Thank you for the music, ABBA!

FILME: Mamma Mia! (Mamma Mia!) EUA, 2008 – Musical/Comédia – 108 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

Seguindo uma vertente bastante comum nos musicais modernos, “Mamma Mia!” é a adaptação cinematográfica de um espetáculo de – absoluto – prestígio nos palcos mundiais. Lançada em 1999, a premiada peça homônima tinha como proposta utilizar diversas canções do grupo setentista ABBA (como a música que dá nome ao título, inclusive), costurando uma trama que pudesse se casar plenamente com as composições melodiosas/teatrais do saudoso quarteto sueco. “Casamento” que termina sendo realmente o mote central da produção, recontando a saga de uma noiva decidida a descobrir quem poderia ser seu verdadeiro pai (dentre três candidatos possíveis), para, então, “subir ao altar” (enfim) acompanhada do parente recém-empossado. Num clima de pura algazarra, o filme se aloca nas – belíssimas – paisagens e ilhas gregas e nos absurdos tão característicos do gênero. Em suma, a película não teme cair no ridículo, criando seqüências musicais engraçadas, propositadamente exageradas e condizentes com as letras, logicamente, inspiradas.

Da abertura com “I Have a Dream”, passando por mega-sucessos como “Dancing Queen” ou “Waterloo” (este, nos créditos finais, quando o elenco principal reaparece travestido com as roupas tipicamente escandalosas dos anos 70!), o longa-metragem extrapola nas cores e na exposição – vultosa – dessa overdose melodramática (noveleira) e cômica. Para desespero daqueles que renegam os tal musical por estranharem certos comportamentos bizarros dos personagens (afinal, as pessoas não costumam sair cantando – e dançando – suas emoções pelas ruas lotadas de dançarinos e vozes de apoio, na vida real) e para a alegria daquele que ainda se contagiam com os temas pop-dançantes do revividíssimo ABBA. E este talvez seja o grande demérito da produção, que parece incapaz de encantar espectadores arredios e/ou desconhecedores da discografia tão respeitada pelos fãs declarados de Agnetha, Björn, Benny e Frida. Fica evidente que o longa faz mais sentido para quem já se pegou cantando “Mamma Mia!” ao menos uma vez na vida. Ou seja, pode encontrar uma dificuldade imensa na hora de dialogar – abertamente – com os jovens expectadores da geração “Hang Up”.

Todavia, o deleite/resgate propiciado pela iniciativa é mesmo louvável, pois apesar de alguns equívocos (nem sempre as esquetes musicais se encaixam perfeitamente com a narrativa, vide terem desperdiçado “Gimme! Gimme! Gimme!” numa cena meia-boca…) as seqüências musicadas cumprem (bem) o papel de agentes catalisadores das grudentas melodias, que continua tocando em nossas cabeças horas depois da sessão acabar. Dirigido pela iniciante Phyllida Lloyd, a mesma dramaturga que assinou a versão de “Mamma Mia!” que estreou na Broadway em 2001, o bom produto comete alguns pecados “filmisticos” (por exemplo, mal posicionando as câmeras na hora de fotografar as coreografias), contudo, o resultado final acaba ajudado pela fina aquisição de Meryl Streep – provavelmente a melhor atriz norte-americana em atividade, que aparenta estar se divertindo um bocado (visivelmente). Tanto quanto somos divertidos por ela ao longo da projeção. Ao lado de suas amigas (todas na menopausa), a esplendorosa interprete revela talentos vocais agradabilíssimos, arrancando o melhor desempenho vocal (junto com a novata Amanda Seyfried, sua “filha” sem “pai”) entre os nomes famosos escalados pelos realizadores (até Pierce Brosnan, o ex-OO7, consegue soltar o vozeirão, mesmo ficando abaixo das colegas, estas, especialmente afinadas).

Vale destacar também que algumas destas passagens cantantes se aproveitaram de sons in-loco, ou seja, os protagonistas tiveram até que trabalhar “sem-playback”, independente dos efeitos de estúdio. Valorizando vividamente os momentos onde a atuação consegue superar as próprias faixas, como no lindo/delicado retrato de “Slipping Through my Fingers” (que só reitera o gigantesco talento de Streep) ou na alegórica apresentação de “Chiquitita”, onde o trio de (comentadas) senhoras inicia a cena (metalinguisticamente, seria?) quase como se soubessem fazer parte deste “show pras telonas”. Preparando o “número” ao se darem conta que as cortinas já se abriram para o ato. Da mesma forma, elas retornam para uma palhinha nos instantes finais, homenageando o ABBA (fiquem espertos para algumas participações especiais…) e se despedindo da platéia – em grande estilo. Nos fazendo deixar a sessão tão sorridentes quanto estávamos na primeira parte deste esperto “Voulez Vouz”. Felizmente.

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