Renascendo do sítio arqueológico de Spielberg e Lucas

FILME: “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of Crystal Skull) EUA, 2008 – Aventura – 124 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação19 anos se passaram entre “A Última Cruzada” e este “O Reino da Caveira de Cristal” – na contagem, o quarto longa do arqueólogo-mor mais famoso das escavações cinematográficas. Quase duas décadas separam as duas pontas. O ontem e o agora. Apesar das (óbvias) rugas e fios brancos inexistentes na construção da trilogia original, o triunvirato, Spielberg, Lucas e Ford reuniu-se novamente para (surpreendentemente, até) registrar a proeza de um improvável lapso temporal. O lendário trio regressa retorcendo o tempo para nos mandar novamente para o universo mitológico desenvolvido por eles em “Caçadores da Arca Perdida” – isso, sem que notemos os anos transcorridos desde que o chicote e o chapéu característico surgiram pela primeira (ou seria última?) vez. Numa mágica real (cientificamente conhecida por “exercício estilístico”) que resgata da aposentadoria um dos mais queridos-simbólicos heróis da Sétima Arte.

Filmado como se estivéssemos na década de 80, “Indiana Jones” sustenta a idade avançada sem perder a força extraída de suas aventuras iniciais. Harrison Ford, no alto dos seus respeitabilíssimos 65 anos, reafirma o discurso daqueles que lhe imputam o título de “grande ator norte-americano”. Sem forçar nenhuma barra, esconder a data de nascimento ou pintar os cabelos, Indy demonstra estar em forma. Mantendo o mesmo carisma de sempre. Protagonizando as mesmas inconfundíveis peripécias de antigamente. Num elevado grau de vivacidade, suficientes para lamentarmos a (angustiante) longa espera para vê-lo novamente (em altíssimo nível) nas grandes telas.

Em parte, o sucesso da empreitada se deve a teimosia low-tech do diretor Steven Spielberg, entusiasta dos “tacanhos” mecanismos analógicos usados (principalmente) nos períodos pré-jurássicos da computação gráfica. Sem ceder totalmente ao mundo criado pelas CGs, o cineasta entrega um produto no mesmo patamar visual/técnico de suas três contrapartes oitentistas. Numa ousada homenagem – em tons nostálgicos – capaz de contentar os saudosistas/puristas fãs de Indiana. Inusitadamente, os piores momentos do presente capítulo aparecem (justamente) quando os efeitos especiais (digitais) assumem o lugar da pirotecnia artesanal. A cena “Tarzan” de Shia LaBeouf (fazendo o papel de “ponte” para os “novatos”) balançando-se entre cipós e seres virtuais é vergonhosa de tão maneta, destoando totalmente da proposta permanente (majoritariamente) no restante da película.

Isso não significa, contanto, um descaso às técnicas atuais. Usadas em bom número ao longo do próprio título. Apenas representa um desejo de ver o Dr. Jones protagonizando as mesmas perícias “humanas” já consagradas na história do cinema. Eternamente.

História que ganha novos acordes, se a saga do “pacato” professor sempre buscou inspiração nas matinês aventurescas da década de 30, agora, a inspiração advém dos “filmes B” produzidos nos anos 50. Um período (condizente, aliás, com a data onde o enredo deste “Indiana” se encaixa) marcado por conspirações, segredos e o surgimento de um novíssimo “inimigo”, os cruéis russos (capitaneados pela excelente atriz Cate Blanchett). Elementos aproveitados/necessários para encaixar a trama proposta por George Lucas, (também) teimosamente insistindo num argumento que dificilmente ganharia vida de outra forma (vide as indefinições que atravancaram – anualmente – o projeto, atrasando o desenvolvimento do filme enquanto não houvesse uma aprovação consensual quanto à idéia – envolvendo as tais misteriosas “Caveiras de Cristal” – lançada/bancada pelo bendito criador de “Star Wars”).

Referências clássicas (envolvendo sons, música e fotografia mimetizando adequadamente os episódios passados) finalizam um trabalho atemporal, capaz de brindar o expectador com uma incursão total no material bruto adorado por eles. Ok. As coisas não saíram (totalmente) perfeitas. O “mistério” que move o plot central não empolga como empolgava a busca pela Arca da Aliança (aparecendo de relance, bem no final do prólogo) – as informações “seguindo o tesouro perdido” quase sempre são confusas e contraditórias (alguns erros geográficos – apontados exaustivamente pela mídia – quase acabaram com a “veracidade” desta “fantasia”). Nem a ação mantém sua sabida qualidade numas (poucas) passagens desnecessárias. Mas tudo fica de lado quando sobe o tema imortal (EBA!!!) de John Williams. E Indy aparece para salvar o dia. Novamente. Ao seu melhor estilo. Bem “as antigas”. Né, Spielberg?

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