Pisando fundo nas curvas da Sétima Arte

FILME: “Speed Racer (Speed Racer) EUA, 2008 – Ação/Aventura – 129 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

DivulgaçãoOlha, Andy e Larry estavam com grandes problemas pela frente. Depois dos elogios e críticas (ambos rasgados) para o mega-sucesso “Matrix” e suas duas controversas continuações, os irmão cineastas corriam o risco de viverem do passado, colhendo os louros de um sucesso único, como tantos nomes (hoje) incapazes de competir contra as próprias (bem-sucedidas) criações. Pois, desde que Neo desafiou a realidade fake das máquinas, a dupla limitou-se a só produzir e roteirizar. Passando longe de assumir o papel narrativo tão bem executado, ao menos no início de sua aclamada ficção cyberpunk. Deixando no ar uma dúvida cruel: seriam eles capazes de repetir o feito, assinando outra vez – realmente – um belíssimo filme? Especulação que culmina com a chegada deste “Speed Racer” – uma surpreendente resposta para quem (ainda) duvidava dos talentosos Wachowski Brothers.

A escolha era muito arriscada, adaptar um conhecido Anime dos anos 60 soava melhor para os realizadores (fãs assumidos do gênero) do que para o público desconfiado. Afinal de contas, o desenho – principalmente comparado com outras atrações nipônicas, bem mais maduras – poderia não render o suficiente para garantir uma história interessante nesta transposição (americana) para o live-action. Principalmente inserido-os nos ensejos digitais. Um desafio técnico e lingüístico difícil, só possível de ser superado graças à criatividade dos diretores somados ao costume pessoal de quebrar barreiras na utilização da computação gráfica (herdadas desde o tal bullet-time). Assistir “Speed” na sala escura é uma experiência uterina indescritível. Onde nascemos novamente para um – novo – mundo de cores sinergicas. Transbordando o longa-metragem com as mesmas (inacreditáveis) características icônicas do material adaptado.

Usando de uma apoteótica estrutura não-linear, esquivando-se dos “cortes” habituais entre uma cena ou outra (com maestria), abusando dos avanços tecnológicos e do domínio das filmagens em Chroma key, o título consegue jogar convenções catedráticas pela janela e abrir abrangentes perspectivas (antes distantes) para o atual cinema digital. Atingindo um incrívelmente completo status de arte numa película – costumeiramente – classificada como blockbuster pipoca – sem quaisqueis aspirações além das comerciais. A “viagem” onírica ao mundo fantástico das corridas animadas (verborragicamente) proporciona um espetáculo cinematográfico estonteante. Dragando todos os sentidos do expectador encantado, fixado atentamente neste pandemônio hipnotizante de imagens (e sons temáticos) multicoloridos.

Numa convulsão pluricultural só plausível devido ao absoluto controle artístico desta (rápida) estrada, perigosamente ingrata para comandantes inábeis. Pilotar este caldeirão de choques psicodélicos só se torna viável quando temos atrás das câmeras alguns “braços” tão habilidosos quanto às do personagem principal em suas loucas manobras pelas pistas exóticas mundo afora. Exigidos mentalmente (e fisicamente, já que as pressões eram enormes), os Wachowski municiaram (resguardando) sua farta imaginação com um elenco certeiro. A começar por Emile Hirsch – o protagonista perfeito. Auxiliado por invejáveis nomes nos papéis coadjuvantes (vide as presenças iluminadas de Susan Sarandon, John Goodman e Matthew Fox). Chegando ao ponto de extrair – num pit-stop fotogenicamente cirúrgico – uma beleza quase impossível da ótima Christina Ricci – a eterna Mortícia Addams (vale lembrar).

Nas disputas entre bólidos armados como numa autêntica “corrida maluca”, Andy e Larry acham espaço para brincar como crianças, seja com a comicidade de Zéquinha (o simpático e atrapalhado macaquinho da família) ou com as lutas graficamente extraídas do original. De passagem, o passeio sem volta no banco traseiro do Mach 5 – com todos os zooms e loopings arriscados que temos direito. E “pé em baixo” o tempo inteiro, óbvio. Alucinante a cada instante percorrido por esta “animação” (com atores reais) absurdamente impactante – tanto quanto era a filosofia nerd-metafísica do “antigo” (mas não único) clássico sci-fi dos Wachowski. Parceiros de berço que estão atualizando o currículo (meritoriamente) com uma obra capaz de fazer inveja aos feitos da famosa tripulação heróica da Nabucodonosor.

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