É maior quanto ao número delas na frente das câmeras e, acima de tudo, é seguramente maior do ponto de vista dramático. Os temas abordados e os relacionamentos são muito maiores e certamente mais sombrios comparados ao outro”, explica. “Tivemos que desenvolver e contar o que aconteceu durante as centenas de anos perdidos entre as duas partes”, palpita Frank Walsh, diretor de arte. “De alguma forma, é um enredo bastante pessoal – um conto onde essas crianças retornam ao fabuloso lugar que elas amam, mas que sequer existe mais. Tem relação com a chegada do amadurecimento”, sintetiza o dono cativo da cadeira de direção, maravilhado com seu pronto regresso à Nárnia. “Você tem muita sorte se isso acontecer uma vez na sua vida… Pra mim, isso aconteceu duas vezes”, finaliza o alegre-realizado autor deste espetáculo.

Fonte: Walt Disney Pictures

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