Contos crônicos de Spiderwick

FILME: “Crônicas de Spiderwick (The Spiderwick Chronicles) EUA, 2008 – Aventura/Fantasia – 97 min. Resenha de Carlos Campos para o site “Claquete Virtual”, 2008.

DivulgaçãoA enxurrada de fantasias infanto-juvenis não dá trégua. Semanalmente estes produtos alcançam as prateleiras cinematográficas, jogando através de nossa goela o mesmo ingrediente mágico já degustado em tantos outros frascos/formatos (sejam eles luxuosos ou pirateados). Acontece que tal acessível tempero já está se tornando enjoativo. É sempre o mesmo prato (sem falar do garfo e faca) repetitivo. Tudo começa na adaptação de uma receita já testada (com sucesso) no mercado literário, depois, como aperitivo natural, somos nutridos incessantemente com abundantes bons efeitos-especiais (uma fatídica banalização do “progresso” digital). Assim, lá vamos nós! Outro cânone do gênero prontinho para ser servido. Interessou-se pelo cardápio? Então experimente este “As Crônicas de Spiderwick”.

O início pode não ser muito degustável, desembarcamos na amargura da família Grace (Nicole?), em mudança para a nova (velha) casa (isolada do mundo, sabe como é…). Lá, vamos se acostumando as relações entre os (implicantes) irmãos, entre eles o protagonista da história, fazendo biquinho pra mãe por não aceitar o desaforado “recomeço” estratégico – no assustador casarão herdado por eles. Aos poucos, as brigas em volta da mesa evadem-se para outros cômodos, alguns deles secretos, revelando os mistérios de um precioso livro, lacrado e escondido. O visível aviso “não leia” (na capa) funciona apenas como incentivo extra para a recomendação ser ignorada prontamente. E lá vamos nós novamente!

As páginas (tingidas pelo estudioso tio-avô da molecada) expõem um compêndio completo das criaturas inimagináveis-fantasiosas. Um segredo muito desejado por Mulgarath, o vilão-monstruosidade mestre das outras monstruosidades que freqüentam os arredores da enfeitiçada/protegida residência. Mas “palma, palma, não criemos cânico”! Algumas destas criaturas são amigas e ajudarão os mocinhos na tarefa de causar um revertério no mal encarnado – através de lutas, correrias, feitiços e umas bocas sedentas por carne alheia… Tudo feito para um consumo rápido, nada indicado para paladares mais apurados. Desdobramentos previsíveis (filho que sente a falta do pai ausente, mãe que não acredita no relato do filho rebelde…) acrescentam uma pitada inócua numa fórmula (muito) mal-passada.

Pouco sobra de apetitoso entre as especiarias desta película, além do (curioso) interesse compulsório das “criaturas amigas” por certas guloseimas (mel e pássaros estão entre suas predileções – importantes tanto para as cenas cômicas quanto para as resoluções finais). Outro ponto positivo é Freddie Highmore – o menino título de “Arthur e os Minimoys”, filme da mesma estirpe (adivinhem só?) deste “Spiderwick” – no papel dos gêmeos, sustentando (sozinho) a atribulada carga de “estrela” da obra. Mostrando, em dose dupla, um talento que o garoto tem de sobra. Pena que a narrativa insistentemente relega alguns aspectos importantes da personalidade explosiva de seu herói pré-adolescente – acentuada pela valente interpretação de Freddie (particularmente, quanto à destruição de objetos inanimados, punidos acintosamente para descarregar uma avassaladora fúria pseudo-somática).

No fim, a idéia de uma nova rodada embrulha (lacivamente) a desgastada receita. O.k., nada neste longa-metragem lhe causará uma autêntica indigestão estomacal, não vamos exagerar. Contudo, mesmo gosto sendo gosto (portanto, cada um tem o seu), aqui o sabor é apuradamente agridoce. Podemos até prová-lo/devorá-lo numa sessão rapidinha, entretanto, duvido que esta amostragem seja suficiente para encher a barriga dos cinéfilos exigentes. Falta “caldo” para estas “Crônicas de Sei Lá o Que…” fomentarem um (afrodisíaco) aumento na salivação dos espectadores famintos – ou seja, recheia muito pouco (pouco mesmo) para uma empreitada que almejava satisfazer os esfomeados pelo bom cinema fantástico.

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Críticas, Novidade

Uma resposta para “Contos crônicos de Spiderwick

  1. Eu simplesmente amo filmes assim!!! A fantasia faz bem para crianças e adultos. A fantasia tira vc por um momento do mundo real, te leva lá alguns atrás qdo vc ainda sonhava sem medo de ser feliz e se deixava levar por eles.
    E q venham mais e mais filmes assim.
    A realidade é q filmes são como livros, msm gostando mto de assistí-los ou lê-los, não são todos q agradam à todos.
    Então para não se desagradar basta procurar apenas por aqlo q deseje.
    Este filme é ótimo, assim como tantos outros do msm gênero.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s