Tecendo uma teia embaraçada

FILME: “Homem-Aranha 3” (Spider-Man 3) EUA, 2007 – Aventura/Fantasia – 117 min

Divulgação

Enfim, “Homem-Aranha 3” chegou aos cinemas. A boa notícia? Ele tem todos os elementos que consagraram a série. A péssima? É que o final da “trilogia” fica devendo. E muito.

O que se espera de uma continuação é que ela seja maior e melhor, sempre. Pena que aqui, o maior não necessariamente significa um filme melhor, muito pelo contrário. A necessidade de se “fazer mais”, abalaram os alicerces da história (até então, o ponto forte da saga). Se anteriormente havia tempo de sobra para explorar subtramas e personagens, aqui, a ganância de se ter três vilões (de uma só vez) limitaram a narrativa – antes precisa.

A verdade é que os novos inimigos se ofuscam entre si. Pois são obrigados a dividir e lutar por espaços minguados de tela (já que são três deles na mesma película). Passando, assim, longe do desenvolvimento de um Duende Verde ou Doutor Octopus. Corroborado pela própria presença dos atores Topher Grace (Venom) e Thomas Church (Homem-Areia). Apesar de bem caracterizados, eles acabam ficando abaixo de William Dafoe e Alfred Molina no hall dos melhores arquivilões do amigão da vizinhança.

Para se adequar a nova realidade, inchada pelo excesso, o roteiro escorrega em outros dois aspectos. Primeiro, para “conectar” tantos personagens distintos, o enredo acaba exigindo uma adaptação muito maior do conteúdo original, algo que não acontecia até então. Vide colocar o Homem-Areia como o assassino do tio Ben, algo que destoa totalmente dos quadrinhos. Soando como uma medida desesperada para encaixar (na trama) o vilão (predileto) do diretor Sam Raimi.

Segundo, para correr com a história, os roteiristas se utilizaram de elipses. Forçando passagens do ponto “A” para o “C” sem passar pelo “B” – “poupando” assim, um tempo precioso para poder mostrar outras coisas. O que enfraquece as amarras entre os plots e acaba provocando buracos enormes no desenvolvimento das cenas. O resultado é que muitas explicações e correlações acabaram de lado, ficando subentendidas ou simplesmente esquecidas. Só para citar um exemplo, em nenhum momento Peter (Tobey Maguire) fala do uniforme negro para Mary Jane (Kirsten Dunst), e a moça, apesar de todos os jornais da cidade ostentarem fotos e manchetes garrafais sobre a “mudança”, nunca interpela seu namorado sobre a nova vestimenta – surgida do nada.

Diante disso, o produto final deixa realmente a desejar. Mesmo assim, o filme ainda agrada. Apesar de um texto inconsistente, a produção está recheada de motivos que vão levá-lo ao sucesso. Os efeitos estão mais especiais do que nunca. As cenas de ação transpiram quadrinhos a todo o momento. A comédia, uma das marcas da série aracnídea, surge em profusão. J.J. Jameson está impagável (apesar de ser um dos que mais perderam espaço no meio da multidão de acontecimentos) e Bruce Campbell faz sua terceira e mais engraçada participação nos longas do Aranha (até seu nome aparece nos créditos iniciais, diferentemente do que aconteceu em suas participações anteriores).

O curioso é que mesmo com um orçamento de 280 milhões de dólares, a saída encontrada pelos produtores para retratar a versão dark do herói aracnídeo foi, pasmem, mudar Peter Parker de nerd para emo. Uma medida estranha, pouco eficiente e desajeitada no sentido de mostrar de forma cômica e exagerada a “dramática” queda para o lado negro. Maguire é um sujeito bobo por natureza, forçá-lo a ser mais abobalhado só poderia redundar nisso, em um humor totalmente involuntário e indesejável. Raimi, sem dúvida, se sai melhor retratando os gibis antigos do Aranha (e trazendo Gwen Stacy de volta) do que tentado adaptá-los a modernidade.

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