Levando a delegação gaulesa até as Olimpíadas

FILME: Asterix nos Jogos Olímpicos (Astérix aux Jeux Olympiques) França, 2008 – Comédia/Aventura – 116 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Segundo os registros históricos, as Olimpíadas na Grécia Antiga começaram somente em 776 a.C. como um ritual de oferenda aos deuses. Extinta pelo imperador Teodósio 1º em 393 d.C., por ser considerada uma “tradição pagã”, frontalmente contrária aos “ideários cristianistas” daquele momento, os jogos olímpicos foram reiniciados somente na era moderna, em 1986. Ganhando sucessivas edições deste então. Já Asterix e Cia. foi criado em 1959 pelos cartunistas franceses Albert Uderzo e René Goscinnypor – estrelando uma série de histórias ambientadas em 50 a.C., ou seja, os famosos personagens gauleses não só foram ficticiamente contemporâneos como também, bem provavelmente, defenderiam sua Gália durante as épicas competições romanas. Algo que – de fato – ocorrera no álbum “Asterix nos Jogos Olímpicos” (de 1968) quando o pequenino (parrudo) herói bigodudo encarou – bravamente – o “espírito desportivo”, deixando de lado as poções tonificantes (afinal, seria uma espécie de doping mágico) para enfrentar atletas de diversas nacionalidades.

Feito que agora termina transportado para as grandes telas, dando prosseguimento a recente cinesaga homônima (cuja largada fora em “Asterix e Obelix contra César” de 1999, seguida depois por “Asterix e Obelix – Missão Cleópatra” em 2002). Aliás, num fortuito lançamento, concomitantemente – obviamente – a chegada da simbólica “tocha” em território chinês.

Todavia, tamanha coincidência de datas não motivou – exclusivamente – o produtor Thomas Langmann a optar (justamente) pelo citado material “histórico-esportivo” quando escolheu dar continuidade aos comentados filmes do gaulês, novamente. “Por se tratar da aventura mais visual e espetacular de Asterix, portanto, a mais cinematográfica, ela permitia, em função do próprio tema, empregar profissionais de nacionalidades diversas, facilitando a busca por parceiros estrangeiros, principalmente europeus”, relata o patrono das atuais produções, previamente preocupado em conseguir arrecadar fundos para o projeto (astronômico). O mesmo, que se tornou – simplesmente – o mais caro dentro da tradicional filmografia francesa (custando algo em torno de 80 milhões de euros). Com um orçamento generoso (para os padrões do velho continente), Langmann logo se incumbiu de reunir um “timaço” digno dos blockbusters hollywoodianos, imaginando (como fizera na infância, ao almejar – futuramente – levar o ícone pras telonas) ter atores do gabarito de Alain Delon (como Júlio César) e Benoît Poelvoorde (no papel de “até tu” Brutus). “Há quinze anos, quando eu sonhava com a primeira adaptação de ‘Asterix’, já tinha essa na dupla na cabeça”, comenta o – também – cineasta, assumindo (oficialmente) a co-direção desta terceira película ao lado de Frédéric Forestier (responsável por “Le Boulet”, obra bancada pelo eclético Thomas e que – vejam – apresentava Poelvoorde no elenco principal). “Estava envolvido demais em todo processo de criação para parar no meio do caminho”, justifica o filmmaker. Contudo, uma enorme bomba recaiu sobre ele: seria preciso escalar um novo protagonista (diante da ausência de Christian Clavier).

Meses depois, Clovis Cornillac aceitou a responsabilidade de contracenar ao lado de Gérard Depardieu (este, retornando como o importantíssimo Obelix), reforçando (conseqüentemente) a brilhante constelação de interpretes. “Há tantas personalidades fortes (juntas) que parece que os egos se anulam para dar lugar a um ambiente de convívio – todos estavam felizes por se encontrarem uns com os outros, cada um fazia o que deveria, sem querer ser a estrela maior”, revela Frédéric, co-responsável pelo direcionamento deste grupo imenso de talentos. Curiosamente, se o revezamento destes atores consagrados já garantiria o ouro na matéria “elenco”, os idealizadores buscaram acrescentar “certas” figurinhas carimbadas – no esporte (assunto evidentemente em pauta nesta atração) – fechando de vez uma invejável seleção de craques. Dentre eles, Michael Schumacher, convidado para encarnar (advinha?) um campeão de corridas de bigas (!) chamado “Schumix” (até o vistoso “vermelho Ferrari” não foi esquecido na construção do arcaico bólido pilotado pelo heptacampeão de Formula I). “Quando você se lança em tamanha aventura, precisa ter os melhores em todas as posições”, sorri Langmann, obviamente feliz com a respeitável equipe reunida (seja diante ou atrás das câmeras).

Outro motivo que exigia cuidados típicos do perfeccionismo seria fazer jus aos quadrinhos. Sendo necessário – e obrigatório – recriar (realisticamente) os desenhos tão cheios de vida do original. Mesclando uma caracterização (espiritualmente) meio-fantasiosa que se aproveitava da fidelidade artística dos ricos retratos de Uderzo, sempre condizentes com as localidades (e vestimentas) das décadas anteriores ao nascimento de Cristo. “Era preciso nutrir-se dos elementos de época e depois, como nas HQs, permitir-se um grande distanciamento destes detalhes”, explica Aline Bonetto, diretora de arte encarregada de transformar tais construtos bidimensionais em “coisas” fotograficamente verídicas e (simultaneamente) bonitas. Alguns cenários, vide o “estádio Olímpico”, levaram três meses para ser finalizado – adequadamente. “Para uma edificação como essa, não é muito. Pois, ele não poderia deteriorar-se ao longo da filmagem, nem apresentar problemas de segurança”, conta Aline, organizando a complexa arquitetura deste set (gigantesco). “Pensamos primeiro em duas partes distintas: um palco para as provas de atletismo e o hipódromo para as – disputadas – corridas de bigas. Depois tivemos a idéia de um único local que poderia ser facilmente modulável”, ela acrescenta.

“Vi Delon chegar – olha que ele já viu diversos – e vistoriar o complexo em silêncio, totalmente impressionado. Quando Depardieu chegou, aconteceu o mesmo”, lembra Christophe Vassort, primeiro assistente de direção. “Quando se atua em um estúdio assim, a gente fica tão feliz quanto às pessoas que vão vê-lo só na projeção final”, reitera Benoit. “Será mais espetacular ainda na sala escura, porque, depois da pós-produção, acrescentamos digitalmente outros componentes – que geraram maior altura e profundidade”, finaliza Bonetto, aproveitando para destacar a – crescente – importância dos efeitos especiais digitais – ferramentas naturalmente presentes em qualquer produto da estirpe deste “Asterix nos Jogos Olímpicos”. Uma factual mistureba entre dois eventos distintos e (aqui) definitivamente casados – propositadamente – tanto quanto sugere o referencial título – escrito por René e Uderzo há 30 anos atrás.

Fonte: PlayArte

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