Os mistérios de Arquivo X

FILME: Arquivo X – Eu Quero Acreditar (The X-File: I Wanto to Believe) EUA, 2008 – Fantasia/Suspense – 104 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Era com a frase-símbolo: “A verdade esta lá fora”, escrita logo na abertura, que “Arquivo X” aguçava a curiosidade nata e crescente dos fiéis-assíduos expectadores. Estes, sempre aguardando ansiosamente, quase semanalmente (durante 9 temporadas), qual das “verdades” escondidas “lá fora” seria desvendada – ou não – no capítulo seguinte – através dos trabalhos de Mulder e Scully, uma equipe de investigadores do FBI encarregada dos tais “arquivos X”, casos sobrenaturais – sem qualquer explicação racional – investigados pelo modesto (desacreditado) departamento título (claro). “Tamanho sucesso do seriado foi devido ao belo e perfeito universo imaginado por Chris”, sentencia o produtor/roteirista Frank Spotnitz, concedendo os louros da – histórica – conquista para Chris Carter, tutor da obra. “Ele criou uma dupla de personagens muito poderosos, com atores perfeitos para os papéis, e com duas visões peculiarmente bastante opostas – um é crédulo, o outro, cético. É um mundo incrivelmente rico e diferente, e uma fonte inesgotável de histórias…”, deixa escapar no final, revelando a (notável) proliferação de “segredos ocultos”.

Entre eles, certas temáticas bizarras que – de 1993 a 2002 – surpreenderam o público a cada vindouro episódio, recheado com um suspense aterrador e fantástico, quase cinematográfico. Cumprindo uma interessante proposta de presentear a – grata – audiência com autênticos filmes seqüenciados – em 45 minutos (bem acabados e certamente interessantes). “Sempre considerei que ‘Arquivo X’ ofereceria demais como uma franquia real de cinema”, relembra David Duchovny, interprete de Fox Mulder e um dos artesões desta “co-relação”. Galgado as telonas ainda em 1998 – seguindo as impressões de David e dos milhares de fãs espalhados pelo planeta – “Arquivo X – Resista ao Futuro” entregava ao idolatrado enlatado um tratamento condizente com suas – filmísticas – pretensões (supla-televisivas). “A primeira adaptação era como uma espécie de episódio maior”, conta Carter, prontamente diferenciando a atual cine-empreitada da (comentada) épica aventura antecessora. “O segundo é um longa-metragem verdadeiramente autônomo”, desmembra o criador/responsável, sem revelar grandes detalhes da misteriosa trama, Mise en Scène tipicamente conhecido dos velhos apreciadores da saga.

“Quando se está em um mega-projeto assim, principalmente em se tratando de ‘Arquivo X’, a expectativa não é de vermos alguém cantando ao redor de uma lareira. Sabe-se, de antemão, que será uma experiência estranha”, apimenta Billy Connolly, assumindo a batina de Padre Joe, uma das figuras – enigmáticas – envoltas neste clima de mistério emanado pela sigilosa empreitada. Artimanha que exigiu algumas providências extras, como limitar o acesso ao roteiro e obrigar os participantes a assinar um contrato de confidencialidade. “Havia uma piada recorrente entre nós, sempre que tínhamos alguma dúvida, dizíamos algo do tipo: ‘Bom, deixe-me ver no meu roteiro. Ah, esqueci que não tenho um!’”, brinca Mark Freeborn, gerente de produção. Contudo, apesar da (necessária) cortina preta em cima da atração, os cinéfilos puristas podem ficar tranqüilos, isso se dependermos de Spotnitz: “Incluímos tudo o que as pessoas adoravam no programa. É assustador, horripilante e tem uma boa dose de mistério”, declama, para alívio dos ditos Excers – que vêem o veterano escritor repetir na sala escura a mesma função/parceria exercida por ele na telinha. “Em termos simples, queremos deixar todos mortos de medo”, finaliza o produtor, pontuando a pegada do novíssimo produto.

