A tumba dos guerreiros de Xian

FILME: A Múmia – Tumba do Imperador Dragão (The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor) EUA, 2008 – Fantasia/Aventura – 114 min. Matéria de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

“O raiar do dia irrompe sobre a Grande Muralha da China. A barreira feita de terreno calcado que se eleva sobre o horizonte. O sol é real – ‘A Muralha’ nós construímos. O Imperador Dragão subirá a uma altura de 15 metros para despertar seus cinco mil Guerreiros de Terracota, há vinte séculos enterrados, e levá-los a uma batalha final contra as forças místicas de seu antigo arquiinimigo, Ming Guo. Exércitos entrarão em conflito. O Bem contra o Mal. Os Vivos contra os Mortos. Em outras palavras, é segunda-feira no set de ‘A Múmia: Tumba do Imperador Dragão”. Assim comentou Rob Cohen, diretor da terceira epopéia da super-saga homônima (iniciada em 1999 com enorme sucesso), em seu blog, dando início ao curioso processo de “acordar os moribundos” e levá-los até as – fantasiosas – telas do cinema. Focando num dos registros históricos mais vistosos-imponentes da arqueologia mundial – em todos os tempos, o fabuloso “Exército do Imperador Qin”.

Esse “Exército do Imperador” refere-se as reconstruções humanas feitas de terra – só que assadas em baixas temperaturas, técnica conhecida como Terracota, propícia para se preservar as esculturas de argila – descobertas acidentalmente em 1974, num sítio localizado nas proximidades da necrópole do primeiro imperador da antiga China. Quase 35 anos após sua – acidental – descoberta, as escavações ainda prosseguem indefinidamente, devido à abundância de materiais encontrados e os cuidados para se lidar com estas peças tão importantes e frágeis, podendo desmoronar no simples contato com as intempéries do tempo. Espalhados por quatro diferentes trincheiras, as mais de 8000 figuras encontradas (até o presente momento) representam a guarda real de Qin Shihuang – todos eles artesanalmente construídos em tamanho natural e portando as mesmas indumentárias-armamentos típicos do período. Estipula-se que 700.000 pessoas trabalharam na construção, iniciada em 246 a.C e finalizada três décadas depois, representando – segundo os ancestrais relatos chineses – a maior obra-prima da época, superando o escopo do famoso (gigantesco) muro “que pode ser visto do espaço” (descrito lá em cima) pelo idealizador de “xXx Triplo X”.

Considerada atualmente como uma das “maravilhas” modernas, Hollywood não estava para brincadeiras quando aceitou o desafio de transportar os lendários soldados de Xion para as telonas, deixando nas mãos de Cohen (que além de cineasta é estudioso em antropologia da Ásia) um desafio tão megalomaníaco quanto os citados monumentos históricos: encaixar este fascinante passado remoto com o ritmo dos blockbusters pipoca. “Rob sabe comandar uma super-produção espalhada por dois continentes, é fantástico com os atores e tem um grande senso de humor. Alguns dos ingredientes essenciais na realização de um legítimo ‘A Múmia’”, derrete-se Bob Ducsay, produtor da tocante trilogia. Buscando reavivar – no âmbito das platéias contemporâneas – o vasto acervo de monstros clássicos da Universal (empresa consagrada pelas precursoras empreitadas envolvendo certos ícones do terror, como Drácula e Frankenstein), Ducsay foi um dos responsáveis pela modernização cinematográfica destes aterrorizantes contos mitológicos. Os mesmos que agora freqüentam películas (deixando os sustos momentaneamente de lado) recheadas de aventuras frenéticas – transbordando efeitos especiais corpulentos, extremamente necessários na hora de garantir o abastado espetáculo pirotécnico, seja dando movimentos (ultra-realistas) a uma enlouquecida criatura enfaixada ou ampliando o fascínio (mórbido) provocado por um – arrasador – “exército de morto-vivos”.

Apelando para algumas das mais avançadas geringonças disponíveis, necessárias, inclusive, para garantir a presença de Jet Li, a escolha idealizada pelos produtores quando elaboraram quem encarnaria o imponente “Imperador Dragão” título. Uma decisão aparentemente perfeita, contudo difícil, esbarrando na sempre lotada agenda do (comentado) astro-asiático. “Tivemos, então, a idéia de um guerreiro de Terracota em CG que andasse e falasse como Jet”, lembra o filmmaker. “E depois, em certo momento, ele voltaria como sendo o original em carne-e-osso”, racionalizando assim, o tempo disponível para que o ator finalizasse sua participação – rapidamente – sem comprometer outros tantos compromissos já firmados previamente. Isso, sequer forçando uma profunda modificação no cronograma de filmagens, para benefício de todos. “Ele adorou a idéia, e o estúdio também”, garante Cohen, feliz por ter dado um jeito na complicada situação, resolvida pela astúcia técnica do sagaz autor – aproveitando também à assistência (motora) do cyberscan, um equipamento que escaneia completamente o objeto a ser digitalizado (fielmente), permitindo ao dublê digital substituir – perfeitamente – o atarefado “mestre das artes marciais”, especificamente. “Criamos uma imagem tridimensional do rosto de Jet Li, tirando medidas bastante complexas de sua face, enquanto ele interpretava. Então, fizemos uma réplica computadorizada dele para poder atuar em seu lugar”, explica Cohen.

O mesmo sistema acabou sendo utilizado para formatar o “Exército em Terracota”, marcado por estátuas bastante diferentes entre si, contrapartes reais que serviram como base para as cópias usadas – exaustivamente – em “Tumba do Imperador Dragão”. Outros truques, como o remanejamento errático de determinadas partes corporais (entre os diversos falsos soldados, modificando – quantas vezes fosse preciso – a aparência individual) além da aplicação correta de texturas e iluminações, realçaram essa “diferenciação” tão característica nestes verídicos objetos-humanóides “de barro”. Um desafio digno do clã encabeçado pelo herói O’Connell. “Brendan Fraser é a personificação de Rick. Ele está fantástico, em melhor forma até do que no longa-metragem inicial, fazendo suas incríveis seqüências de ação, sozinho”, confidencia Bob, sem medir esforços para valorizar o protagonista-mor do sintomático produto. Alguém tão marcado pela cinesérie quanto seu fiel companheiro de atuação, John Hannah. “Quando abordamos John para o primeiro filme, ele não entendeu por que queríamos que tivesse um papel cômico. Ele simplesmente não se via como alguém engraçado, mas é claro que ele é, por demais, acho que isso ficou bastante evidenciado no transcorrer dos três longas”, sorri o veterano produtor. Retocando um conjunto comercial valorizado por Brendan: “Estamos aqui para entreter”, finaliza o caçador (aka para-raio) de mortíferas (e seguidas) “Múmias”.

Fonte: Universal Pictures

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