Pulando fora da projeção

FILME: “Jumper (Jumper) EUA, 2008 – Aventura/Ficção Científica – 90 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

DivulgaçãoVamos verificar, temos (aqui) um tímido nerd provocado pelos amigos e apaixonado platonicamente pela garota mais bonita/popular do colégio. Confere. Num acidente (maledito bully), nosso herói adolescente descobre ter capacidade de teleporte instantâneo – saindo da gelada enrascada estudantil direto pra caxias biblioteca… (Repetidamente!). Outra presença garantida é a seara obrigatória: mãe ausente/pai alcoólico, elementar para garantir (relativa) personalidade rebelde ao personagem central, vivido por Hayden Christensen (sabidamente, o Darth Vader na nova trilogia “Star Wars”, portanto, já acostumado com estes meandros do lado negro). Não poderia faltar (também) a organização secreta que caça os tais Jumpers – pessoas donas deste estranho dom de “transporte automático personalizado”. Checado. Achou repetitivo? Nada aqui já não foi imaginado, realizado e vislumbrado anteriormente. Centenas de vezes.

Dirigido por Doug Liman, autor de “Identidade Bourne” e “Sr. e Sra. Smith” (fora alguns sucessos irregulares, presentes na ficha corrida), “Jumper” se caracteriza como uma ficção-científica meramente ordinária, cumprindo um papel passageiro nesta estréia dos filmes-pipoca 2008. Apenas. Cenas de ação competentes – tecnicamente – juntam-se ao esquematismo (sem-graça) dos mesmos. Exemplificado pelo apresentável espetáculo pirotécnico. Bonito e passável. Pouco para um enredo tão datado. Ajudado só pelo salvo-guarda teletransporte, um curioso poder diferente (em termos cinematográficos, relapsamente lembrado até então, descontando o Noturno dos “X-Men” e a cine-série “Star Trek”). Com possibilidades (ainda) maiores (infelizmente, não exploradas pelos realizadores) – talvez, pensando (exclusivamente) nas eventuais continuações. Planejadas de antemão.

A película, contudo, (apesar dos constantes defeitos de fabricação) consegue transportar um bônus válido para os espectadores entediados. Fica (até) fácil supor que a qualidade principal deste “Jumper” seja (realmente) o passeio turístico propiciado pelas jornadas imediatas – entre um ponto ao outro no globo. De fato. A lista de benfeitorias atreladas é vasta: uma dezena de paises visitados, plus ótimas locações (filmadas in loco) – garantem/desenvolvem um apelo visual interessante. Num passeio tão virtuoso e eloqüente quanto deveria ser para os “saltadores”, vidrados (aparentemente) nestas sedutoras peregrinações mundializadas.

Acontece que tais “andanças” não surtem (tanto) efeito quando são guiadas por um roteiro de viagem bem desagradável. A narrativa vazia escorrega no abuso das temáticas banais (Diane Lane, desperdiçada totalmente numa pequena participação, demonstra na tela muito desta ridícula falta de horizontes – fartos – para o enredo canhestro). A ineficiência é tanta que o casal romântico, Hayden e Rachel Bilson (do seriado “The O.C.”) aparentam uma palidez de atuação (comum ao primeiro) vergonhosa demais para (ditos) atores profissionais – limitação acentuada pelas bobas falas recicladas (uma, bem no início, chega a insultar o público, numa metalinguagem altamente pejorativa) e por um antagonista igualmente descartável (o que acontece com Samuel L. Jackson? Volta ou outra esse cara faz cada bomba…).

Formatado para se tornar uma cobiçada franquia, o longa não se esquece de soltar todas as pontas/ganhos possíveis para sua provável seqüência. Já em andamento no campo literário (a presente obra fora baseada no livro homônimo de Steven Gould). Doravante muitos preferirem se teletransportar – fugindo para qualquer outro lugar, de preferência bem distante – durante a exibição da “primeira parte”. Uma resposta coletiva interessante. Mesmo incapaz de comover os cinéfilos, o título (ao menos) parece saber despertar a inveja dos “não-jumpers”. Quem sabe, essa “ameaça” (real) à Sétima Arte não seja aproveitada (sem delongas) para justificar as ações intempestivas dos próprios (fictícios) algozes (conhecidos por) Paladinos?

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