Que demorou seis longos anos para ser desenvolvido, saindo do “ostracismo” por um motivo deveras específico: “Percebi ao longo dos últimos tempos, conversando com jovens em idade universitária, que muitos deles sequer conheciam o original. Alguém com vinte anos hoje era muito jovem quando ‘Arquivo X’ estreou. Assim, este filme foi feito para satisfazê-los”, revela Chris: “E para satisfazer nossos admiradores de longa data”, acrescenta prontamente, sem se furtar em citar outro importante “incentivo” pro ressurgimento da – natural – cinesérie. “Eu diria que ninguém teve mais responsabilidade para conseguir filmá-lo do que David. Ele fez campanha pra isso, queria muito fazê-lo. Realmente, o cara se transformou numa espécie de incentivador para nos manter interessados em realizá-lo”, agradece Carter. Apelidado de “Eu Quero Acreditar”, seguindo os famosos letreiros do cartaz predileto de Mulder, a trama desta presente (regressa) jornada foi guardada-lacrada a sete chaves, com poucas pistas sobre sua abordagem, uma delas, suscitada pelo exemplar subtítulo adotado pelos realizadores.

“É um título natural”, qualifica Carter. “Ele envolve as dificuldades em se conciliar fé e ciência. Literalmente sugerindo os conflitos dos principais envolvidos com suas respectivas crenças”, conta o cineasta, estreante na direção in motion picture. “Escrever e fazer este filme foi muito mais do que um exercício de nostalgia”, pondera Frank. “Quando Chris e eu sentamos para desenvolver o roteiro, analisamos friamente Mulder & Scully de uma forma bem cuidadosa. Tínhamos várias idéias sobre o que eles teriam feito (nessa ausência de meia década) e em que situações estariam agora em suas vidas”, filosofa o mesmo. “Era importante permitir que o relógio passasse em ‘Arquivo X’ como acabou passando na vida real”, intercede Duchovny, configurando que os infindáveis meses transcorridos entre o fim da atração e seu despertar na Sétima Arte estariam estampados no envelhecimento dos cultuados agentes. “Acho que uma das coisas mais interessantes que fazemos como atores é tentar incorporar o mesmo personagem à medida que o tempo vai passando, crescendo com as mudanças de vida ou percepção que acontecem conosco”, ele finaliza. “Mulder e Scully passaram por muita coisa nesse período, por isso batemos bastante sobre o estado e o futuro de seu relacionamento”, confirma Chris Carter, tocando num assunto muito polêmico entre os fãs – divididos entre os que aceitam e os que detestam o (silencioso) namorico-platônico das personas em foco.

“Pra mim, ‘Arquivo X’ será eternamente uma história de amor”, sintetiza o recitado filmmaker, em ressonância com a (própria) cara-metade de Mulder: “É um romance antiquado, onde toda a intimidade física é alcançada através de olhares, mãos dadas e beijos na testa. Eles foram feitos um para o outro, porém há sempre um obstáculo que ameaça a consumação do casal. Em grande parte, esta película é sobre esse obstáculo”, deleita-se o ator, aproveitando uma sinergia estimulada pela parceira de ofício. “A química com David é facílima. É uma coisa que conseguimos incorporar de olhos fechados. No segundo em que começamos a contracenar juntos, ela se faz presente”, reforça Gillian Anderson, novamente no papel de Dana Scully, apostando suas fichas numa cumplicidade tão característica quanto os “anti-vazamentos” deste “Eu Quero Acreditar”. “Para mim, este filme é como um presente natalino. Quero abri-lo na manhã de Natal e não antes. Sequer quero que as pessoas fiquem sacudindo a caixa ou espiando por uma brecha no papel de embrulho. Acredito que as pessoas gostarão mais da experiência se não souberem de antemão do que a história se trata. Então, fizemos tudo ao nosso alcance para manter essa surpresa”, credita Carter, sem precisar, todavia, remexer na (já clássica) estrutura – dramática e taquicardíaca – idealiza por ele há 16 anos atrás.

Fonte: Fox Films

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