Memória (e audição) pra elefante nenhum botar defeito

FILME: Horton e o Mundo dos Quem!” (Horton Hears a Who) EUA, 2008 – Animação – 92 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

Divulgação

De “Toy Story” (1995) para cá, a animação americana consolidou (seguramente) sua posição destacada no advento da computação gráfica – agregando visuais arrojados com amplitude de públicos num mercado historicamente recheado de desenhos infantilizados ou desprestigiados. Seguindo os ditados da especializada Pixar (agora parte indelével do conglomerado Disney), outros estúdios adentraram neste polivalente campo de vetores/roteiros apurados, criando sucessos modernos como “Shrek” e “Era do Gelo”. Seguindo a toada, o Blue Sky Studios (lar do diretor brasileiro Carlos Saldanha) migrou das geladas aventuras pré-históricas para as selvas atuais, adaptando (com a costumeira qualidade) o conto homônimo de Dr. Seuss (criador de “O Grinch” e “O Gato”, ambos já descobertos pelos cinéfilos).

Tudo começa/deságua quando um simpático elefante chamado Horton alega ouvir um pedido de socorro – aparentemente vindo do interior de um grão de areia (!). Desacreditado pelos amigos, o mamífero título consegue entrar em contato com o Prefeito de Quem-Lândia, morador e tutor da cidade minúscula localizada na diminuta partícula. Acontece que, se os animais da floresta parecem desacreditar na existência destes organismos microscópicos, os próprios seres “invisíveis” (igualmente) refutam qualquer teoria envolvendo criaturas infinitamente superiores ao seu mundo – próximo de um colapso, vale citar, após vagar (através da forte ventania) para um local hermeticamente pouco seguro.

Cabe a Horton tentar salvar os “Quem”, apesar do antagonismo despertado por sua (louca) busca por um ambiente estável/protegido para depositar seus novos amigos (imaginários?). Alegando uma máxima (“uma pessoa é uma pessoa, não importa seu tamanho”) o orelhudo ser de trompas sofre com as hostilidades daqueles mais descrentes – enfrentando ameaças e desafios impostos por eles. Curiosamente, este discurso “pró-vida” murmurado na película escoou para fora das telas, onde o tema “quando uma pessoa é uma pessoa” virou argumento-estandarte dos detratores das células-tronco embrionárias. Despropositada atribuição parece-me equivocada, pois a obra fora criada (no distante 1954) muito antes (portanto) da polêmica entrar na pauta dos jornais mundiais. Entretanto, correlacionar este fértil universo fantasioso com embriões usados em pesquisas terapêuticas (ou não, eis a questão) se tornou (aparentemente) salutar para os debatedores do (complicado) assunto.

Aquém as indulgentes discussões pós-longa-metragem, “Horton e o Mundo dos Quem!” consegue sobreviver a tal conturbada associação mantendo seus valores intactos, mesclando o poderio cada vez maior das imagens em CG, animação tradicional (dividida em dois segmentos, um – inclusive – com inesperada cara de Anime) e narrativa nitidamente clássica. Emplacando gags visuais – como quando o personagem principal transmuta seu corpo, transformando suas orelhas em uma máscara Ninja, por exemplo – ao estilo das tradições tão vigentes nas antigas produções animadas (cinematograficamente). Sem falar da velha tática (quase infalível) de rechear a história com bichinhos – encantadoramente – fofinhos….

Por fim, a dupla-estrela da cinesérie “Todo Poderoso”, Jim Carrey e Steve Carrell, encarrega-se da dublagem original, agregando muita personalidade às já citadas figuras (carismáticas) centrais – surpreendentemente, na versão tupiniquim, eles até foram bem substituídos pela voz brasileira (dublador oficial) do careteiro “Ace Ventura”, somada à atuação marcante de Tom Cavalcante. O comediante usa de seus talentos vocais para fugir do trivial, criando uma entonação precisa para o melindrado pai (mandatário-mor) de 97 filhos. Diferente de outros “famosos” que “caíram” no ramo, Tom interpreta profissionalmente, extirpando traços pessoais em função das necessidades básicas do produto ficcional. Emprestando seu dom – e não seu nome. Como se deve. O cinema (com controle) de qualidade agradece

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