Assistindo uma guerra cine-televisiva

FILME: Star Wars – The Clone Wars (Star Wars – The Clone Wars) EUA, 2008 – Animação/Aventura – 98 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Em suma, “The Clone Wars” é um “simples” derivado – televisivo (atentem, eu escrevi: T-E-L-E-V-I-S-I-V-O) – que volta a freqüentar, assim como na antiga série (quase) homônima (exibida entre 2003 e 2005), as tais “Guerras Clônicas” (adaptadas do título), um evento de importância maior no escopo geral da famosa franquia espacial. E que terminou (relativamente) esvaziada entre os (sequer vistos) três anos de luta que separam cronologicamente “O Ataque dos Clones” e “A Vingança dos Sith”, os dois últimos longas-metragens desta Space opera. O fato de estar estreando, atipicamente, nas telonas não muda o fato do desenho (em CG) ter sido criado/imaginado pras telinhas, migrando de mídia – só – para aproveitar uma lucrativa oportunidade comercial (enchendo os bolsos já amarrotados de “verdinhas” do criador George Lucas), se tornando uma espécie de Gran Premiére (luxuosa, com direito a “sessão de cinema”) da futura atração. Que deve desembarcar nos canais fechados estadunidenses ainda neste semestre (no Brasil a data permanece indefinida, para desespero dos jedimaníacos verde-amarelos).

Dito isso, “Clone Wars” relembra a velha alegoria do “copo com água pela metade”. Quem enxergar a empreitada pelo viés cinematográfico notará – automaticamente – que o vasilhame está “claramente” metade vazio. Desfalcado de uma trama melhor aprumada (que se limita a narrar/apresentar – unicamente – o novo/velho cenário, sem ademais desdobramentos) e até ressentida de uma qualidade técnica mais apurada, ficando muito abaixo da supremacia tecnológica de uma Pixar, por exemplo. Agora, olhando o produto como a junção dos três primeiros episódios do esperado programa – esmiuçando assim, sua verdadeira essência – a perspectiva muda – drasticamente – para um engradado que está forrado (felizmente) pela metade. No prisma da TV, fica fácil entender a falta de consistência (ou resolução) da trama (dividida, veja só, em três atos!), até porque, ela se desdobrará em inúmeros capítulos posteriores (a previsão inicial é de cem deles), fazendo deste início uma mera (competente) apresentação (formal) do recitado conteúdo – a ser explorado (enfim) durante as vindouras temporadas. Neste certame, os questionamentos de outrora se modificam, vide os aspectos visuais, extremamente atraentes – visualmente falando – pros padrões do gênero televisivo, demonstrando escalas épicas – inéditas – se compararmos com produções de porte similar.

Vale inclusive destacar o fabuloso trabalho cromático, abusando de uma palheta que estimula (fotograficamente) uma sensação “alienígena” para cada meio-ambiente – evitando o uso das “terrenas” cores primárias – em favor de tintas pouco usuais na computação gráfica. Dirigido por Dave Feloni e produzido pelo executivo-supervisor Lucas, a obra faz plena justiça ao tema “Guerra nas Estrelas”, preenchendo o écran com intermináveis cenas de ação – entre droids, veículos, naves, stormtroopers clonados e heróicos Jedi. Tudo, aliás, bem condizente com a proposta da presente película – seguindo de perto as tematizações “sem trégua” da “irmã menor” (desenvolvida por Genndy Tartakovsky através da Cartoon Network). Obviamente, nem seria “Clone Wars” realmente se as batalhas (bem arranjadas) ficassem em segundo plano. O assunto (aqui) são os conflitos galácticos, exclusivamente. Ostentando nesta composição “cinética”, a mesma verborragia aventuresca das saudosas “Matinês de Sábado” – fonte de inspiração (deveras importante) no desenvolvimento de qualquer “Guerra nas Estrelas”.

Por isso mesmo, fugindo do teor sombrio da recente trilogia, a peça (animada) volta “às origens” ligeiramente apaziguada. Visando atingir um público jovem, talvez, mais apegado as piadas pueris – entoadas, principalmente, pelos abobalhados (aka atabalhoados) robôs da Federação – e pela novata Padawan de Anakin (um adendo adolescente tão irritante quanto o irritadiço Skywalker dos filmes). A moçoila é daquelas invenções “Jar-Jar-Binkianas”, como o próprio bebê/filhote Hutt, elementos complementares que podem agradar a criançada e/ou – potencialmente – estragar o dia dos fãs puristas. Afinal de contas, poucos deles irão se sentir a vontade com a (profana) mistura: “gags que envolvem arroto + o ‘Lado Negro’ de inocência”. Independente disso, a animação funciona (principalmente) dentro dos parâmetros do Universo Expandido – o conjunto de exemplares que extrapolam o universo da saga para além dos longas canônicos. Reapresentando figuras mundialmente conhecidas, reintroduzindo-as em um formato diferente (sobretudo o Jabba animado, que ficou surpreendentemente expressivo), aproveitando o ensejo para brincar um pouquinho – igualmente – com os ilustres coadjuvantes “desconhecidos” desta “galáxia, muito, muito distante”. Além de, evidentemente, aumentar – conseqüentemente – a conta corrente do comentado dono da Lucasfilm Animation. Portanto, preparem-se para “sacar” os sabres da carteira, fanboys… Que a Força esteja com vocês!

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