Um incrível Hulk no Brasil

FILME: “O Incrível Hulk (The Incredible Hulk) EUA, 2008 – Aventura – 114 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

DivulgaçãoVejam só… Um novo longa-metragem do Hulk! Novo mesmo, em todos os sentidos. O gigante esmeralda já havia sido transportado para as grandes telas por Ang Lee em 2003, em uma película criticada pelos fanboys mais assíduos – estes, desgostosos com o “artístico” tom melodramático adotado pelo diretor de “Brokeback Mountain”, que optou por uma versão centralizada no drama existencialista do personagem – relegando a comercial “porradaria” (onde, “Hulk Esmaga”) para um plano secundário. (Apesar dos ótimos confrontos na cena do deserto…) Assim sendo, a nova empreitada – de forma alguma – é uma continuação desta saga. Ficando para uma reinvenção completa do personagem, agora sob as verdadeiras rédeas da progenitora Marvel – já que a empresa assumiu de vez a tutela das adaptações de vários dos seus nomes mais icônicos.

Reafirmando este sentido de mudança, o elenco do filme anterior foi colocado de lado em favor da nova escalação. Nesta toada, Edward Norton (um dos atores norte-americanos muito elogiados atualmente) não só vestiu o papel de Bruce Banner como assumiu um posto de roteirista (!) para garantir que tudo saísse de acordo com o gosto dos marvetes inveterados – como ele próprio, diga-se de passagem. Com a bandeira Marvel fincada de forma indelével na cinematografia moderna, obviamente, Norton conferiu ao trabalho um conteúdo bem quadrinístico, apesar de que (na prática), a produção acaba funcionando realmente como uma belíssima homenagem ao antigo seriado televisivo do Hulk – protagonizado por Bill Bixby e Lou Ferrigno.

Bastavam os repentinos olhos verdes, denunciando o início da transformação do cientista em monstro, para notarmos o lembrete carinhoso com que o extinto enlatado acaba sendo homenageado. Isso sem falar da música-tema embalando as caminhadas solitárias do Dr. Banner, tal qual nas aventuras de sua outra alcunha, David. Lembrado por muitas pessoas, a série de TV ampliou significativamente o alcance da marca, levando Hulk para públicos distintos daqueles encontrados (apenas) nas convenções de quadrinhos. Hoje, ambos os grupos podem se reunir tranqüilamente para assistir um produto moldado para todos eles, indistintamente. Uma saída inteligente pra adaptação cinematográfica – principalmente levando-se em conta o provável acréscimo de bilheteria propiciado pela esperta manobra.

Lógico que o projeto não passa incólume. Se Edward (acertadamente, magro e introspectivo) consegue criar uma figura extremamente condizente para sua persona fictícia, o mesmo não pode ser dito para Liv Tyler – tentando se passar por Betty Ross (Jennifer Connelly era mais convincente enquanto “cientista bitolada-renomada”). Ademais, os seres digitais ainda sofrem de certa “virtualidade”, mesmo contando com efeitos-especiais de ponta. Na maior parte do tempo eles funcionam primorosamente, mas em determinadas passagens fica impossível deixar de notar o quanto são “falsos”. Além disso, Louis Leterrier não chega aos pés de Lee – nem em sonhos. O diretor francês acerta no ritmo das tão exigidas “cenas de ação” (como sabido desde “Carga Explosiva”), contudo, se demonstra pálido ao explorar o íntimo das pobres almas que povoam um universo tão rico em melancolias (expostas exclusivamente pelo excelente trabalho de Norton – tanto na atuação quanto na elaboração do texto final).

Pra fechar, inúmeras referências aos futuros longas da casa e algumas pontas especiais, como as (quase obrigatórias) aparições de Ferrigno e Stan Lee (o pai real da criatura) – além de uma participação fantástica da favela da Rocinha. Filmada in loco, o cenário (com seus impressionantes e inebriantes takes aéreos) tem uma enorme participação ativa logo no início da aventura. Este adendo brazuka acrescenta ao título uma vasta gama de curiosidades bacanas, em se tratando de blockbuster americano, principalmente para os expectadores tupiniquins. Revelando o talento das equipes cinematográficas locais e expondo, sobretudo, o português macarrônico dos gringos. Algo que – por si só – já faz valer o ingresso na divertida sessão pipoca. Quem sabe numa próxima oportunidade o Hulk até não topa com o Capitão Nascimento antes de encontrar (finalmente) o Capitão América?

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