O retorno do rei Cáspian?

FILME: “Crônicas de Nárnia: Príncipe Cáspian (The Chronicles of Narnia: Prince Caspian) EUA, 2008 – Aventura/Fantasia – 144 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

DivulgaçãoExiste algo de errado em Nárnia. Passados 1300 anos desde que os irmãos Pevensie regressaram a Londres (ainda envolta pela Segunda Guerra Mundial), as criaturas mágicas (falantes) nativas estão praticamente extintas. Os “filhos de adão” agora governam um mundo nada parecido com aquele deixado no longa passado. Dele, sobraram apenas ecos, espalhados por ruínas antigas e pela crença – quase sebastianista – do retorno dos reis e rainhas da “época de ouro”, nossos protagonistas: Lúcia, Suzana, Pedro e Edmundo. Cada um deles, esperando (alguns ansiosamente) o oportuno regresso ao universo fantasioso tirado das páginas de C.S. Lewis. Entretanto, se a segregação entre espécies motiva boa parte dos conflitos deste bom segundo capítulo, alguns elementos inseridos na contenda básica reforçam uma impressão de quando a série debutou nas grandes telas. Falta brilho próprio para este título reinar na cinematografia moderna.

A história deste “Príncipe Cáspian” até pode se passar milênios após “O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa”, todavia, apenas alguns parcos anos separam esta empreitada das aventuras de Peter Jackson pela Terra-Média. Argumento recorrente quando o assunto envolve obras de “Capa & Espada”, é óbvio que “Senhor dos Anéis” continua exercendo uma fascinante influência nos produtos desenvolvidos para o mesmo nicho cinematográfico. Pois, fica difícil imaginar que vários dos diversos takes que evocam Tolkien sejam (na presente fantasia) mera coincidência ocasional. Dano colateral de uma magia mal resolvida. Se várias das imagens de Nárnia nos remetem a “trilogia do anel”, isso ocorre porque – de fato – existem similaridades entre elas. Não só pelo fato de seus respectivos criadores terem sido (circunstancialmente) amigos e contemporâneos, assinando best-sellers com apelos particularmente parecidos, mas, sobretudo pelo impacto visual (genericamente) “copiado” pelas “grandes” sagas similares surgidas “Pós-Retorno do Rei”.

Este “espelhamento” quase homólogo desprendido (propositadamente) pela Disney no trato deste seu mero blockbuster de verão, infelizmente, só assegura um desenrolar morno para uma cinesérie (ainda sim) interessante – doravante estar podada pela falta de uma linguagem característica, capaz de diferenciá-la dos demais filmes realizados sob patamares parecidos. A impressão final nos deixa crer que o diretor Andrew Adamson (responsável pela bem-sucedida animação “Shrek”) prefere apostar num básico certeiro ao invés de se arriscar numa ação recompensadora – artisticamente falando. Num sentido mais profundo. Criando raízes e real identificação com os expectadores (hoje) perdidos neste mar de obviedades do gênero.

A tristeza resultante desta “direção” (comercial) aparece quando percebemos que, apesar dos pesares, “Crônicas de Nárnia” sobrevive bem. Surpreendentemente. Atraindo atenções e gerando aprazíveis “Sessões da Tarde”. Principalmente agora, quando a saga aprofundou-se em conteúdo depois de passada a necessária exposição inicial. Da qual o público alheio pode desconsiderar razoavelmente. Ao se concentrar numa linha do tempo distante do longa-metragem inicial, a adaptação consegue apresentar um novo cenário, revigorante para os iniciados e “estranho” não só para os freqüentadores de primeira viagem. Capazes de pegar a história andando e acompanhar sem grandes dificuldades – devido à enorme quantidade de novidades. A maior universalidade da trama, onde um príncipe luta pelo trono perdido em meio a embates entre “homens x animais”, também acrescenta maturidade ao conto.

O planejamento das lutas fratricidas – resolvidas estrategicamente, reforçam este sentido de amadurecimento. As diversas desavenças resultantes idem. Mesmo quando aplicadas num molde infalível de seres fofinhos (os ratinhos espadachins – meus preferidos – são a apoteose disso) e uma indicação etária suficiente para garantir o parco derramamento de sangue. Sem negar a contagem dos corpos após cada – tecnicamente impecável – batalha campal. Tomada por efeitos – costumeiramente – especiais e (esperados) eventos “tolkinianos” pelos quatro cantos. A todo keyframe emulado por Adamson. Como manda o discutível figurino vestido-assumido por este – interessante/decepcionante – passatempo. Enquanto “O Hobbit” (caso o equivocado “conceito genérico” permanecer inalterado) não chega aos cinemas.

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